Roberto Jefferson

Roberto Jefferson
Roberto Jefferson
Deputado Federal pelo Rio de Janeiro
Período 1° de fevereiro de 1983 - 15 de setembro de 2005
Dados pessoais
Nascimento 14 de junho de 1953 (67 anos)
Petrópolis, Rio de Janeiro
Nacionalidade brasileira
Progenitores Mãe: Neusa Dalva Monteiro Francisco
Pai: Roberto Francisco
Alma mater Universidade Estácio de Sá
Filhos Cristiane Brasil
Partido MDB (1971-1980)
PP (1980)
PTB (1980-presente)
Profissão advogado
Ocupação Presidente do PTB

Roberto Jefferson Monteiro Francisco (Petrópolis, 14 de junho de 1953) é um advogado e político brasileiro que começou sua carreira como apresentador de televisão. É o presidente nacional do PTB.[1] Ficou nacionalmente conhecido por seu envolvimento no esquema de corrupção chamado de mensalão, do qual participou e que foi o primeiro a denunciar.[2] Foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal pela prática de crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, tendo a sua pena em um terço pela colaboração com a investigação do caso.[3] Foi cassado em 2005 pelo plenário da Câmara dos Deputados.[4]


Vida pessoalEditar

Roberto Jefferson é filho e neto de políticos petebistas. Seus pais são Roberto Francisco e Neusa Dalva Monteiro Francisco. É casado com Ana Lucia Novaes Jefferson Monteiro Francisco,[5] e tem três filhos: Cristiane Brasil, deputada federal pelo PTB do Rio de Janeiro [2], Fabiana Brasil e Roberto Francisco Neto. Ele terminou os estudos colegiais no Colégio Werneck, de Petrópolis. Em 1975 ingressou na Universidade Estácio de Sá, onde formou-se em Direito em 1979. Ele conquistou notoriedade como advogado de pobres no popular "O Povo na TV", atração exibida na antiga TVS (atual SBT) na década de 1980.

Foi por meio de Roberto Jefferson que o chamado escândalo do mensalão adquiriu dimensões maiores, após denunciar o escândalo, o que o tornou conhecido nacionalmente.[6][7][8]

É autor do livro "Nervos de aço - Um retrato da política e dos políticos no Brasil", publicado pela Editora Topbooks. Roberto Jefferson foi diagnosticado em julho de 2012 com um câncer de pâncreas em estágio inicial, do tipo papilar mucinoso ductal. O político foi submetido no Hospital Samaritano a uma duodenopancreatectomia, uma cirurgia de grande porte para a retirada de parte do pâncreas e duodeno.[9]

No dia 29 de maio de 2006, foi entrevistado no programa Roda Viva, da TV Cultura. Durante a entrevista, queixou-se do isolamento, mas disse que está "de cabeça erguida". Na ocasião, Roberto Jefferson disse também que os negócios como advogado não estavam muito bem: ele é especialista em direito comercial e tributário, mas seus potenciais clientes - empresas e corporações - temem possíveis represálias de órgãos governamentais, caso entrem com petições assinadas por ele.[10]

Carreira na televisãoEditar

Jefferson foi apresentador do programa O Povo na TV, transmitido de 1981 até 1984 pela antiga TVS, atual SBT. Com a fama conseguida no programa, foi eleito deputado federal nas eleições em 1982.[11]

Carreira políticaEditar

Roberto Jefferson entrou oficialmente na vida pública em 1971, quando filiou-se ao MDB. Permaneceu no partido até o início de 1980, quando filiou-se ao Partido Popular (PP), fundado em fevereiro daquele ano após o fim do bipartidarismo em novembro de 1979.[12] Deixou o PP no mesmo ano para filiar-se ao PTB – partido cuja fundação, em 1945, havia tido a participação de seu avô. Jefferson continua no PTB até os dias de hoje, do qual foi o deputado federal mais antigo da bancada na Câmara dos Deputados até ter o seu mandato cassado em 2005. Foi também candidato à Prefeitura do Rio de Janeiro em 1988 pelo PTB, e obteve quase 2% dos votos.

Presidência do PTBEditar

Em 1990, na Câmara dos Deputados, foi o relator de Comissão de Constituição, Justiça e Redação, cargo em que promulgou a Lei de Crimes Hediondos. Em 1999, o PTB o elegeu líder na Câmara,[13] permanecendo até 2002. Em fevereiro de 2003, o PTB elegeu-o presidente nacional,[14] cargo que ocupou até 17 de junho de 2005, quando se licenciou porque estava sendo acusado de envolvimento em irregularidades praticadas na Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (Correios).

Mandatos eletivosEditar

Entre seus mandatos eletivos estão o de deputado federal (1983-1987, PTB-RJ), deputado federal Constituinte (1987-1991, PTB-RJ), deputado federal do Congresso Revisor (1991-1995, PTB-RJ) e deputado federal (1995-1999, PTB-RJ/1999-2003, PTB-RJ/2003-2007, PTB-RJ) cassado em setembro de 2005.[15]

Processo de cassaçãoEditar

No dia 14 de setembro de 2005, o mandato de Jefferson foi cassado, perdendo seus direitos políticos por oito anos. O placar da votação foi de 313 votos a favor e 156 contra (mais 13 abstenções, 5 votos em branco e votos nulos).[16]

ControvérsiasEditar

 
Roberto Jefferson durante CPI do Mensalão

O nome de Roberto Jefferson passou a ser conhecido nacionalmente durante o processo de impeachment do então presidente Fernando Collor, em que atuou como militante da "tropa de choque" de deputados que tentavam defender o então presidente.[17] Em 1993, seu nome foi citado entre os envolvidos no esquema de propina na CPI do Orçamento.[18] Em 1994, durante depoimento, Jefferson chorou por duas vezes, lamentando o fato de sua família ter sido exposta. Nessa CPI, ele foi incluído na lista de 14 parlamentares sobre os quais seria necessária maior investigação. No relatório final da CPI, a conclusão era que, com crédito total de 470 mil dólares em cinco anos, seu patrimônio e movimentação bancária seriam compatíveis com o rendimento. A Subcomissão de Patrimônio teria constatado, porém, a existência de bens não declarados à Receita.[carece de fontes?]

No 1° turno das eleições de 2002, Jefferson apoiou Ciro Gomes (então no PPS).[19] No 2° turno das mesmas eleições, recomentou voto para o candidato vitorioso Luiz Inácio Lula da Silva (PT).[20]

Como presidente do PTB, Roberto Jefferson determinou a aliança com o PT nas capitais para as eleições de 2004. Em troca, o PT ajudaria financeiramente o PTB. Em 2005, Jefferson admitiu que a ajuda incluiu uma quantia de quatro milhões de dólares não declarada à Justiça Eleitoral — o que caracteriza crime tanto do PTB quanto do PT. Em 2005, a revista Veja divulgou o suposto envolvimento de Roberto Jefferson num escândalo de corrupção nos Correios, na qual houve fraude a licitações e desvio de dinheiro público. Com a iminência da instauração de uma CPI no Congresso Nacional, Roberto Jefferson denunciou a prática da compra de deputados federais da base aliada ao governo federal (PL, PP, PMDB) pelo partido oficial: o PT. A prática ficou conhecida como "mensalão".

Em 10 de outubro de 2005, Jefferson teve sua aposentadoria como deputado publicada no Diário Oficial.[21] Assim, Jefferson se junta a outros deputados cassados que recebem aposentadoria pela Câmara: Pedro Corrêa, Jerônimo Reis, Feres Nader, Carlos Benevides, Ibsen Pinheiro, Raquel Cândido, Narciso Mendes, Feres Nader, José Geraldo Ribeiro e Francisco Pinto.[22]

Ele foi vítima de um câncer no pâncreas, enfrentou várias recidivas que o afastaram do cotidiano do partido e do Congresso. Foi abatido por uma forte depressão, mas ressurgiu em uma live transmitida em 19 de abril de 2020, na qual denuncia um suposto “golpe parlamentarista” que estaria sendo urdido por Rodrigo Maia, em seguida declarou apoio ao presidente Jair Bolsonaro.[23]

Roberto Jefferson divulgou uma foto segurando um fuzil em sua rede social, dizendo que se prepara para "combater o bom combate. Contra o comunismo, contra a ditadura, contra a tirania, contra os traidores, contra os vendilhões da Pátria. Brasil acima de tudo. Deus acima de todos". Jefferson também se mostrou a favor do fechamento do Supremo Tribunal Federal (STF) e da perseguição da imprensa: "Bolsonaro, para atender o povo e tomar as rédeas do governo, precisa de duas atitudes inadiáveis: demitir e substituir os 11 ministros do STF, herança maldita. Precisa cassar, agora, todas as concessões de rádio e TV das empresas concessionárias GLOBO. Se não fizer, cai." Comentando o assunto para o Congresso em Foco, o advogado Joelson Dias criticou a postura antidemocrática do político e o desgaste que essa declaração vai gerar no debate público em meio a Pandemia de Covid-19.[24]

Em 27 de maio de 2020, foi alvo de busca e apreensão pela PF em um inquérito autorizado pelo ministro Alexandre de Moraes que combate fake news.[25]

MensalãoEditar

 Ver artigo principal: Escândalo do mensalão

Roberto Jefferson foi condenado em 28 de novembro de 2012 a 7 anos e 14 dias de prisão julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Ele disse ser vítima de si mesmo. Jefferson também rejeitou a tese de que teria vendido o apoio de seu partido ao PT.[26]

"Embora não concorde com as imputações, recebo com serenidade a decisão dos ministros. E reafirmo: não vendi o meu partido ao PT nem me apropriei para fins pessoais de nem um centavo sequer do dinheiro que a mim chegou para financiar campanhas eleitorais". Roberto Jefferson

Roberto Jefferson foi condenado a mais de 10 anos de reclusão em regime fechado, mas como recebeu o benefício da delação premiada, reduzindo em 1/3 a pena,[3] sua pena foi reduzida para 7 anos e 14 dias e será cumprida em regime semiaberto.[27]

Em maio de 2015, Roberto Jefferson passou a cumprir o restante de sua pena em regime aberto, após autorização concedida pelo ministro Luís Roberto Barroso.[28] Em março de 2016, foi indultado, junto a outros cinco corréus, pelo mesmo ministro Barroso, com base no indulto presidencial de natal de 2015, e quitou sua dívida com a Justiça[29].

Ver tambémEditar

Referências

  1. Gustavo Garcia (14 de abril de 2016). «Roberto Jefferson reassume presidência nacional do PTB». G1. Globo.com. Consultado em 22 de março de 2017 
  2. a b «Delator do mensalão, Roberto Jefferson é internado em Brasília». G1. Globo.com. 20 de maio de 2016. Consultado em 22 de março de 2017 
  3. a b «Por delatar mensalão, Roberto Jefferson se livra de prisão em regime fechado». Último Segundo. iG. 28 de novembro de 2012. Consultado em 22 de março de 2017 
  4. «Só Roberto Jefferson foi cassado por mentir aos pares». Época Negócios. Globo. 27 de dezembro de 2015 
  5. Luciana Nunes Leal. «Roberto Jefferson se casa e menciona mensalão em declaração à noiva». Estadão. Consultado em 22 de março de 2017 
  6. Renato Lo Preste. «Em entrevista à Folha em 2005, Jefferson revelou o mensalão; leia». Folha de S.Paulo. Uol 
  7. «"Cunha é o bandido que mais gosto", diz Roberto Jefferson». Exame. Abril. 1 de abril de 2016. Consultado em 20 de abril de 2020 
  8. «Roberto Jefferson é condenado a mais de sete anos de prisão». Terra. Consultado em 20 de abril de 2020 
  9. «Tumor de Roberto Jefferson é maligno, segundo boletim médico». G1. 1 de agosto de 2012 
  10. «Roberto Jefferson». Roda Viva. 29 de maio de 2006. Consultado em 22 de março de 2017 
  11. Reinaldo Azevedo (11 de maio de 2020). «Jefferson governista surgiu em TV que levou ao ar morte de bebê no estúdio». Uol. Consultado em 11 de maio de 2020 
  12. Brasil, CPDOC-Centro de Pesquisa e Documentação História Contemporânea do. «ROBERTO JEFFERSON MONTEIRO FRANCISCO». CPDOC - Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil. Consultado em 10 de setembro de 2020 
  13. «PL 1419/1999». Câmara dos Deputados. Consultado em 22 de março de 2017 
  14. «Roberto Jefferson é empossado na presidência do PTB». Memoria Agência Brasil. EBC. 16 de outubro de 2003. Consultado em 22 de março de 2017 
  15. «Plenário da Câmara aprova cassação de Roberto Jefferson». Folha de S.Paulo. Uol. 14 de setembro de 2005. Consultado em 22 de março de 2017 
  16. «Plenário da Câmara aprova cassação de Roberto Jefferson». Folha Online. 14 de setembro de 2005. Consultado em 22 de março de 2017 
  17. «Roberto Jefferson volta à Câmara para defender impeachment». Exame. Abril. 6 de abril de 2016. Consultado em 20 de abril de 2020 
  18. Catia Seabra (6 de junho de 2005). «Petebista liderou tropa de choque de Collor». Folha de S.Paulo. Uol 
  19. «Relator condena Roberto Jefferson por corrupção passiva». Exame. Abril 
  20. «PTB decide recomendar voto para Lula no segundo turno». Uol. 10 de outubro de 2002 
  21. «Cassado, Jefferson se aposenta como deputado com salário de R$ 8.882,91». Folha de S.Paulo. Uol. 11 de outubro de 2005 
  22. «Câmara paga por mês R$ 127,8 mil de aposentadoria para deputados cassados». G1. Globo. 16 de novembro de 2017 
  23. «Roberto Jefferson ressurge em papel bolsonarista». GaúchaZH. 13 de maio de 2020. Consultado em 6 de junho de 2020 
  24. Erick Mota (9 de maio de 2020). «Roberto Jefferson publica foto com fuzil: "Para combater o comunismo». Congresso em Foco. UOL. Consultado em 9 de maio de 2020. Cópia arquivada em 9 de maio de 2020 
  25. «PF cumpre mandados de busca e apreensão em endereços do ex-deputado Roberto Jefferson». Tribuna de Petropolis. 27 de maio de 2020. Consultado em 27 de maio de 2020 
  26. «Sou vítima de mim mesmo, diz Jefferson sobre condenação». Exame. 28 de setembro de 2012 
  27. «Roberto Jefferson é condenado a 7 anos e 14 dias em ação do mensalão». G1. Globo.com. 28 de novembro de 2012. Consultado em 22 de março de 2017 
  28. «Roberto Jefferson deixa a prisão e vai para regime domiciliar no Rio». G1. 16 de maio de 2015 
  29. «Roberto Jefferson e mais cinco condenados no mensalão recebem indulto». Consultor Jurídico 

Ligações externasEditar