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Marechal da União Soviética State Emblem of the Soviet Union.svg
Gueorgui Júkov
Георгий Жуков
HUS GCB GCLH LOM OL OEV OV ORO OS
Júkov aos 48 anos, retratado pela revista Life, em 1945
Ministro da Defesa da União Soviética
Período 9 de fevereiro de 1955
até 26 de outubro de 1957
Prêmier Nikolai Bulganin
Antecessor Nikolai Bulganin
Sucessor Rodion Malinovski
Membro do 20º Politburo
Período 29 de junho de 1957
até 29 de outubro de 1957
Dados pessoais
Nome completo Gueorgui Konstantínovich Júkov
Nascimento 1 de dezembro de 1896
Júkov, Império Russo
Morte 18 de junho de 1974 (77 anos)
Moscou, União Soviética
Alma mater Academia Militar M. V. Frunze
Cônjuge Alexandra Dievna Júkova (1922–1953)
Galina Alexandrovna Semyonova (1965–1974)
Filhos Era Júkova
Margarita Júkova
Ella Júkova
Maria Júkova
Partido Partido Comunista da União Soviética
Profissão Militar
Assinatura Assinatura de Gueorgui Júkov
Serviço militar
Lealdade  Império Russo
 União Soviética
Serviço/ramo Russian coa 1825.pngExército Imperial Russo
Red Army flag.svgExército Vermelho
Anos de serviço 1915–1957
Graduação Ussr-army-1943-marshal soviet union-horizontal.PNG Marechal da União Soviética
Conflitos Primeira Guerra Mundial
Guerra Civil Russa
Guerra de fronteira soviética-nipônica
Segunda Guerra Mundial
Condecorações Herói da União Soviética (4)
Ordem de Lenin (6)
Ordem da Vitória (2)
Ordem do Estandarte Vermelho (3)
Ordem Virtuti Militari
Legião do Mérito
Ordem do Banho
Legião de Honra
Croix de guerre
Disambig grey.svg Nota: "Jukov" redireciona para este artigo. Para outros significados, veja Zhukov.

Gueorgui Konstantínovitch Júkov (em russo: Георгий Константинович Жуков, pronúncia russa: [ɡʲɪˈorgʲɪj kənstɐnˈtʲinəvʲɪtɕ ˈʐukəf]; Júkov, 1 de dezembro de 1896Moscou, 18 de junho de 1974), foi um destacado militar e político russo, e o oficial mais condecorado da história da União Soviética. Primeiro sargento do Exército Imperial Russo durante a Primeira Guerra Mundial, durante a Guerra Civil Russa tornou-se oficial do Exército Vermelho e membro do Partido Comunista. Durante o período entreguerras, Júkov cresceu firmemente nos quadros militares e comandou as forças soviéticas na batalha final de Halhin-Golie. Por seu papel na vitória contra o Japão, em janeiro de 1941 Josef Stalin o nomeou Chefe do Estado-Maior General, já durante a Segunda Guerra Mundial.

As derrotas do verão de 1941, durante a invasão da URSS pela Alemanha Nazista, levaram Stalin a envia-lo às frentes mais sensíveis da guerra, na condição de representante da Stavka. Júkov assumiu então um papel-chave na Frente da Europa Oriental, coordenando as tropas de seu país em várias grandes operações militares, primeiro na defesa e em seguida na contra-ofensiva soviéticas. Em particular, Júkov desempenhou um papel importante no início do cerco a Leningrado, foi diretamente responsável pelo sucesso soviético na batalha de Moscou, preparou a contra-ofensiva em Stalingrado, coordenou a parte norte da batalha de Kursk, foi co-responsável pela recuperação da Ucrânia e controlou a metade sul da Operação Bagration. Nomeado comandante da principal frente soviética na guerra, Júkov liderou a ação decisiva da ofensiva no Vístula-Oder, e na sequência comandou as tropas soviéticas na conquista de Berlim. Diante dele, em 8 de maio de 1945 o Alto comando das Forças Armadas Alemãs assinou o instrumento de rendição de seu país, pondo fim à guerra na Europa.

Feito marechal da União Soviética em 1943 e gozando de imenso prestígio em seu país, Stalin, desconfiando de sua popularidade, demitiu-o de seus postos em 1946 e ostracizou-o. A morte de Stalin em 1953 permitiu a Júkov retornar à cena política, e ele ajudou a parar a tomada de poder de Lavrenti Beria. Júkov tornou-se então vice-ministro (1953-1955) e ministro da Defesa (1955-1957), e membro do Politburo (1957), apoiando Nikita Khrushchov durante a desestalinização. Este, contudo, igualmente temeroso de seu prestígio, afastou-o definitivamente de seus cargos em 1957.

Por vezes brutal na liderança de suas tropas, e por ter contribuído decisivamente para defender o regime soviético durante a guerra, G. K. Júkov é por vezes alcunhado o "General de Stalin" e a "Sombra de Stalin". Contudo, ainda em vida ele recebeu as mais altas honrarias da União Soviética e dos outros países Aliados, dentre as quais quatro medalhas de Herói da União Soviética, a insígnia de Chefe-Comandante da Legião do Mérito, a Grã-Cruz da Legião de Honra e a Grã-Cruz da Ordem do Banho. Além disso, seu papel na Segunda Guerra Mundial tem levado historiadores a descrevê-lo como o principal responsável na derrota da Alemanha nazista.

Índice

Família e primeiros anosEditar

OrigensEditar

Júkov nasceu no vilarejo rural de Strelkovka, no Império Russo, e que atualmente é parte da cidade de Júkov, no Distrito de Maloiaroslavetski do Oblast de Kaluga. Seu pai, Konstantin, nascera em 1841 e, órfão ainda na infância, fora criado por uma velha senhora, Anna Júkova. Anna morreu em 1849, obrigando Konstantin a trabalhar desde muito cedo. Ele empregou-se inicialmente em uma sapataria de um vilarejo vizinho, e aos onze anos partiu para Moscou para trabalhar em uma famosa fabrica de botas, Weiss.[1] Ele se casou pela primeira vez em 1870 com Anna Ivanova, de Strelkovka, e o casal teve dois filhos, Grigori e Vassili (este último morto antes dos dois anos). Anna Ivanova morreu de tuberculose em 1892, e no mesmo ano Konstantin desposou Ustienia Artémievna,[2] nascida em 26 de setembro de 1863 em uma aldeia próxima, Tchernaia Griaz. Filha mais velha de camponeses cuja situação beirava a servidão, seus pais inicialmente não possuíam sobrenome, mas na década de 1880 adotariam o nome Pilikhin. Em 1885 ela havia se casado com Faddei Stefanovitch, que quatro anos depois morrera também de tuberculose, deixando-lhe um filho pequeno, Ivan. Em 1886, ela havia dado à luz outro filho, Gueorgui, que morrera ainda bebê.[2]

Quando de seu casamento com Konstantin, em 1892, Ustienia tinha vinte e nove anos, e o noivo quarenta e um.[3] Konstantin trouxe ao par um pouco de renda, graças ao seu trabalho como sapateiro, e Ustienia possuía um pequeno lote de terra cultivável.[4] O casal adquiriu uma vaca e uma égua, que permite a Ustienia transportar mercadorias entre Maloiaroslavets e sua aldeia. O casal teve um primeiro filho em 20 de março de 1894, Maria, e dois anos depois nasceu Gueorgui, em 19 de novembro de 1896 de acordo com o calendário juliano, ou em 1 de dezembro[nota 1] de acordo com o calendário gregoriano.[2] O nome dado à criança possui uma dupla significância. De um lado, à época era costume dar o nome de um filho morto ao próximo filho nascido. De outro, no antigo calendário comemorava-se em 26 de novembro o dia de São Jorge, que aparece no brasão de armas da Rússia. O casal teve ainda um terceiro filho em 1901, Aleksei, que morreu aos dezoito meses,[3] provavelmente de desnutrição.[5] Enquanto Ustienia e as crianças permaneciam em Strelkovka, Konstantin trabalhava em Moscou.

Infância e juventudeEditar

O pequeno Gueorgui Júkov nasceu na mesma isbá que seu pai herdara de Anna Júkova. Em suas memórias ele descreveria essa habitação de um cômodo e duas janelas como "uma casa muito velha e com um canto afundado [na terra]. Com o tempo as paredes e o telhado tinham sido tomados pelo musgo e pelo mato".[6] No verão de 1901 o telhado dessa casa desabou, e a família foi forçada a vender sua vaca e a égua, a fim de construir uma nova casa. Esta casa foi feita às pressas, e apesar de nova era um reflexo da miséria da família: "Do lado de fora esta casa era a pior de todas [do vilarejo], a varanda era feita de madeiras velhas, as janelas feitas com vidros aos pedaços".[7]

Durante a infância o jovem Júkov gostava de caçar e pescar com as crianças da aldeia,[3] e, como os meninos de sua idade, ele também trabalhava no campo durante a época da colheita. Em 1903, ele foi aceito na escola paroquial de uma aldeia vizinha, para um curso de três anos que incluía instrução religiosa.[8] Ali, Júkov aprendeu a ler e a escrever, e rudimentos de matemática.[9] Mais importante, essa experiência lhe ensinou a importância da leitura e de emprenhar-se nos estudos, algo que lhe seria muito útil ao longo de sua carreira militar.[10]

 
Júkov no início da juventude (1915).

Segundo as memórias de Júkov, seu pai lhe disse que após os eventos de 1905 ele havia sido, como muitos outros trabalhadores, "demitido e expulso de Moscou por participar das manifestações", embora nunca tenha lhe contado esse episódio em detalhes.[1] De todo modo, segundo ele, em 1906 seu pai voltou em definitivo para a aldeia de Strelkovka, dizendo que não retornaria a Moscou "porque a polícia o havia proibido de estabelecer-se em outras cidades".[11] Investigações recentes, todavia, não encontraram registro dessa proibição na polícia ou nos arquivos do tribunal de Moscou, embora de fato Konstantin tenha vivido em Strelkovka o restante de sua vida.[12]

Quando Gueorgui tinha doze anos, sua mãe decidiu tirá-lo da escola e mandá-lo trabalhar com seu próprio irmão, Mikhail Pilikhin, que era peleteiro em Moscou e aceitara sobrinho como aprendiz. Assim, Júkov partiu para Moscou no outono de 1908, e lá permaneceu por quatro anos e meio. O trabalho era difícil e os aprendizes eram frequentemente agredidos pelos artesãos,[8] mas ele integrou-se bem à família de seu tio.[13] Com o tempo, Gueorgui tornou-se o aprendiz-chefe do curtume,[14] e faz amizade com seu primo Alexander, que tornou-se seu parceiro de leitura.[15]

Júkov tornou-se um peleiro profissional no final de 1912.[16][17] De 1912 a 1914 ele viveu com um salário confortável,[13] fez algumas aulas noturnas e depois as abandonou para desfrutar de passatempos como o cinema e o teatro.[18] Primeiro alojado na casa de seu tio, provavelmente desde o início de 1913 ele alugou um quarto na casa de uma viúva, no centro de Moscou.[13] Ali, ele conheceu Maria Malisheva, a filha da senhoria, e os dois só não se casaram porque eclodiu a Primeira Guerra Mundial, que reorientou Júkov para uma carreira militar.[18][16]

Início da carreira militarEditar

Primeira Guerra MundialEditar

  Eu prometo, e pela presente juro perante o Deus Todo-Poderoso e sobre seus Evangelhos Sagrados, servir sincera e fielmente Sua Majestade Imperial, o supremo autocrata, obedecê-lo em todas as coisas e defender sua dinastia, sem poupar o meu corpo, até a última gota do meu sangue.  

Juramento de lealdade do Exército Imperial Russo.[19]

Após a declaração de guerra do Império Alemão contra a Rússia, em 1 de agosto de 1914, o Czar não tardou a mobilizar suas tropas. Júkov não foi chamado inicialmente porque era demasiado jovem, mas no ano seguinte ele foi enfim recrutado pelo Exército Imperial Russo e incorporado ao quartel de Maloiaroslavets, em 7 de agosto de 1915.[20][21]

Como Júkov sabia montar, ele foi posto na cavalaria e recebeu um primeiro treinamento em Kaluga, na caserna do 189º Batalhão de Infantaria de Reserva.[22] Em setembro, após um mês de formação inicial, ele foi transferido para o 10º Regimento de Dragões de Novgorod,[23] que se encontrava estacionado perto de Carcóvia. O treinamento da cavalaria durou mais oito meses, e em março de 1916 os recrutas partiram para a frente da guerra, no contexto da preparação da ofensiva Brusilov. Júkov, contudo, foi selecionado para ser treinado como sub-oficial, e então enviado para Izium.[24] Após seu exame final ele foi feito segundo sub-oficial (posto muitas vezes traduzido como "segundo sargento") e enviado ao seu regimento, que lutava na frente sudoeste da guerra.[25]

 
A Primeira Guerra Mundial levou Júkov a ser conscrito pelo Exército Imperial Russo (c. 1915).

Sua unidade, o 10º Regimento de Cavalaria, era parte da 10ª Divisão de Cavalaria, ela mesma uma subdivisão do 3º Corpo de Cavalaria, que formava a ala esquerda do 9º Exército. Logo em seu desembarque em Kamianets-Podilski, em 15 agosto de 1916, o esquadrão de Júkov foi atacado por um avião austríaco, que deixou mortos e feridos.[26] O primeiro feito de armas de Júkov, em setembro, foi a captura de um oficial alemão próximo a Bistritsa (oeste da Bucovina), feito que lhe valeu sua primeira Cruz de São Jorge.[26] Em outubro de 1916, durante uma patrulha de reconhecimento, a explosão de uma mina terrestre deixou três feridos, incluindo Júkov, que entrou em coma. Ao recobrar a consciência no dia seguinte, ele foi evacuado para Carcóvia, onde permaneceu até dezembro. Ele recebe uma segunda Cruz de São Jorge por esse incidente, que lhe deixou ligeiramente surdo e sofrendo vertigens, e foi transferido para um esquadrão da reserva. Ao todo, ele passou apenas cinco semanas na frente da guerra.[27]

Em suas memórias, Júkov afirma que ele foi gradualmente influenciado pelas idéias revolucionárias que ganhavam força sob o impacto da guerra, sugerindo uma lenta conversão ao comunismo.[28] Quanto à Revolução Russa de 1917, ele registra três episódios principais. Segundo ele, em 8 de março de 1917, o primeiro dia da Revolução de Fevereiro, o seu esquadrão teria se amotinado, formado um comitê de soldados, e encarcerado seus oficiais, eventos esses que alguns autores julgam pouco verossímeis.[29] De todo modo, durante o mês de março Júkov foi eleito presidente do soviete de seu esquadrão, e indicado para representa-lo junto ao soviete do regimento.[30] Enfim, segundo ele, a sua participação na Revolução de Outubro consistiu no fato de que o esquadrão sob sua liderança "adotou a plataforma bolchevique e se recusou a se ucranizar",[31][23] obrigando-o a se esconder dos nacionalistas ucranianos que apoiavam Symon Petliura.[32] No contexto da desintegração do exército russo (iniciada em 10 de novembro) e da proclamação da independência da Ucrânia (20 de novembro), Júkov retornou a Moscou em 30 de novembro de 1917, mas, em vista da fome que assolava a capital russa, em janeiro de 1918 ele retornou à casa de seus pais em Strelkovka.[33]

Guerra Civil RussaEditar

  Eu, filho do povo trabalhador, cidadão da República Soviética, tomo o título de soldado do exército operário-camponês. [...] Eu me comprometo a agir ao primeiro chamado do governo dos camponeses e dos trabalhadores, para defender a república soviética contra todas as ameaças e ataques de seus inimigos, pela causa do socialismo e da irmandade das nações, e eu juro não poupar nessa luta nem minha força nem minha vida [...].  

Juramento de lealdade do Exército Vermelho, em 1918.[34]

Iniciada a Guerra Civil Russa, em janeiro de 1918 Júkov decide se juntar à Guarda Vermelha.[35] Mas no início de fevereiro ele cai gravemente doente, com tifo exantemático, e a partir de abril tem febre tifoide recorrente. Segundo ele, "então só pude cumprir o meu desejo de lutar nas fileiras do Exército Vermelho seis meses depois, quando, em agosto de 1918, me alistei como voluntário no 4º Regimento da 1ª Divisão de Cavalaria de Moscou".[35] Contudo, em sua autobiografia de 1938 ele escreve ter se alistado em 1 de outubro de 1918, e estudos recentes apontam essa data como mais provável.[36] Pela segunda vez, Júkov foi incorporado à cavalaria, prestando novo juramento.[34]

 
O jovem oficial Júkov, já parte do Exército Vermelho (c. 1920).

O 4ª Regimento da Divisão de Cavalaria de Moscou foi fundado em 10 de outubro de 1918, e assentado em um campo de manobra a noroeste da capital soviética. A unidade permaneceu lá por oito meses, sujeita à fome e à deserção, e sofrendo da faltas de equipamentos e de supervisão. Como as antigas fileiras do exército foram abolidas, Júkov era então um simples "soldado vermelho",[nota 2] mas depois de algumas semanas foi feito comandante de esquadrão.[nota 3][37]

Em 1º de março de 1919 Júkov foi aceito como membro do Partido Comunista da União Soviética,[23] o que lhe ajudaria em sua carreira militar. Em 17 de maio, sua divisão foi reagrupada e enviada para Ierchov, posta à disposição do comandante Mikhail Frunze para combater o Exército Branco do almirante Aleksandr Koltchak.[38] Seu regimento avançou primeiro para o Distrito Ostrovski, onde combateu até julho,[39] e depois foi enviado para o sul, para combater a ala direita das tropas do General Anton Ivanovich Denikin, comandadas por Piotr Wrangel, que em junho conquistara Tsaritsino.[40][41]

Em 12 de outubro de 1919 o 4º Regimento da Divisão de Cavalaria Moscou foi transferido para Vladimirovka, e em 26 de outubro ele enfrentou os cossacos e calmucos do 1º Regimento de Kuban do Exército Branco. Durante a batalha que se seguiu, uma granada explodiu sob o ventre do cavalo de Júkov, que teve sua perna e lado esquerdo feridos por estilhaços. Desmontado e isolado, ele foi salvo pelo comissário político Anton Ianin, que o levou de telega para Saratov. Júkov passou um mês no hospital dessa cidade,[38] e, mais uma vez afetado pelo tifo, convalesceu por um mês na casa de seus pais.[42][43] Em dezembro de 1919 ele foi selecionado pela célula comunista de sua divisão para realizar o treinamento de oficiais de cavalaria, e enviado para Starojilovo, perto de Riazan.[42]

 
Júkov e sua primeira esposa, Alexandra Dievna (década de 1920).

Em meados de julho os aspirantes foram agrupados com seus colegas das escolas de infantaria de Moscou e de Tver, para formar uma brigada mista destinada a combater. Em agosto de 1920 sua brigada foi enviada para Kuban com a missão de controlar a região, e Júkov serviu como adjunto de um comandante de companhia. Em suas memórias Júkov evoca operações contra as "gangues de Fostikov e Krijanovski" e também discussões políticas com os agricultores, um trabalho de propaganda que foi acompanhado do conserto de celeiros, cabanas e poços, e de outros trabalho de reabilitação executados pelos militares na região. Mas sua realidade foi provavelmente mais violenta, pois os cossacos de Kuban sofreram uma severa repressão anti-culaque por terem apoiado o Exército Branco: entre 300 e 500 mil cossacos foram executados ou deportados entre 1919 e 1921, de um total de aproximadamente 4,5 milhões.[41]

No final de 1920, por proposta do comandante Anton Ianin (o mesmo que lhe salvara a vida em Vladimirovka), Júkov foi nomeado comandante de um pelotão[nota 4] e depois líder de esquadrão[nota 5], no 1º Regimento de Cavalaria da 14ª Brigada, ligado à 14ª Divisão de Infantaria do 9º Exército em Iekaterinodar.[44] Em dezembro, o esquadrão de Júkov participou da caça ao Exército Verde de Ivan Kolesnikov, no sul de Voronej, onde Júkov conheceu Alexandra Dievna, uma professora nascida em 1900 e que ele recrutou como secretária do esquadrão.[44]

Em 26 de fevereiro de 1921 Kolesnikov junta-se aos irmãos Antonov, que lideravam a Revolta de Tambov. Júkov participou da luta contra os antonovistas e, ao redor da estação de trem de Jerdevska, em um único dia de batalha teve dois cavalos mortos em ação.[45] No dia 31 de agosto do mesmo ano ele recebeu a Ordem do Estandarte Vermelho pela primeira vez,[45] como recompensa "por ter bem conduzido seu esquadrão em 5 março de 1921, ainda que entre 1.500 e 2.000 sabres lhe tenham atacado".[46] Esses números, informados em seu histórico militar, são disputados por ao menos um historiador, segundo o qual a batalha da estação de Jerdevska foi de fato travada contra 500 antonovistas, que atacaram o 1º regimento vermelho matando 65 cavaleiros, incluindo 25 do esquadrão Júkov.[47] A unidade de Júkov ocupou a área até o verão de 1922, e as suas memórias não evocam as operações de deportação e de execução lá ocorridas.[48] Nesse mesmo ano ele desposou Alexandra Dievna,[49] que passa a maior parte do tempo com sua família em Voronej.[50]

Período entreguerrasEditar

Ascensão na carreiraEditar

 
Júkov aos 26 anos, em 1923. Comandante do 39º Regimento de Cavalaria de Buzuluk, parte da 7ª Divisão de Cavalaria de Samara, ele veste uma budiónovka adornada com a estrela vermelha.

A Guerra Civil chegou a termo em junho de 1922, e na sequência a maior parte do Exército Vermelho foi transferida para a fronteira ocidental da Rússia, junto aos Países Bálticos, a Polônia e a Romênia. Júkov comandou lá um esquadrão do 38º Regimento de Cavalaria (parte da 7ª Divisão de Cavalaria, chamada Samara), cujos alojamentos foram estabelecidos no campo de Vietka, na Bielorrússia.[23] No final do ano ele foi promovido a vice-comandante do 40º Regimento da mesma divisão e, em 8 de julho de 1923, comandante[nota 6] do 39º Regimento de Cavalaria de Buzuluk.[23]

No contexto da desmobilização do Exército Vermelho, que se seguiu à Guerra Civil, ele se encontrava entre aqueles que permaneceram no exército "porque, por seus gostos e habilidades, haviam decido consagrar-se ao serviço militar".[51] No verão de 1924, pelo bom desempenho de seu regimento Júkov foi notado por Mikhail Tukhachevski, que buscava reorganizar o Exército Vermelho.[52] Como resultado, ele foi selecionado para se juntar à Escola Secundária de Cavalaria de Leningrado, no outono de 1924.[53]

De volta à Bielorrússia, ele encontrou seu regimento renomeado 39º Regimento de Melekess-Pugatchevsk. Até então composto de quatro esquadrões, graças à reforma do exército em 1925 ele é aumentado para seis. Durante todo verão ocorreram manobras em grande escala para exercitar as tropas, e o regimento de Júkov foi inspecionado por Semion Budionni e por Aleksander Iegorov.[54]

No inverno de 1926 Júkov foi feito Comissário Político, cargo de confiança reservado para membros do Partido Comunista, sendo essa uma clara indicação de prestígio.[54] Ele foi transferido para Minsk, onde morou com seu amigo Anton Ianin, a esposa deste último, Polina, e a irmã desta, Maria Nikolaevna Volkhova, que ele havia conhecido no hospital em Saratov, e que se torna sua amante.[38][55] Em 1928, sua esposa Alexandra Dievna mudou-se para Minsk, prestes a dar à luz sua primeira filha, Era Júkova, que nasceu em 16 de dezembro. Alguns meses depois, em 6 de junho de 1929, Maria Nikolaevna deu à luz Margarita, que Júkov reconheceu como sua filha. Enciumada, Alexandra ameaçou desfigurar sua rival e denunciar seu marido ao partido local, e Júkov e Maria se separaram. Após a morte de sua irmã, Maria iniciou um relacionamento com seu cunhado Anton, e em seguida mudou-se com ele e Margarita para Mineralnie Vodi, aos pés do Cáucaso.[55]

No final de 1929, Júkov participou um curso avançado para comandantes realizado na Academia Militar de Frunze,[23][56] cujo objetivo era elevar o nível de educação dos líderes militares.[57] Nessa época, ele visitava frequentemente a biblioteca da Casa do Exército Vermelho, a fim de estudar os livros dos grandes estrategistas soviéticos: O Cérebro do Exército, de Borís Chápochnikov, a Estratégia, de Alexander Svechin, As Questões de Estratégia Moderna, de Mikhail Tukhachevski, além de obras de Aleksander Iegorov e outros.[58] Essas obras apresentam a Júkov as teorias da arte operativa e das operações em profundidade, e lhe mostraram a importância que o carro de combate começava a desempenhar nos teatros de guerra.[58]

 
A turma de 1925 da Escola Superior de Cavalaria incluiu Bagramian e Ieremenko (segunda fila), e Júkov e Rokossovski (terceira fila).

Após esse período, sua carreira conheceu grande avanço. Depois de voltar para Minsk em abril de 1930, ele foi promovido a comandante da 2ª Brigada de Cavalaria,[23] que inclui o 39º e o 40º regimentos e é parte da 7ª Divisão de Cavalaria, agora comandada por Konstantin Rokossovski. Depois, Júkov foi promovido a Inspetor da Cavalaria do Exército Vermelho,[23] dirigida por Semion Budionni.[59] Júkov voltou a Moscou em fevereiro de 1931, com Alexandra e Era, e sua nova função exige dirigir a instrução das tropas e rever os regulamentos de emprego de diferentes armas. Ele trabalha com Aleksandr Vassilevski e Ivan Tiulenev,[60] e, com Tukhachevski, participa do início do processo de motorização do Exército Vermelho (um regimento mecanizado é adicionado a cada divisão de cavalaria).[61]

Em março de 1933, Júkov foi nomeado comandante da 4ª Divisão de Cavalaria, que fora enviada para a Bielorrúsia.[23] Sua missão era atualizar a divisão, que carecia de treinamento. Após inspeções de Ieronim Uborevich, comandante do Distrito Militar, e de Budionni, no verão de 1935 a divisão foi rebatizada 4ª Divisão dos Cossacos do Don,[56] com o benefício de um uniforme de prestígio (calça e boné azul com faixa vermelha).[62]

No outono de 1935 ele participou de exercícios militares contra a 4ª Divisão de fuzileiros, comandada por Gueorgui Isserson.[63] Em setembro do ano seguinte, durante manobras na Bielorrússia, Kliment Vorochilov, Comissário do Povo para a Defesa, e Borís Chápochnikov, Chefe do Estado-Maior General do Exército Vermelho, assistem à rápida travessia do rio Berezina, por tanques BT modelo 5 da divisão de Júkov. Considerada parte da elite, Júkov e sua unidade são condecorados com a Ordem de Lênin[64][56] e são tema de um artigo no jornal do exército.[nota 7][65]

No outono de 1936, ele contraiu uma brucelose, cuja convalescença de oito meses o fez parar de fumar. G. K. Júkov retomou suas funções em maio de 1937, quando foi anunciada a reintegração de comissários políticos a todas as unidades.[66] Em 11 de junho, o Pravda e as rádios anunciaram que oito dos principais comandantes militares soviéticos, incluindo o marechal Tukhachevski e Ieronim Uborevich, foram julgados por "traição e espionagem" e condenados à morte. Eles são fuzilados no mesmo dia.[67] Este é o início do componente militar do Grande Expurgo, que "decapita" o Exército Vermelho:[68] em dois anos desaparecem três dos cinco marechais, quatorze dos dezesseis comandantes de exército, oito dos nove almirantes, dentre muitos outros oficiais.[69] No final de junho, Júkov foi convocado a Minsk, e se vê diante do novo comissário político do distrito, Filipp Golikov, que o interroga sobre seu relacionamento profissional e pessoal com condenados.[70] Devido à sua relativa desimportância, Júkov é inocentado, e acaba beneficiado pelo expurgo, que deixa muitos cargos vagos. Em 22 de julho de 1937, Gueorgui Kontantinovich foi promovido a comandante do 3º Corpo de Cavalaria,[71] e em 25 de fevereiro de 1938 transferido para o comando do 6º Corpo de Cavalaria Cazaque,[64] sendo essa uma promoção, visto que o 6º Corpo é considerado o melhor do Exército. Enfim, em 9 de junho de 1938 ele foi nomeado vice-comandante do Distrito Militar da Bielorússia,[72] em Smolensk, pouco antes da mobilização dos distritos de Kiev e da Bielorrússia em setembro, em resposta à Crise dos Sudetos.[73]

Batalha de Halhin-GolieEditar

 Ver artigo principal: Batalhas de Khalkhin Gol

Em maio de 1939, Júkov foi convocado a Moscou,[74] temeroso que chegara sua vez nos expurgos.[75] Para sua surpresa, no dia 2 de junho ele foi convocado pelo ministro Kliment Vorochilov,[76] que lhe mostrou um grande mapa, dizendo:

"as tropas japonesas invadiram o território da Mongólia, e o governo soviético, de acordo com o tratado de 12 de março de 1936, tem a obrigação de defende-la contra qualquer agressão externa. Aqui está o mapa das áreas de penetração e da situação em 30 de maio. [...] acho que este é o começo de uma séria aventura militar. Em todo caso, as coisas não vão ficar assim... Você pode tomar um avião imediatamente e, se necessário, assumir o comando das tropas?"[77]

 
Grigori Stern (à esquerda), Horloogiin Choibalsan (ao centro) e Júkov (à direita), em Halhin-Golie (1939).

Começavam assim as batalhas de Halhin-Golie, também conhecidas como Incidente de Nomonhan, apesar de, por sua extensão geográfica e empenho de recursos humanos, terem constituído uma verdadeira guerra[78] e o ponto culminante dos conflitos fronteiriços entre a União Soviética e o Japão.

De acordo com ordens assinadas por Vorochilov em 24 de maio, Júkov deve inspecionar o 57º Corpo Especial de Fuzileiros[nota 8] e reportar-se diretamente ao ministro.[79] Júkov foi escolhido por sua familiaridade com tropas mecanizadas, e porque sua ficha o apresentava como um líder particularmente rigoroso na disciplina.[80] Para sua missão, ele foi acompanhado (e supervisionado) pelo Comissário Político Grigori Kulik.[81]

Em 25 de maio, Júkov chegou a Tchita, na sede do Distrito Militar de Transbaikal, chefiado pelo Comandante Grigori Stern, e que graças à Ferrovia Transiberiana é um importante centro logístico de operações. Em 27 de maio, ele deslocou-se para Tamtsak-Bulak (a 120 km da fronteira sino-mongol), onde se juntou aos comandantes do 57º Corpo Especial de Fuzileiros, o Komdiv Nikolai Feklenko e o Comissário Ivan Nikichov.[82]

Em 28 de maio de 1939 Júkov chegou à linha de frente do confronto, e lá assistiu o conflito que corria ao lado do rio Halhin-Golie,[nota 9] ao longo da fronteira oriental da República Popular da Mongólia (aliada dos soviéticos) com Manchukuo (controlado pelos japoneses). Descontente com o que viu, em 30 de maio e 3 de junho Júkov enviou dois relatórios a Vorochilov, criticando o comando local. Um terceiro relatório, enviado por Iakov Chmuchkevitch, que comandava a aviação, também é crítico em relação a Feklenko. Como resultado, Josef Stalin aprovou a demissão deste último em 12 junho de 1939, promovendo Júkov a chefe do 57º Corpo Especial de Fuzileiros.[83] Como primeiras medidas, ele transferiu seu posto de comando para Hamar-Daban[nota 10] e lançou operações de inteligência (captação de fotos aéreas, reconhecimento do terreno e interrogatório de prisioneiros).[84]

Em 2 de julho, as forças do Império do Japão cruzaram o rio, e dois contra-ataques mecanizados soviéticos foram necessários para detê-los.[85] Além disso, em de 13 de julho Kulik foi substituído por Lev Mékhlis, um dos organizadores dos expurgos e membro do Comitê Central do Partido.[86] Ciente de que estava sendo observado, Júkov ordenou a execução de soldados de suas tropas que se haviam auto-mutilado para escapar ao confronto.[87]

Em 19 de julho, o 57º Corpo se tornou o principal destacamento do Exército Vermelho, depois de receber reforços significativos: as 57ª e 82ª Divisões de Fuzileiros, a 6ª Brigada Blindada, uma divisão mongol de cavalaria, a 212ª Brigada Aerotransportada, um grupo de artilharia pesada e mais aeronaves.[88] Suas tropas também são reabastecidas, apesar da distância de 700 km que separavam o confronto do terminal ferroviário de Ulã Bator, na Transmongol.[89]

A partir das 6h15min de 20 de agosto, Júkov lançou o ataque da última batalha de Halhin-Gol,[90]. Depois de um intenso bombardeio e de confundir as tropas japonesas com medidas de desinformação, Júkov liderou um ataque frontal com duas divisões de infantaria, enquanto suas brigadas motorizadas atacavam a retaguarda do inimigo.[91] As tropas soviéticas contavam com cerca de 500 tanques BT modelos 5 e 7,[92] apoiadas por cerca de 500 bombardeiros e caças,[93] nessa que foi a primeira operação caça-bombardeiro da nascente Força Aérea soviética.[94] Os dois grupos mecanizados se reagrupam em 23 de agosto, cercando as duas divisões do 6º exército japonês e capturando seus depósitos de abastecimento, em uma operação que replicou a estratégia do general Aníbal dois mil anos antes, durante a Batalha de Canas.[95] Em 31 de agosto, os últimos bolsões nipônicos foram liquidados,[96][94] e o restante das tropas bateu em retirada, abandonando cerca de 3.000 homens, quase todos feridos, e a maior parte de seus equipamentos.[97]

Esta foi a primeira derrota japonesa para uma força-armada moderna,[78] e por alguns considerada humilhante.[56] Do lado soviético, a vitória decisiva foi interpretada como uma vingança pela derrota russa de 1905, e permitiu pôr fim ao ímpeto expansionista japonês sobre o seu território.[98][91] Júkov, o primeiro comandante soviético vitorioso contra uma potência estrangeira, em 31 de julho foi promovido a Komkor[nota 11][99] e na sequência, em 29 de agosto de 1939, recebeu pela primeira vez a medalha de Herói da União Soviética.[100][101]

Halhin-Golie permitiu a Júkov testar técnicas de batalha que se popularizariam nos anos seguintes,[102] e maneiras de melhorar a coesão das tropas,[103], conjugando infantaria, artilharia, blindados e aviação.[104] Além disso, ela permitiu a Júkov propor melhorias que depois seriam consolidadas no modelo T-34.[101] Veteranos dessa batalha foram transferidos para unidades inexperientes, como forma de difundir as experiências adquiridas.[102] Por esses motivos, mais tarde Júkov consideraria essa experiência inestimável para o posterior esforço contra os alemães.[105]

Às vésperas de BarbarossaEditar

Após o armistício de 15 de setembro de 1939 entre o Japão e a URSS, Gueorgui Konstantínovich se estabeleceu em Ulã Bator, aguardando o fim das negociações. Sem muitos compromissos de trabalho, ele faz vir sua família, e participou de caçadas com Horloogiin Choibalsan, o primeiro secretário do Partido Revolucionário do Povo Mongol.[106]

Retornando a Moscou, em 2 de junho de 1940 Júkov conheceu pessoalmente Josef Stalin, que lhe convocou para discutir a batalha de Halhin-Golie,[99][107][108] e nos dias 3 e 13 de junho assistiu às reuniões do Politburo.

 
O Comissário de Defesa Semion Timoshenko (à esquerda, com uniforme de Marechal) e seu Chefe de Estado-Maior, General Júkov (1940).

Algumas semanas depois, Júkov foi um dos três primeiros promovido ao recém-criado posto de General do Exército,[nota 12][109] e nomeado chefe do Distrito Militar Especial de Kiev, o principal comando ao longo da fronteira ocidental russa.[72] Uma vez na Ucrânia, ele buscou melhorar a disciplina, o treinamento e a supervisão de suas tropas, e a partir de 28 de junho foi chamado a envolver suas tropas contra o Reino da Romênia, durante a ocupação soviética da Bessarábia e da parte norte da Bucovina. Com os romenos tentando evacuar seus equipamento para além do rio Prut, Júkov tomou a iniciativa e decidiu-se por lançar paraquedistas sobre os entroncamentos ferroviários de Belgrado, Cahul e Izmail, efetivamente frustrando a fuga inimiga.[110] Por essa época, Júkov conheceu Nikita Khrushchov.[111]

Desde o verão de 1940, o pacto de não-agressão germano-soviético foi marcado por tensões diplomáticas. Além de atritos relacionados à Finlândia, a Alemanha Nazi colocara sob sua tutela a Hungria, a Eslováquia e a Romênia, e seu comportamento nos Balcãs era fonte de crescente preocupação. Embora os soviéticos não tivessem provas disso, Adolf Hitler havia encarregado o General Erich Marcks de elaborar planos tendo como objetivo tático a Linha A-A (o chamado Plano Marcks, um antecedente da Operação Barbarossa).[112]

Nesse contexto perturbador, em 23 de dezembro de 1940 os principais generais soviéticos e o Politburo se reuniram em Moscou para uma conferência militar. Júkov falou em 25 de dezembro, palestrando sobre "o caráter das operações ofensivas modernas", tema de um relatório que ele escreveu com Hovhannes Bagramian e Maksim Purkaiev.[113] A reunião terminou com duas simulações de ataque alemão à URSS. A primeira, de 2 a 6 de janeiro de 1941, teve Júkov à frente do time azul (os alemães) e Dmitri Pavlov comandando a equipe vermelha (os soviéticos), assistido em particular por Ivan Konev. A segunda aconteceu de 8 a 11 de janeiro, invertendo-se os papéis. Timoshenko, Budionni, Meretskov, Kulik, Golikov, Chápochnikov e Nikolai Vatutin foram os árbitros. Esses exercícios terminam no primeiro caso com a vantagem dos azuis, e no segundo caso com uma vitória mais clara dos vermelhos.[114] Para além de seus resultados, as análises desses exercícios fornecem aos líderes soviéticos informações valiosas: eles poderiam manter um grande número de unidades ao longo da fronteira (na Linha Molotov), sem perigo delas serem cercadas; o deslocamento e o posicionamento de tropas, de ambos os lados, levariam vários dias para serem completados; um ataque alemão se concentraria ao sul dos pântanos de Pinsk; e uma forte contra-ofensiva, partindo da Ucrânia ocidental em direção ao sul da Polônia, daria a vitória aos soviéticos.[115]

 
Júkov enquanto Chefe do Estado-Maior do Exército Vermelho (1941).

Em 13 de janeiro de 1941, Stalin nomeou Júkov Chefe do Estado-Maior General do Exército Vermelho,[116] apesar de sua falta de experiência nesse posto.[91] Em 1º de fevereiro ele tomou posse em Moscou, tornando-se membro do Comitê Central e o segundo homem do país em assuntos militares,[72] abaixo apenas do Comissário de Defesa Timoshenko. Durante cinco meses, ele e Júkov trabalharam na atualização do "plano de implantação estratégica" MP-41, prevendo a estratégia militar soviética até 1942. Apresentado em 11 de março de 1941, ele prevê a possibilidade de mobilização de até de 8,7 milhões de homens (300 divisões e, teoricamente, 33 corpos mecanizados) durante o período.[117]

A inteligência soviética vinha alertando para um ataque iminente da Alemanha, e, em 5 de maio de 1941, após um discurso belicista de Stalin, a dupla Júkov-Timoshenko propôs sem sucesso um ataque preventivo.[118] Depois, em 13 e 14 de junho ele e Timoshenko pediram a Stalin permissão para colocar em alerta as tropas ao longa da fronteira oeste, iniciando assim uma mobilização parcial, mas este se recusou, temendo provocar os alemães.[119][91] O estado de emergência foi finalmente autorizado na madrugada de 21 para 22 de junho, mas com instruções para que os militares não respondessem a eventuais provocações dos nazistas.[120]

Segunda Guerra MundialEditar

Início (1941)Editar

Júkov passou a noite de 21 a 22 de junho de 1941 no prédio do Comissariado da Defesa. No final da noite, ele chamou pelo rádio os três comandantes dos distritos militares de fronteira, e que comporiam o grosso das forças soviéticas naquilo que os Aliados viriam a chamar de Frente Oriental da Segunda Guerra Mundial, e que para os russos consistiu na Grande Guerra Patriótica.[nota 13] Júkov falou sucessivamente com Fiodor Kuznetsov (chefe do Distrito Especial do Báltico, que se torna no dia seguinte a Frente Noroeste), Dmitri Pavlov (chefe do Distrito Ocidental, em seguida a Frente Ocidental) e Mikhail Kirponos (chefe do Distrito Especial de Kiev, logo mais a Frente Sudoeste), anunciando-lhes o estado de emergência. Às 3h17min o almirante da Frota do Mar Negro reportou um grande número de aviões desconhecidos chegando por via marítima. Júkov, embora formalmente não tivesse autoridade para isso, deu-lhe permissão para abrir fogo. Às 3h30min foi a vez do Distrito Ocidental relatar um bombardeio aéreo, depois Kiev e finalmente o Báltico às 3h40min.[121] Às 4h, Timoshenko e Júkov ordenam que acordassem Stalin, e pediram por telefone permissão para revidar. Este último respondeu convocando os dois militares e o Politburo ao Kremlin. Uma reunião começou às 4h30, com Stalin bastante exaltado. Vatutin, então um dos adjuntos de Júkov, informou-os que após uma preparação de artilharia, as tropas alemãs atacavam. Às 5h o embaixador Friedrich von der Schulenburg entregou a Viatcheslav Molotov a declaração de guerra alemã.[122] Às 5h30min Stalin finalmente autorizou uma resposta limitada,[nota 14][123] mas sua demora em lançar um contra-ataque custou caro aos soviéticos.[91]

De volta ao Estado-Maior General por volta das 8h, Júkov não conseguiu contatar os diferentes comandos do exército: as linhas de comunicação haviam sido cortadas por meio de bombardeio e sabotagem, e as tropas pareciam incapazes de usar os códigos de rádio. De volta ao Kremlin às 9h, Júkov e Timoshenko propuseram uma mobilização geral das tropas e a formação da Stavka, o comando supremo das forças armadas em tempos de guerra. Stalin recusou ambas propostas,[124] mas no dia seguinte concordou com a formação da Stavka.[72]

 
Júkov em campanha (1941).

Às 13h, Stalin informou a Júkov que o Politburo decidira enviá-lo para a Frente Sudoeste como representante da Stavka, por considerar que os comandantes da linha de frente não tinham experiência e estavam desnorteados.[125] Simultaneamente, os marechais Chápochnikov e Kulik foram enviados à Frente Ocidental, e Vatutin substituiu Júkov na chefia do Estado-Maior General. No final da tarde Júkov chegou a Kiev, que acabara de ser bombardeada, e à noite ele e Nikita Khrushchov chegaram a Ternopil.[126]

Na manhã de 23 de junho Júkov não conseguiu contatar várias grandes unidades da frente de batalha. Apesar de tudo ele ordenou contra-ataques com os cinco corpos mecanizados que tinha à disposição,[127] incluindo o 9º Corpo do Major-General Rokossovski. Embora tenham atrasado os alemães, entre 26 e 30 de junho elas foram destroçadas pelo 1º Panzergruppe do General Paul von Kleist, durante a Batalha de Lutsk-Brody-Rovno. No dia 26 de junho Júkov, Timoshenko e Vatutin reuniram-se com Stalin, para cuidar da Frente Ocidental, cujo cerco parecia iminente nos bolsões de Białystok e Minsk.[128] Entre 27 e 28 de junho Júkov ordenou várias vezes, às tropas dessa frente, de contra-atacarem, mas sem qualquer resultado prático. No dia 29, a cúpula dos militares foi alvo da cólera de Stalin: Kuznetsov foi rebaixado, Meretskov preso, Pavlov e Vladimir Klimovskikh executados.[129] Por esses dias Alexandra Dievna e suas filhas foram evacuadas para Kuibishev, onde mais tarde se juntaram a elas a mãe de Júkov a uma de suas tias.[130]

Em 10 e 11 de julho, a Stavka e o Estado-Maior foram movidos para um abrigo antiaéreo. Júkov ordenou uma série de contra-ataques que beiravam o suicídio, nos quais os corpos mecanizados soviéticos foram aniquilados: em Lépiel de 6 a 11 de julho, contra o flanco do 3º Grupo Panzer do General Hermann Hoth; em Jlóbin no dia 13, contra o 2º Grupo Panzer do General Heinz Guderian; na Ucrânia entre 10 e 14 de julho, em uma operação em Novohrad-Volinski; perto de Pskov de 14 a 18 do mesmo mês, contra o LVI Corpo de Exército do General Erich von Manstein (Operação Soltsi-Dno).[131]

Em 10 de julho, Júkov convenceu Stalin a posicionar as tropas da reserva em duas linhas para proteger a capital, a primeira no Duina e no Dniepre (passando pela linha de Stalin, Polotsk, Vitebsk, Orsha, Mogilev e Mazir), e a segunda passando por Nével, Smolensk, Roslavl e Gomel.[132] Em 14 de julho, Stalin autorizou Júkov a formar uma "Frente da Reserva" com novos exércitos. No dia 16 de julho, Smolensk foi tomada pelos alemães, e Júkov foi confrontado por um Stalin furioso. De 21 a 26 de julho um contra-ataque planejado por Júkov foi lançado em torno de Smolensk, e enfim interrompeu a marcha do Grupo de Exércitos Centro.[133][134]

Ielnia e Leningrado (1941)Editar

 Ver artigo principal: Cerco a Leninegrado
 
Júkov fala aos membros do Politburo, em setembro de 1941.

Durante a reunião de 29 de julho de 1941 com Stalin, na presença de Mékhlis e Lavrenti Beria, Júkov expôs seus novos planos, que embora sólidos do ponto de vista militar, previam um alto custo político: abandonar Kiev aos alemães.[135][136] Enfurecido, Stalin acusou-o de "falar bobagem", e Júkov então apresentou sua demissão e pediu para ser enviado ao front.[137][138] Assim, em 30 de julho Chápochnikov assumiu o posto de Chefe do Estado-Maior, enquanto Júkov foi rebaixado a comandante de uma frente, embora mantendo seu lugar na Stavka.[139] Júkov deixou Moscou em 31 de julho, a fim de se juntar à equipe da Frente da Reserva, que se encontrava estacionada perto de Gjatsk. Júkov encontrou uma situação adversa, para além do conflito armado que se desenrolava. Seu politruk é Sergei Kruglov, um amigo próximo de Beria, e suas unidades, compostas de conscritos, não possuem oficiais qualificados ou armas e equipamentos decentes. Sua missão é retomar Ielnia, que está no centro de um bolsão alemão cercado por linhas soviéticas: seu antecessor não conseguira retomar a cidade, daí a sua substituição. No comando do 24º Exército, a 120 km de Gjatsk,[140] de 2 a 6 de agosto Júkov relançou-o em ataque contra o saliente. Inicialmente sem sucesso, ele persistiu, ameaçando executar os oficiais que não cumprissem suas missões.[141] Depois de uma pausa para reforçar suas provisões, o ataque recomeçou em 30 de agosto. Eventualmente as tropas de Júkov conquistaram uma importante vitória, e os alemães do 20º Corpo de Exército abandonaram Ielnia a partir de 2 setembro.[135][142]

 
Júkov em outubro de 1941, durante o cerco a Leningrado. Esta foto foi publicada no jornal Krasnaia Zvezda, por ordem direta de Stalin.

Essa vitória é amplamente utilizada pela propaganda, com o objetivo de levantar o moral das tropas e da população soviéticas.[143] Quatro unidades envolvidas no confronto mudam de nome: as 100ª, 127ª, 153ª e 161ª divisões de fuzileiros tornam-se respectivamente a 1ª, 2ª, 3ª e 4ª Divisão de Fuzileiros "da Guarda", as primeiras tropas de elite desse tipo.[144]

No início de setembro, Júkov foi chamado de volta ao Kremlin. De acordo com suas memórias, Stalin o recebeu na madrugada entre os dias 8 e 9, e lhe ordenou organizar a defesa de Leningrado a partir do dia 10.[72] No dia 12, Júkov partiu de avião e desembarcou próximo ao lago Ladoga, a nordeste da cidade.[145]

Vorochilov foi rebaixado por Stalin, enquanto Júkov tentava restaurar o moral de suas tropas. Agora cercado por alemães e finlandeses (Shlisselburg caíra no dia 8), ele destina ao combate todos homens que consegue engajar, apoiados pelos canhões da Frota do Báltico: tropas do NKVD e do Corpo de Fuzileiros Navais, marinheiros e milícias populares.[nota 15] Um terço das milícias são munidas de armas anti-tanque, as fábricas se esforçam para produzirem meio milhão de minas, a polícia militar caça os desertores, as famílias daqueles que se rendem são executadas.[146] Aos poucos, a linha de frente se estabiliza e começa o cerco a Leningrado, possivelmente o conflito urbano mais sangrento de toda a história. Embora os soviéticos tenham sofrido pesadas baixas sob as ordens de Júkov, o desempenho deste em Stalingrado tem sido louvado pela maioria dos analistas.[147] Além disso, sob seu comando, que duraria até 7 de outubro de 1941,[72] os soviéticos imobilizaram cerca de um terço das forças alemãs disponíveis na época.[91] Após vitórias consecutivas em Halhin-Golie, Ielnia e Leningrado, Júkov vê sua reputação crescer consideravelmente.[147]

Protegendo Moscou (1941)Editar

 Ver artigo principal: Batalha de Moscovo

Estabilizada momentaneamente a situação em Leningrado, em 5 de outubro de 1941 Stalin chamou Júkov de volta a Moscou. Desde 30 de setembro os alemães haviam retomado a ofensiva no centro da linha de frente, pressionando e cercando as unidades da Frente Ocidental (sob o comando de Ivan Konev), da Frente da Reserva (comandadas por Budionni), e da Frente de Briansk (lideradas por Ieremenko), a oeste de Viazma e em ambos os lados de Briansk. Júkov foi enviado para lá, e, na noite do dia 6, viajou de carro para se juntar ao Estado-Maior da Frente Ocidental, instalado perto de Gjatsk. No dia 7, sempre por estrada e viajando durante a noite, é a vez da Frente da Reserva em Obninsk, e depois de Budionni em Maloiaroslavets. Ele encontrou unidades sem liderança e agindo de maneira desordenada.[148] No dia 9 de outubro, Júkov foi novamente designado para o comando da Frente da Reserva.[72] As chuvas da rasputitsa[nota 16] tornam tudo lamacento, diminuindo consideravelmente a mobilidade. No dia 10, Júkov recebe também o comando da Frente Ocidental, e decide montar seu Estado-Maior perto de Moscou, abandonando seu plano para se deslocar para Arzamás. A Frente da Reserva foi absorvida pela Frente Ocidental no dia 12. Por essa época Júkov tomou como amante uma jovem cirurgiã assistente, a primeira tenente Lida Zakharova.[149]

Filme documentário soviético de 1942, mostrando Júkov na liderança da defesa de Moscou.

Júkov organiza a defesa de Moscou aplicando os mesmos métodos usados em Leningrado, no mês anterior. Tropas sobreviventes foram reforçadas pelas divisões de milícias populares (trabalhadores e estudantes), recrutas (nascidos em 1921, 1922 e 1923, mobilizados por antecipação[150] e enviados para o combate por vezes sem instruções ou uniforme), e dispostas em um arco, partindo de Kalinin, ao norte, até Kaluga, no sul, passando por Volokolamsk e Mojaisk, enquanto as forças alemãs ainda buscavam reduzir os bolsões de Viazma e Briansk. O Grupo de Exércitos Centro alemão, contudo, retomou a ofensiva no dia 12 de outubro. No dia 13, a 4ª Divisão Panzer do General Erich Hoepner tomou Kalinin, enquanto 2º Exército Blindado do General Guderian chegou a Kaluga. Naquela noite, o Teatro Bolshoi foi evacuado para Kuibishev (incluindo trajes, conjuntos e poltronas), e no dia 16 é a vez do governo, do Comintern e das embaixadas partirem, instalando-se 900 quilômetros mais a leste. Dirigentes moscovitas fogem, e a cidade assiste a saques maciços; cargas explosivas são colocadas no metrô e em pontes, estações ferroviárias e instalações elétricas e sanitárias.[151] No dia 19, o estado de sítio é proclamado na capital, e a ordem é restaurada.[152] Mojaisk (a 100 km de Moscou) caiu no dia 18, e no dia 22 foi a vez de Naro-Fominsk: o comandante local e seu politruk são fuzilados em frente às suas tropas, e Júkov ordena um contra-ataque, resultando em uma batalha de oito dias que bloqueia os alemães. A mesma coisa ocorreu em Volokolamsk no dia 23, onde Rokossovski escapou por pouco da execução, por ter recuado. No dia 28 de outubro os alemães chegaram a Tula, mas no dia 30 foram parados pela defesa soviética e pela lama, que os privava de combustível, munições e alimentos.

Em 1º de novembro Júkov foi novamente convocado por Stalin, que indagava se, por ocasião do 24º aniversário da Revolução de Outubro, seria possível organizar um desfile militar. Júkov respondeu afirmativamente, pois a frente de batalha encontrava-se estável e aguardava a chegada da neve. Em 7 de novembro, sob a neve, desfilaram vários regimentos na Praça Vermelha, diante de Budionni em seu cavalo e de Stalin, posicionado na tribuna do Mausoléu Lenin. A tropa desfila e parte para a frente de batalha.[153]

Júkov previu a retomada da ofensiva alemã uma vez que o solo estivesse congelado, incluindo um ataque particularmente duro na linha de Rjev-Volokolamsk-Istra, e especialmente dois ataques nos flancos, no norte, perto do canal Volga-Moscou (na fronteira com a Frente de Kalínin, comandada por Konev) e no sul, perto de Tula (junto à Frente Sudoeste, de Timoshenko). Embora Júkov tenha se queixado ao Comando Supremo da falta de coordenação com as frentes vizinhas, ele reforçou ambos os flancos, fazendo recuar seus 16º e 50º exércitos e concentrando atrás deles as suas principais unidades de cavalaria e blindados.[154]

Em 13 de novembro Júkov teve a certeza de um ataque alemão a partir do 15. Mas no dia 14 Stalin ordenou um ataque preventivo com unidades de cavalaria e blindados junto a Volokolamsk e Serpukhov, recusando os argumentos Júkov.[155] No dia 15, com temperaturas de -10 °C, o ataque do Grupo de Exércitos Centro alemão ocorreu como previsto, no norte e no centro, avançando no eixo Kalinin-Klin-Moscou e atingindo o 13º Exército perto de Volokolamsk. O contra-ataque da cavalaria soviética no dia 17 bloqueou os alemães por dois dias. Ainda no dia 17, Júkov recebeu ordens de destruir todos os edifícios numa faixa de 20 a 30 km de ambos os lados das estradas para Moscou, medida de defesa com graves consequências paras os civis.[156] Ao sul, no dia 18, Guderian recomeçou o avanço, contornando Tula por Stalinogorsk, em direção a Kashira. Gradualmente, Júkov recebeu reforços: algumas unidades siberianas (três divisões de infantaria e duas blindadas) e seis exércitos (em processo de treinamento). As comportas de uma barragem sobre o Istra foram abertas, inundando temporariamente o vale. No sul, o 2º Grupo Panzer de Guderian foi bloqueado permanentemente antes Kashira, pelo 1º Corpo de Cavalaria da Guarda liderado por Pável Belov, enquanto no norte o 3º Grupo Panzer, do General Georg-Hans Reinhardt, foi empurrado para Iakhroma pelo 1º Exército de Choque "Kuznetsov", em 1º de dezembro.

Em 29 de novembro Stalin concordou com a proposta de contra-ofensiva de Júkov, que ainda carecia ser planejada. A frente norte alemã se deteve em Krasnaia Poliana, a 20 km dos limites de Moscou, e um regimento alemão chegou até mesmo a Khimki, na parada final do bonde moscovita. O avanço alemão no norte também estacionou, Reinhart em Lobnia no dia 2 de dezembro, e Hoepner em 6 de dezembro. Júkov lançou os dez exércitos da Frente Ocidental em um contra-ataque, empurrando os alemães frontalmente. Os combates duram até 6 de janeiro de 1942, com uma temperatura variando entre -10 e -30 ° C. Com a neve profunda (até 80 cm) limitando o movimento, e o reabastecimento bloqueado nos caminhos de ferro, os objetivos são vilas e cidades que podem servir abrigo.[157] Em 13 de dezembro de 1941, o retrato de Júkov é estampado na primeira página do Pravda, que anuncia a derrota dos alemães em Moscou.[158] De fato, tendo perdido quase todos os seus veículos, por volta de 15 de dezembro as forças blindadas alemãs ameaçando Moscou estão em retirada, rumo às posições que ocupavam em outubro.[157]

Segundo Roberts, com a ação de Júkov na defesa de Moscou espalhou-se o mito de que "com Júkov no comando, a vitória é certa", e de que ele seria uma versão contemporânea de Alexander Suvorov e Mikhail Kutuzov, que haviam defendido a pátria contra Napoleão. Embora Júkov tivesse uma reputação de brutalidade e objetividade, ele era visto pelas tropas como alguém que fazia o que devia ser feito e que assegurava vitórias.[159]

Rjev (1942)Editar

 
Mapa das operações de dezembro de 1941 a fevereiro de 1942: a contra-ofensiva liderada por Júkov recuperou Moscou mas perdeu fôlego antes de chegar a Rjev e Viazma.

Em 7 de janeiro de 1942, uma reunião no Kremlin entre Júkov, Stalin e Aleksandr Vassilevski,[nota 17] define novos objetivos para os nove exércitos da Frente Ocidental: sua ala direita (1º de Choque, 20º e 16º exércitos) deve participar da destruição do saliente de Rjev; o centro (cinco exércitos) deve tomar Gjatsk, Iukhnov e Viazma; a ala esquerda (10º Exército e o 1º Corpo de Cavalaria comandado por Belov) deve fazer uma incursão na retaguarda alemã e juntar-se ao 11º Corpo de Cavalaria (em Kalinin), cercando o Grupo de Exércitos Centro nazista. Em 10 de janeiro, a Carta Diretriz da Stavka nº 3 "sobre as ações de grupos de choque e a organização de ofensivas de artilharia" ordena todas as frentes soviéticas a atacarem rumo ao oeste.[160] No mesmo dia, Júkov, instalado com sua equipe em Obninsk, reenviou ao ataque a sua Frente Ocidental e a Frente de Kalínin: elas avançaram por meio de assaltos frontais, mas não conseguiram tomar Rjev, Viazma e Iukhnov. Nos dias 3 e 4 de fevereiro, a situação mudou: o 9º Exército alemão cercou um exército da Frente de Kalínin; o 4º Exército alemão fez o mesmo com o 33º Exército soviético e o 1º Corpo de Cavalaria da Guarda.[161] Júkov tentou socorrer essas tropas, mas a Stavka lhe atribui objetivos nas regiões do Desna e do Dniepre, incluindo uma série de ataques frontais compostos por ondas de infantaria. Embora as tropas de Belov tenham escapado, os soldados da 33ª foram esmagados perto do rio Ugrá.[162]

Em meados de abril o derretimento da neve interrompeu a luta, que já vinha ocorrendo em um mar de lama. Quando o solo está mais seco, a Stavka ordena uma série de ofensivas. Na Ucrânia, a liderança das frentes Sul e Sudoeste (Timoshenko, com Bagramian como chefe de gabinete e Khrushchov como comissário político) lançou um ataque perto da Carcóvia, no dia 12 de maio. Apesar de um início promissor, no dia 15 a ofensiva foi detida por amplos bombardeios alemães, que na sequência contra-atacam durante a Segunda Batalha de Carcóvia. Esta, transformou-se em desastre para os soviéticos, que perderam 22 divisões.[163]

Em 28 de junho os alemães retomaram a iniciativa, e a metade sul de suas forças avançou em direção ao rio Don, Stalingrado e Baku. Para frear a metade norte das forças alemãs, a Stavka[nota 18] instrui outras frentes a atacar. Para a Frente Ocidental de Júkov, o alvo é primeiro Oriol, entre 5 e 14 de julho. O ataque falha, por falta de coordenação entre os ramos das forças armadas. O segundo ataque, parte da Operação Pogoreloé-Gorodishche, ocorre a partir de 4 agosto e é novamente direcionado a Rjev e à vizinha Sichiovka. Ele é complementado por um ataque mais a sul, objetivando retomar Gjatsk e Viazma, mas ambos fracassam.[165]

Stalingrado (1942)Editar

 Ver artigo principal: Batalha de Stalingrado

Em 27 de agosto de 1942, Stalin nomeou Júkov Vice-Comandante Supremo. Essa nova promoção é movida pelos fracassos da estratégia de Stalin, que previra um novo ataque a Moscou, quando de fato Júkov vinha lhe informando que o ataque ocorreria mais aos sul.[166]. Assim, Júkov se torna "o principal conselheiro e o homem de ação de Stalin".[167]

 
Mapa da Operação Urano: as forças comandadas por Júkov cercaram o 6º Exército alemão, os 3º e 4º Exércitos romenos, e parte do 4º Exército Panzer alemão.

Júkov recebeu assim a autoridade para articular as diferentes frentes da guerra,[168] incluindo a Frente de Stalingrado, que desde o mês anterior estava engajada na Batalha de Stalingrado.[167] Os alemães haviam capturado cerca de 90% da cidade,[91] e Stalin ordenou a Júkov organizar um ataque ao norte da cidade, entre o Don e o Volga, no intuito de quebrar o cerco. Em 3 de setembro, Júkov atacou com o 1º Exército da Guarda, mas o ataque resultou em uma derrota sangrenta. Stalin comandou um novo ataque, e o massacre se repete quase todos os dias de 4 a 12 de setembro, com o 1º Exército, logo apoiado pelos 24º e 66º exércitos, conseguindo ao menos interromper o avanço do XIV Corpo Panzer rumo ao norte de Stalingrado.[169]

No dia 12 de setembro, Júkov foi chamado de volta a Moscou. De acordo com as suas memórias, no dia seguinte ele e Vassilevski propuseram a Stalin a idéia de um grande cerco, no que viria a constituir a Operação Urano.[170][nota 19] A idéia consistia em reunir longe dos flancos inimigos as forças necessárias, e em seguida forçar o 6º Exército alemão, comandado por Friedrich Paulus, em uma luta urbana contra o 62º Exército soviético, comandado por Vassili Chuikov e que vinha sendo regularmente renovado. Assim, as forças posicionadas longe de Stalingrado poderiam atacar os flancos alemães, tirando vantagem da fraca preparação do exército germânico para o inverno russo e da fragilidade das tropas romenas que protegiam os flancos alemães, desprovidas do equipamento necessário para deter os blindados soviéticos.[173]

Para isso, seriam necessárias seis semanas de preparativos. Entre o final de setembro e o início de outubro foi criada uma nova Frente Sudoeste, que é confiada a Vatutin; a Frente de Stalingrado se torna a Frente do Don, chefiada por Rokossovski; a Frente do Sudeste se torna a nova Frente de Stalingrado, sob o comando de Ieremenko; e a integração entre o conjunto de operações soviéticas é amplamente reforçada. Em 6 de outubro, os três líderes da linha de frente são informados. Júkov examinou o terreno em torno Serafimovich, inspecionou as frentes do Sudoeste e do Don e repassou os planos de ataque com os comandantes locais, enquanto Vassilevski fazia o mesmo com a Frente de Stalingrado.[174] A operação foi adiada duas vezes por Júkov, e enfim lançada em 19 de novembro. As posições do 3º Exército romeno, comandado pelo General Petre Dumitrescu, foram descobertas imediatamente. A operação levou a uma decisiva vitória soviética, e no dia 23 os dois flancos da ofensiva se reencontram em Kalach-na-Donu, completando o cerco de 290.000 tropas alemãs.[91][175]

Operação Marte (1942)Editar

Na noite do dia 19 de novembro de 1942, Júkov deslocou-se para Torópets, no posto de comando da Frente de Kalínin, controlada por Purkaiev, e em seguida partiu para a Frente Ocidental, reunindo-se com Konev.[176] Ao mesmo tempo em que planejava a contra-ofensiva na região do Don, ele convencera Stalin a deixá-lo liderar uma grande ofensiva em Moscou, utilizando as tropas dessas duas frentes, que são as mais poderosas do Exército Vermelho. Vassilevski foi encarregado de executar a Operação Urano, que, avançando até Rostov-sobre-o-Don, daria lugar à Operação Saturno. Júkov reservou-se primeiro a execução da Operação Marte, que consistia em cercar o saliente de Rjev, e em seguida a execução da Operação Júpiter, que deve chegar a Smolensk. Quatro grandes operações são assim preparadas, cada uma prevendo um cerco.[177]

 
Centro de Stalingrado em fevereiro de 1943, pouco após sua liberação. A Batalha de Stalingrado foi o maior conflito da Segunda Guerra Mundial, e a cidade foi grandemente arrasada.

A chuva levou a um adiamento da Operação Marte, do 12 para 28 de outubro. Quatro exércitos (o 20º no leste, o 39º no norte e o 41º e o 22º exércitos no oeste) foram encarregados de furar a linha de defesa inimiga, seguidos por três corpos de blindados e um corpo de cavalaria. O efetivo soviético era três vezes maior do que o de seu alvo, o 9º Exército alemão do General Walter Model (15 divisões de infantaria, cinco divisões Panzer e uma de cavalaria) e três divisões de blindados do Grupo de Exércitos Centro. A terceira batalha por Rjev, apelidada "viagem de inverno" pelos alemães[178] e "moedor de carne de Rjev" pelos soviéticos, começou em 25 de novembro, sob a neve e a -10 °C. Os exércitos soviéticos avançam lentamente por quatro dias, e sua progressão foi interrompida pela chegada de reservas alemãs; os alemães contra-atacaram, isolando e em seguida destruindo dois corpos soviéticos. Confiante, Júkov persistiu, lançando outros três exércitos ao ataque, e depois um ataque geral. Apesar de submeter suas tropas a uma situação atroz,[179] o massacre durou até 20 de dezembro e não resultou em progresso. Enquanto Vassilevski obteve uma vitória pouco custosa em Stalingrado, as tropas de Júkov sofreram pesadas baixas, contabilizando cerca de 100.000 mortos, 230.000 feridos e doentes e 1.600 blindados destruídos.[177]

Júkov menciona esses combates em suas memórias, dedicando-lhes três páginas e meia (contra vinte páginas para a Operação Urano). Nelas, ele culpa Konev pela derrota e apresenta as batalhas como um elaborado ardil para impedir os alemães de fortalecerem sua posição em Stalingrado.[176] De fato, em 29 de dezembro de 1942 Júkov retornou a Moscou e foi recebido por Stalin, que não o censurou, convencido de que Marte havia servido a Urano ao imobilizar parte das forças alemãs. Nesse mesmo mês, ele estampa pela primeira vez a capa da revista Time, que anuncia:

"Os alemães estão perdendo a guerra na Rússia, o que significa que estão perdendo a Segunda Guerra Mundial. Nas planícies congeladas de Rjev, perto de Moscou, no Don e no corredor do Volga a Stalingrado, na neve e nos vales do Cáucaso, os russos estão na ofensiva. [...] Os poucos estrangeiros que puderam ver Júkov lembram-se de seu rosto de leão [...]. [Ele] denunciou, bem antes do Exército dos EUA fazer o mesmo, o peso das convenções e da rotina no Exército Vermelho".[180]

Ofensivas de inverno (1943)Editar

 Ver artigo principal: Terceira batalha de Carcóvia
 
Júkov na Frente de Briansk (1943).

Em 2 de janeiro de 1943, Júkov chegou ao comando da Frente de Voronej, comandada por seu adversário Golikov, para trabalhar na preparação da Ofensiva Ostrogojsk–Rossochansk.[181] O ataque começa no dia 12, fazendo recuar o 2º Exército húngaro e o Corpo Alpino italiano. Ele continua com a Operação Voronej-Kastornoie, que permite aos soviéticos retomar Kursk.

Em 10 de janeiro, Júkov se juntou a Kliment Vorochilov na supervisão da Operação Iskra. Júkov coordenou as ações das frentes de Leningrado e Volkhov, e, após uma intensa preparação de artilharia, no dia 12, a -23 °C, as duas frentes atacam o corredor de Shlisselburg por lados opostos. A junção das tropas das duas frentes ocorreu após cinco dias, mas os alemães se entrincheiram na altura de Siniávino. Júkov exerceu forte pressão sobre suas tropas, sobretudo sobre a liderança da 136ª Divisão, exigindo um ataque definitivo, mesmo que a um alto custo.[182] A vitória veio, e o cerco a Leningrado foi suspenso depois de 506 dias. Como recompensa, em 18 de janeiro Stalin elevou Júkov ao posto de Marechal da União Soviética, e um mês depois o condecorou com a Ordem de Suvorov.[166] Em ambos os casos, Júkov foi o primeiro a ser honrado desde o início da guerra.[183]

A fim de liberar completamente Leningrado, os soviéticos planejaram uma grande ofensiva mais ao sul, que tomaria a forma da Operação Estrela Polar, objetivando cercar todo o Grupo de Exércitos Norte alemão. Os plano previa primeiro que as frentes de Leningrado e Volkhov fariam um desvio em direção a Mga, e que parte da Frente do Noroeste atacaria o Bolsão de Demiansk, encurralando seis divisões alemãs. Em seguida, o 1º Exército de Choque abriria uma brecha, permitindo ao 1º Exército de Tanques (liderado por Mikhail Katukov) e ao 68º Exército (de Fiódor Tolbúkhin) penetrar e seguir até Narva e Pskov. Júkov foi encarregado de coordenar as diferentes equipes. O ataque começou em 10 de fevereiro, mas foi pouco efetivo, pois de um lado os alemães haviam evacuado o saliente de Demiansk quatro dias antes do ataque, e de outro o 68º Exército atolou na lama e não pôde ser utilizado. Stalin ordenou o fim da operação no dia 7 de março, enviando o 1º Exército de Tanques para outro lugar.[184]

Mais ao sul, desde 24 janeiro Vassilevski coordenou a ofensiva geral lançada do Donets ao Dniepre, liderada pelas frentes de Voronej (comandada por Golikov), Sudoeste (comandada por Vatutin) e Sul (comandada por Rodion Malinovski). Mas os alemães do Grupo de Exércitos Don (comandado pelo então Marechal-de-campo von Manstein) primeiro bateram em retirada e depois contra-atacaram, a partir de 19 de fevereiro, destroçando os corpos mecanizados soviéticos que se encontravam dispersados.[185]

Em 13 de março Stalin informou Júkov que o estava enviando para Carcóvia. Chegando no local, cruzando as tropas em retirada, o carro de Júkov foi alvejado. Isso lhe retira de cena, e Carcóvia e Belgorod são reocupadas pelos alemães em 18 de março. Na sequência, Júkov busca restaurar a ordem junto ao comando da Frente de Voronej, oprimido pela situação. Ele pede e recebe permissão de Moscou para substituir Golikov (substituído por Vatutin em 21 de março) e Vassilevski (substituído no dia 22), enfim restabelecendo o moral das tropas da região.[186]

Kursk (1943)Editar

 Ver artigo principal: Batalha de Kursk

A partir de informações provenientes do Diretorado Principal de Inteligência (GRU)[nota 20] e de Ultra, os soviéticos anteciparam um ataque iminente a ser lançado pelas unidades mecanizadas alemãs na região. Esse ataque, que consistiria na Operação Cidadela, avançaria em duas frentes pelos lados do saliente, na tentativa de cercar as forças soviéticas.[187]

Em 8 de abril, Júkov enviou a Stalin um relatório preliminar, dando sua opinião sobre a reação soviética a esse duplo cerco alemão:

"Para que o inimigo se desintegre em nossas defesas, além das medidas para fortalecer as defesas anti-tanque das frentes Central e Voronej, nós devemos nos retirar o mais rapidamente possível dos setores passivos e reforçar as reservas da Stavka, a fim de poder utilizar, nos eixos ameaçados, trinta regimentos anti-tanques, todos os regimentos de canhões autopropulsados e tantos aviões quanto possível. [...] Eu considero imprudente lançar um ataque preventivo nos próximos dias. Seria mais apropriado deixar o inimigo se esgotar em nossas defesas e destruir seus tanques, e, só então, depois de trazer novas reservas, passar para a ofensiva geral [...]".[188]

 
Com a Operação Cidadela, a Alemanha Nazista esperava cortar o saliente de Kursk e cercar as tropas soviéticas. A Batalha de Kursk, que se seguiu, foi a maior batalha de veículos blindados jamais ocorrida, e a com o maiores perdas aéreas em um só dia.

Júkov então elaborou um plano mais complexo, e, tendo convencido Vassilevski e Alexei Antónov, no dia 12 o trio apresentou a idéia a Stalin. Vatutin e Khrushchov defendiam um ataque preventivo soviético, mas Stalin por fim deixou-se convencer pelo plano de Júkov, que previa primeiro uma defesa ativa, e depois uma dupla contra-ofensiva: para Oriol, no norte (Operação Kutuzov), e para a Carcóvia, no sul (Operação Rumiantsev).[nota 21] Logo depois, Júkov foi enviado, com Sergei Chtemenko, ao Cáucaso, para expulsar os alemães da Península de Taman. No dia 14 desse mês ele se juntou a Rokossovski na Frente Central, na expectativa do ataque alemão previsto primeiro para o dia 15, depois para o dia 19, e que termina por não acontecer. Ciente do papel que a defesa desempenhará, Júkov cuida de inspecionar as posições soviéticas na região. Então ele então foi enviado para a Frente Ocidental, em 26 de maio, voltou a Moscou por cinco dias, até 5 de junho, e depois seguiu para as frentes Sudoeste e Sul. De 16 a 28 de junho ele participou de reuniões da Stavka, em Moscou, e no dia 30 se dirigiu para a Frente de Briansk. Em 4 de julho os alemães começaram a se mover, e Júkov retornou ao posto de comando da Frente Central, junto a Rokossovski.[189]

 
Júkov (à direita) teve papel decisivo na ação soviética na Batalha de Kursk. Na foto, ele e Ivan Konev (ao centro) se reúnem com oficiais na região (verão de 1943).

A ofensiva alemã começou no princípio da manhã do dia 5 de julho, e Júkov respondeu imediatamente com uma contra-preparação de artilharia e o envio de 600 aeronaves para abater as pistas da Luftwaffe. Ambas iniciativas falharam.[190] Para o norte do saliente, a Frente Central bloqueou em poucos dias o 9º Exército alemão (comandado por Model), que tocara apenas a primeira linha de defesa soviética. Ao sul do saliente, a Frente de Voronej (gerida por Vatutin, supervisionado por Vassilevski) teve dificuldade em parar o ataque do 4º Exército Panzer (liderado pelo General Hermann Hoth) e do Destacamento de Exército Kempf (chefiada pelo General Hubert Lanz), comandado por von Manstein, que quebrou a segunda linha de defesa e ameaçava a terceira. Na noite de 8 de julho, Júkov, Vassilevski e Stalin concordaram em realocar unidades da Frente da Estepe (confiada por Konev e mantida em reserva pela Stavka) a fim de desencadear uma contra-ofensiva no norte. No dia 9, Júkov dirigiu-se para a Frente de Briansk, que, juntamente com o 11º Exército da Guarda (comandado por Bagramian) da Frente Ocidental, executaria a parte mais dura do assalto planejado. Durante o ataque, Júkov dirigiu-se para linha de frente, a fim de observar as posições alemãs, quando foi alvejado por morteiros alemães. Uma das granadas explodiu a cerca de quatro metros dele, deixando-lhe permanente surdo de um ouvido e com dores crônicas em uma das pernas.[191]

A contra-ofensiva soviética começou no dia 12, com uma intensa concentração de artilharia que durou duas horas e meia. A infantaria então perfurou as defesas alemãs, outras tropas guardaram os flancos da brecha aberta, e os blindados avançaram. Oriol foi reconquistada no dia 5 de agosto, enquanto o 9º Exército alemão recuava a fim de restaurar uma linha de defesa perto de Briansk. Em 13 de julho, Júkov foi enviado por Stalin à Frente de Voronej, ao sul do saliente, para parar a ofensiva alemã vinda do sul, que perfurara a terceira linha de defesa. Nos dias 13 e 14 ele juntou-se a Vassilevski a ao comando do 5º Exército de Tanques da Guarda (comandado pelo Major-General Pável Rôtmistrov). Ele ordenou que o 69º Exército recuasse, evitando ser cercado, e a manobra foi executada em ordem, uma novidade para os soviéticos desde o início do conflito.[192]

No dia 17, os blindados alemães param e começam a retornar às suas posições iniciais,[193] enquanto Júkov organizava a planejada Operação Rumiantsev. O ataque frontal empenhou cinco exércitos provenientes das frentes de Voronej e da Estepe, que depois de uma poderosa concentração de artilharia atacaram sucessivamente de 3 a 8 de agosto, perfurando as defesas inimigas. Quatro corpos mecanizados atacaram em seguida, alargando a brecha; e enfim avançaram os tanques do 1º Exército (chefiado por Katukov) e 5º Exército de Tanques da Guarda (comandado por Rôtmistrov). Von Manstein contra-atacou com seus blindados, mas acabou por perder 75% deles para esses dois exércitos mecanizados soviéticos. Em 23 de agosto, Carcóvia foi retomada.[194]

Passando o Dniepre (1943)Editar

 Ver artigo principal: Batalha do Dniepre

A batalha de Kursk foi o momento decisivo da virada soviética na Guerra, pois desde então o Exército Vermelho controlou a iniciativa, isso é, passou ao ataque. De acordo com as memórias de Júkov, ele e Antónov acreditavam mais adequado atacar por meio de operações em profundidade (método mais rápido, mas mais arriscado), ao passo que Stalin cria ser mais apropriado concentrar os esforços em múltiplos ataques em uma frente ampla (método mais seguro, mas mais lento e caro em vidas humanas). Esse debate os ocupou em agosto de 1943, mas por fim Stalin impôs seu ponto de vista. Oito frentes foram mobilizadas: as de Kalinin e do Ocidente retomariam Smolensk (Operação Suvorov); as de Briansk, do Centro, de Voronej e da Estepe avançariam até Kiev e Tcherkássi; e as do Sudoeste e do Sul forçariam até Zaporíjia. Júkov coordenou as frentes de Voronej e da Estepe em uma operação visando conquistar Chernigov e Poltava, enquanto Vassilevski comandava outras duas frentes mais ao sul.[195]

 
Infantaria soviética marchando sobre Kiev, após a liberação da cidade (novembro de 1943).

Em 25 de agosto 1943 as frentes de Voronej (Vatutin) e da Estepe (Konev) lançaram seus quatorze exércitos em um assalto, empurrando frontalmente o 2º Exército alemão. Em 6 de setembro, Stalin e Júkov redirecionaram a frente de Voronej para Kiev, contrariando Rokossovski (Frente Centro), que vinha pelo sul[196] e queria para si o título de "libertador de Kiev".[197] Em 15 de setembro, Manstein foi finalmente autorizado por Hitler a recuar para detrás do Dniepre, evitando assim ser cercado pelo inimigo.[198] Essa manobra levou a uma perseguição dos alemães, que terminou com a destruição das seis pontes que cruzavam o Dniepre na região, em 29 de setembro.[nota 22][199]

Embora o Dniepre compusesse a Linha Panther-Wotan nessa região, os pontos em que o rio poderia ser cruzado haviam sido pouco fortificados pelos alemães. Assim, a Stavka ordenou que a partir do dia 21 a infantaria soviética cruzasse o rio em diversas alturas. O exército formou uma primeira cabeça de ponte em Bukrine (a 75 km ao sudeste de Kiev, perto de Kaniev), mas viu-se incapaz de avançar. Na noite de 24 para 25 de setembro, os soviéticos lançaram duas brigadas de paraquedistas), mas por falta de preparo (ausência de fotos aéreas durante a preparação, ordens recebidas pouco antes da decolagem, ausência de equipamento suficiente, dentre outros motivos) os paraquedistas se viram espalhados ao longo de 90 km, aterrissando próximos de tanques alemães, aquém das linhas soviéticas ou no rio. Durante um mês, fracassaram todos os ataques soviéticos desde essa cabeça de ponte. Desde 25 de setembro Júkov vinha alertando que se tentasse a travessia em outro lugar, mas Stalin ordenava sistematicamente a retomada do ataque.[200] Enfim em 23 de outubro, por sugestão de Antónov, Stalin concordou em transferir o ataque para Liutej, ao norte de Kiev. De 23 a 25 de outubro 3º Exército de Tanques da Guarda foi transferido de Bukrine, em segredo, sendo substituído por manequins e armas falsos, em um caso exemplar de emprego da maskirovka. Em 3 de novembro, começou o maior ataque de artilharia até então visto nesse teatro da guerra:[201] o 7º Corpo de Artilharia abriu fogo, e depois o 38º Exército abriu uma brecha nas fileiras alemães, pela qual no dia seguinte penetrou o 3º Exército de Tanques da Guarda, avançando mais de 60 km.[202] Kiev foi retomada em 6 de novembro, e na mesma noite Júkov, acompanhado de Nikita Khrushchov, entrou na cidade ovacionado pela população.[203]

Tcherkassi e o Dniestre (1944)Editar

 Ver artigo principal: Ofensiva Dniepre-Cárpatos

Júkov permaneceu em Moscou durante boa parte de setembro, planejando as próximas ofensivas soviéticas. Por volta do dia 10, Stalin o surpreendeu ao declarar acreditar que as tropas soviéticas haviam se tornado superiores às alemãs: "nossas tropas são mais experientes. Agora não só podemos, como devemos realizar operações para cercar as tropas alemãs".[204] Assim, Stalin autorizou Júkov a retomar o planejamento de operações em profundidade, proposto no mês anterior. Júkov preparou dois ataques para o inverno 1943-1944. A Primeira Frente Ucraniana tinha como objetivo Jitomir e Berditchiv, enquanto a Segunda Frente Ucraniana retomaria Kirovogrado. Os dois braços ao final se encontrariam perto de Uman, cercando o 8º Exército alemão.[205]

 
Júkov (à esquerda) e comandantes da Primeira Frente Ucraniana, durante a campanha na região do Dniestre (1944).

Em 23 de dezembro, Vatutin lançou sua frente ao ataque, seguido em 5 de janeiro de 1944 por Konev, ambos novamente sob a coordenação de Júkov. A onda de calor retardou os soviéticos, e embora Jitomir tenha sido retomada em 1º de janeiro e Kirovogrado no dia 8, o 8º Exército alemão, que recuava, conseguiu lançar contra-ofensivas que acabaram por parar o avanço soviético em ambos os lados.[206] Contudo, Hitler proibiu suas tropas de recuar, e os soviéticos viram a oportunidade de cerca-los e formar um bolsão alemão em torno de Kórsun-Shevtchênkivski. Em 9 de janeiro, Júkov propôs ao Estado-Maior que as tropas de Vatutin e Konev cercassem os alemães: o duplo avanço ocorreu entre 25 e 26 de janeiro, isolando cerca de 56.000 soldados alemães, um episódio que ficaria conhecido como o "caldeirão de Tcherkassi". Manstein respondeu engajando dois corpos de blindados, entre os dias 4 e 15 de fevereiro, mas que não conseguiram romper o cerco. Em 12 de fevereiro, as tropas cercadas nessa "pequena Stalingrado" conseguiram romper o cerco, o que resultou na ira de Stalin e no rebaixamento de Júkov. Stalin transferiu o comando da operação a Konev, e em 18 de fevereiro ele foi homenageado no comunicado de vitória publicado em toda a URSS.[207]

Em 29 de fevereiro de 1944, Vatutin foi ferido por partisans ucranianos, e veio a morrer duas semanas depois. Stalin nomeou Júkov seu substituto, em 2 de março, dando-lhe o comando da Primeira Frente Ucraniana. As frentes vizinhas (Rokossovski no norte e Konev no sul) não se encontravam mais sob seu comando.[208] Com os oito exércitos desta frente, Júkov conduz então a operação Proskurov-Chernovtsi, em que aplica plenamente a táticas de operações profundas: um exército de choque rompe as linhas inimigas em 4 de março, e Júkov introduz seu 4º Exército de Tanques e o 3º Exército de Tanques da Guarda a fim de explorar a brecha, surpreendendo Manstein e abortando seu contra-ataque com o 1º Exército de Tanques da Guarda. Assim as tropas de Júkov atravessam os rios Bug, Dniestre e Prut, chegam ao sopé dos Cárpatos, e, junto com as tropas de Konev, cercam o 1º Exército Panzer (comandado pelo General Hans-Valentin Hube) em Kamianets-Podilski. Manstein, pouco antes de ser demitido por Hitler, em 30 de março, ordenou a esse exército que escapasse, não para o sul, onde os tanques soviéticos o esperavam, mas para o oeste,[209] cortando o fornecimento Júkov entre 27 de março e 6 de abril). Apesar deste revés, em 22 de abril de 1944 Júkov foi condecorado com a primeira Ordem da Vitória.[210]

Operação Bagration (1944)Editar

 Ver artigo principal: Operação Bagration

Embora a paternidade das ofensivas do verão de 1944 seja tradicionalmente atribuída a Júkov,[211] ela também é reivindicada por outros membros do Estado-Maior General (ou seja, por Antónov e Chtemenko).[212] O planejamento ocorre a partir de 15 de abril de 1944, e é discutido durante sete reuniões chefiadas por Stalin, que envolvem Antónov, Chtemenko, Júkov e Vassilevski, dentre outros. Trata-se de uma série de operações, sobretudo na Bielorrússia (operação Bagration) e no sul da Polônia (Ofensiva Lviv-Sandomir e Ofensiva Kovel-Lublin). A Operação Bagration deve ser usada como isca, a fim de atrair as reservas mecanizadas alemãs.[213] Em 30 de maio, Stalin assinou diretrizes dando às frentes suas missões, meios e cronogramas. Em Bagration, quatro frentes soviéticas atacariam o Grupo de Exércitos Centro (do Marechal Ernst Busch) em um arco de 700 km: A Primeira Frente Báltica (comandada por Bagramian), a Terceira Frente Bielorrussa (comandada por Ivan Tcherniakhovski), a Segunda Frente Bielorrussa (liderada por Gueorgui Zakharov) e metade da Primeira Frente Bielorrussa (sob a chefia de Rokossovski). O Marechal Vassilevski coordenaria as duas frentes do norte, e o Marechal Júkov outras duas ao sul.[214]

 
Capa da edição de 31 de julho de 1944 da revista americana Life, exaltando o papel de Júkov na guerra.

De 5 a 23 de junho, Júkov visitou os estados-maiores das tropas sob sua responsabilidade, verificando se todos compreendiam seu papel, fazendo reconhecimento de campo, supervisionando a logística e ajudando com exercícios. A maskirovka mais uma vez desempenha seu papel, tentando fazer crer em um ataque mais ao sul, enquanto as unidades na Bielorrússia recolhem-se na defensiva.[215] O assalto soviético começou em 22 de junho. Em uma semana, foram destruídos três quartos do 3.º Grupo Panzer; o 4.º Exército foi quase completamente aniquilado entre Orcha e o rio Berezina, e depois no bolsão de Minsk; o 9º Exército foi batido nos bolsões de Bobruisk e Minsk.[216] Nesse episódio, os soviéticos fizeram 57.600 prisioneiros alemães, incluindo 19 generais, que foram exibidos no desfile dos prisioneiros de guerra alemães em Moscou de 17 de julho.[217] O reagrupamento do exército alemão se deu por trás do rio Neman, por fim esgotando a logística soviética.[218]

Em 8 de julho, Stalin confiou a Júkov a coordenação entre a Primeira Frente Bielorrussa e a Primeira Frente Ucraniana, encarregadas de avançar até Lublin e o Vístula, e no dia 9 reúne na datcha de Kuntsevo Júkov e os membros do futuro Comitê Polonês de Libertação Nacional.[219] No dia 11, Júkov se juntou a seu Estado-Maior em Lutsk, entre as duas frentes.[219] A Primeira Frente Ucraniana, comandada por Konev, atacou na Galícia, a partir de 13 de julho, mas as reservas do Grupo de Exércitos Norte da Ucrânia contra-atacaram efetivamente. [220] Mesmo assim, Lviv e Przemyśl foram conquistadas apenas em 27 de julho, e Sandomir em 18 de agosto.[221] A ala esquerda da Primeira Frente Bielorrussa também atacou em 18 de julho, e imediatamente perfurou as linhas inimigas, permitindo ao 2º Exército de Tanques da Guarda introduzir-se. Lublin foi conquistada em 25 de julho, o rio Bug foi atravessado, e duas cabeças de ponte instaladas na margem esquerda do Vístula. O 2º Exército de Tanques da Guarda avançou para o norte, ameaçando a retaguarda do 2º Exército alemão, mas, devido à uma falta de gasolina entre o 1º e 4 de agosto, acabou cercado a nordeste de Varsóvia e quase totalmente destruído por cinco Panzerdivisionen.[222] Por sua contribuição nas operações Bagration e Lviv-Sandomir, Júkov recebeu em 29 de julho sua segunda estrela de Herói da União Soviética.[223]

Reconvocado a Moscou no dia 23 de agosto, ele conheceu o búlgaro Georgi Dimitrov. Em 5 de setembro, a União Soviética declarou guerra à Bulgária, e no dia 8 Júkov foi enviado para perto da Terceira Frente Ucraniana, que se encontrava junto à fronteira romeno-búlgara. Na noite do dia 8 de agosto, um golpe de Estado derrubou o governo em Sófia. O novo governo assinou imediatamente um armistício com os soviéticos, e estabeleceu a República Popular da Bulgária. Em 12 de setembro, Júkov voltou a Moscou, antes de passar o mês de outubro na Polônia.[224]

Ofensiva no Vístula-Oder (1945)Editar

 Ver artigo principal: Ofensiva no Vistula–Oder

Em 1 de novembro de 1944, Júkov participou de reuniões do Estado-Maior General, a fim de discutir operações visando concluir a guerra: atacar nos Países Bálticos e na Hungria, a fim de comprometer o máximo de tropas alemãs, enquanto uma ofensiva decisiva se concentraria no eixo Varsóvia-Berlim. Em 29 de outubro, Stalin informou por telefone a Júkov e Vassilevski que as dez frentes soviéticas seriam geridas diretamente por ele, e que portanto a função de "representante da Stavka" não era mais necessária.[225] Stalin acreditava que os comandantes poderiam cooperar melhor dessa forma, e buscava se beneficiar pessoalmente do prestígio que traria a vitória final. Em 11 de novembro, ele nomeou Júkov responsável pela Primeira Frente Bielorrussa, em lugar de Rokossovski, que foi transferido para a Segunda Frente Bielorrussa. A Primeira Frente estando direcionada a Berlim, o marechal polaco devia dar lugar ao marechal russo. Isso acaba por terminar as boas relações entre os dois militares.[226]

Em 14 de novembro, Júkov chegou em Siedlce, a oeste de Brest-Litovsk, junto ao Estado-Maior da Primeira Frente Bielorrussa. Essa frente era o peso pesado do Exército Vermelho, e em janeiro de 1945 contava com cerca de um milhão de combatentes, agrupados em dez exércitos (dois de tanques), sete corpos blindados ou mecanizados, 63 divisões de infantaria independentes e um exército aéreo.[227] Sua missão era avançar sobre Łódź, Posnânia, Francoforte do Óder e Berlim.[228] Em seu flanco direito, a Segunda Frente Bielorrussa devia conquistar Danzigue, e a Pomerânia Oriental até Stetino. Em seu flanco esquerdo, a Primeira Frente Ucraniana movia-se no eixo Cracóvia - Breslávia - Dresden. Contudo, a ofensiva teve de esperar que a logística soviética fosse capaz de fornecer às suas unidades combustível, munição, equipamento, alimentos e vodka, o que implicava refazer ferrovias, estradas e pontes na Bielorrússia, destruídas pelos alemães em retirada, para então acumular estoques nas três cabeças de ponte a oeste do Vístula. Além disso, cabia treinar recrutas, preparar equipes e coletar inteligência, o que levou a atrasos adicionais.[229] Em 8 de dezembro de 1944, Stalin fez circular a todos os generais e marechais soviéticos uma diretiva do Comando Supremo, em que cancelava "as ordens [...] emitidas pelo vice-ministro da Defesa, camarada Júkov, para a validação do manual de DCA". Nessa instrução, Stalin ordena "ao marechal Júkov que não se permita qualquer precipitação quando tiver que tomar decisões sérias". Desde pelo menos o final de 1944, quando anunciara seus "dez golpes", Stalin vinha buscando apropriar-se do mérito pela melhoria da situação soviética na guerra, e a partir dessa época ele passou a montar um dossiê contra Júkov, temeroso de que este viesse a lhe lançar sombra e precisasse ser neutralizado.[230]

 
Tropas soviéticas entram na cidade de Łódź, guiadas por um canhão automotor ISU-152 (janeiro de 1945).

Os ataques por fim foram lançados em ondas: as tropas de Konev no dia 12 de janeiro, as de Júkov e de Rokossovski no dia 14 de manhã. A Primeira Frente Bielorrussa atacou com cinco exércitos: no oeste da Polônia, as duas primeiras linhas alemãs foram evisceradas pela preparação de artilharia soviética (meio milhão de obuses e foguetes de Katiusha sobre 16 km de largura e 7 km de profundidade, totalizando 5.540 toneladas entregues em 25 minutos). Júkov se encontrava junto ao comando do 5º Exército de Choque, em companhia do chefe do 2º Exército de Tanques da Guarda,[231] e decidiu que no dia seguinte lançaria os dois exércitos de blindados ao ataque. Um contra o ataque de duas divisões Panzer durante a tarde atrasou a estréia do 1º Exército de Tanques da Guarda, mas mais ao norte dois exércitos (incluindo o 1º Exército polonês) atacaram buscando avançar até Varsóvia. Na noite do dia 15, os dois exércitos de blindados atravessam as linhas inimigas, e as tropas buscaram ampliar a brecha para 100 km de largura, juntando-se a outras tropas vindas do sul e cercando duas divisões alemãs em retirada.[232]

No dia 16, Varsóvia, ameaçada de cerco, foi evacuado pelos alemães. Júkov às tropas que avançassem, e os soviéticos deixaram para trás muitos bolsões sob controle alemão. Eles liberaram Łódź, no dia 18; Posnânia, no dia 22; Bromberg, no dia 24 (dez dias antes do previsto); e o rio Oder foi atingido no dia 31, ao norte de Kostrzyn nad Odra.[233] As tropas de Júkov param antes de chegar a Berlim, que ficava a apenas 80 km de distância (uma viagem de uma hora pela Reichsstraße 1). As razões da paralisação soviética, que durou dois meses e meio, são objeto de algum debate entre historiadores.[234] Vários elementos explicam esta medida: primeiro, a 1ª Frente da Bielorrússia era ameaçada em seu flanco direito, pois a 2ª Frente da Bielorrússia (Rokossovski) havia sido parada antes de Elbing e Graudenz.[235] Para proteger-se contra uma contraofensiva vinda da Pomerânia, Júkov destacara quatro exércitos, que lhe faziam falta no Oder. Depois, a logística carecia de preparos, e caminhões com combustível e munição deviam percorrer de 500 a 600 km em terreno em degelo.[236] Finalmente, grande parte das forças soviéticas estava fora de controle, empenhando-se em pilhagens e estupros em massa desde sua entrada em território alemão: levou tempo para que Júkov e seus generais retomassem o controle sobre as tropas.[237]

Seelow (1945)Editar

 Ver artigo principal: Batalha de Seelow

Em fevereiro e março de 1945, os alemães lançaram ataques (cerca de quarenta) contra as cabeças de ponte de ambos os lados de Küstrin, a maioria da atividade da Luftwaffe concentrando-se em atacar caminhões e pontes ao leste do Oder (incluindo trinta missões suicidas).[238] Simultaneamente, desde 15 de fevereiro foi lançada na Pomerânia a Operação Solstício, uma contra-ofensiva que falhou dias depois.[239] Em 1 de março, Júkov lançou ao ataque suas tropas ao leste, introduzido em seguida, pela brecha de 200 km, duas unidades: o 2º Exército de Tanques da Guarda rumou para a Ilha Wolin e Estetino; e o 1º Exército de Tanques da Guarda dirigiu-se para o Báltico, perto de Colberga, para então seguir ao longo da costa para Gottenhafen e Danzigue. As cidades cercadas caem uma a uma: Schneidemühl em 14 de fevereiro, Colberga no dia 17, Posen no dia 23; Gottenhafen em 28 de março e Küstrin no dia 29; Glogau em 1 de abril e Estetino no dia 26.[240]

 
Artilharia soviética bombardeando posições alemãs durante a Batalha de Seelow (abril de 1945).

Em 30 de março, observando o progresso dos Aliados ocidentais no oeste, Júkov e Stalin discutiram o ataque a Berlim, definindo que ele ocorreria "em duas semanas, no mais tardar".[241] Durante a reunião de 1 de abril de 1945, com Júkov e Konev, Stalin traçou no mapa a fronteira entre as duas frentes até cerca de 100 km de Berlim, pondo assim os dois marechais em concorrência para tomar a capital alemã.[242] De acordo com Chtemenko, Stalin teria acrescentado: "O primeiro dos dois a passar [as defesas alemãs] tomará Berlim.[243] Esse episódio é a culminação de uma rivalidade que desde 1941 vinha sendo encorajada por Stalin,[244] e Júkov encontrava-se em desvantagem, carecendo reagrupar suas forças e supri-las, o que envolvia reconstruir ferrovias.

De 5 a 7 de abril, ele reuniu os líderes de suas tropas afim de planejar o ataque a Berlim, e o plano resultante previa um ataque frontal a partir da margem esquerda do Oder.[245] O ataque ocorreria à noite, duas horas antes do amanhecer, iluminado por 143 holofotes de uso anti-aéreo. Quatro exércitos se deslocariam para o norte de Berlim, junto ao rio Elba; o 2º Exército de Tanques da Guarda entraria na cidade pelos subúrbios do nordeste; dois exércitos (5º de Choque e 8º da Guarda) pelo leste de Berlim; o 1º Exército de Tanques da Guarda pelos subúrbios do sul; e dois exércitos (69º e 33º) avançariam para Zossen, apoiados por três exércitos da 1ª Frente Ucraniana (3º Exército da Guarda, e 3º e 4º Exércitos de Tanques da Guarda) e chegariam a Potsdam e Brandenburgo, no sudoeste.

Para chegar a Berlim, era preciso conquistar as colinas de Seelow no primeiro dia, os subúrbios berlinenses no quarto dia, cercar a cidade no sexto dia, e alcançar o Elba no dia décimo quinto dia, isso é, no Dia do Trabalhador.[246] O 9º Exército alemão os opunha, reconstruído com recursos da reserva (Volkssturm, cadetes de escolas militares, membros da Juventude Hitlerista, convalescentes da Reichsarbeitsdienst, dentre outros) e liderado pelo General Theodor Busse. A superioridade soviética era de seis para um, em carros; de sete para um, em infantaria; de dez para um, em aviação; e de onze para um, em artilheria.[247][248]

Um reconhecimento foi realizado em 14 e 15 de abril de 1945,[249] e, no dia 16 às 4h, Júkov lançou sua Primeira Frente Bielorussa ao ataque, precedida de uma enorme preparação de artilharia que durou 30 minutos (mais de 15.000 canhões, morteiros e foguetes, mas ineficazes porque as duas primeiras linhas alemãs haviam sido quase totalmente evacuadas durante a noite),[250] e levantou uma enorme poeira que dificultaria a visibilidade durante a operação. As tropas terminaram encalhadas em um vale pantanoso e coberto de minas terrestres, no sopé das colinas de Seelow, de onde a terceira linha alemã atirava com suas baterias anti-tanques. Por volta do meio-dia, Stalin anunciou a Júkov que Konev o havia ultrapassado no sul do rio Neisse.[248][251] Júkov decidiu então utilizar o 1º Exército de Tanques da Guarda, mas isso resultou em um enorme engarrafamento com as unidades do 8º Exército da Guarda.[252] O ataque consumiu grande número de obuses e as baixas foram pesadas,[242] mas apesar disso os soviéticos avançaram. À noite, Júkov contatou Stalin e este informou-o que ordenaria a Konev atacar Berlim pelo sul. O ataque de Júkov foi retomado em 17 de abril, às 6 da manhã, e Seelow foi tomada.[253] No dia 18, Konev atacou Berlim pelo sul, encontrando dificuldades. As tropas de Júkov rapidamente tomaram Münchberg e avançaram rumo a Berlim.[254]

A conquista de Berlim (1945)Editar

 Ver artigo principal: Batalha de Berlim
 
O Marechal Ivan Konev disputou com Júkov a distinção de conquistar Berlim.

Em 20 de abril de 1945, às 19h45min, o líder da Primeira Primeira Frente Ucraniana enviou uma ordem a seus dois exércitos de tanques (3º e 4º da Guarda), dizendo: "As tropas do Marechal Júkov chegaram a 10 km do leste de Berlim. Eu ordeno que vocês sejam os primeiros a entrar em Berlim, nesta noite. Mantenham-me informado da execução. [assinado] Konev, Krainiukov". Às 21h50min do mesmo dia, o líder da Primeira Frente Bielorrussa enviou um telex aos seus dois exércitos de tanques (1º e 2º da Guarda), comandando: "O Exército de Tanques recebeu a missão histórica de entrar primeiro em Berlim e içar a bandeira da vitória. Eu me responsabilizo pessoalmente pela execução e organização. Mande a melhor brigada de cada corpo [de exército] para Berlim, e atribua-lhes a missão de estar, a todo custo, às beiras de Berlim no dia 21 de abril às 4h da tarde. Aguardarei receber um relatório imediato, para poder anunciar o evento ao camarada Stalin e publicá-lo pela imprensa. [assinado] Júkov, Telegulin". Assim, embora nenhuma das ordens fosse viável naquela noite, a corrida pelo Reichstag estava lançada.[255]

A realidade do teatro de batalha, contudo, logo se impôs, e Júkov modificou seu plano: o 61º Exército protegeria o flanco direito, alinhando-se ao longo do canal ligando o Havel ao Oder; o 1º Exército polonês avançaria para Oranienburg; o 47º Exército evitaria Berlim e seguiria para Potsdam; o 2º Exército de Tanques da Guarda entraria na parte norte de Berlim, pelo distrito de Pankow; o 3º Exército de Choque entraria no nordeste por Weissensee; o 5º Exército de Choque invadiria o leste de Berlim, por Karlshorst e pela avenida Frankfurter Allee; o 1º Exército de Tanques da Guarda e o 8º Exército da Guarda desceriam pela Reichsstraße 1 e cruzariam o Spree e o Dahme, para então cercarem todo o sul de Berlim; os 3º, 69º e 33º exércitos participariam do cerco das tropas em fuga do 9º Exército alemão.[255]

Em 21 de abril, os exércitos de Júkov entram na Grande Berlin pelo norte e pelo nordeste;[256] e os de Konev fizeram o mesmo no sul, a partir do dia 22. Embora teoricamente a coordenação entre ambos fosse assegurada pela Stavka, na prática ambas as frentes combatiam independentemente. No dia 23, o 8º Exército da Guarda, comandado por Chuikov, penetrou pelos subúrbios orientais de Berlim, enquanto os tanques do 3º Exército da Guarda foi parado no Canal Teltow. No dia 24 esses dois exércitos reuniram-se perto de Berlim, no Aeroporto de Schönefeld,[257] e à noite Chuikov recebeu um telefonema de Júkov questionando-o sobre o avanço das tropas de Konev e ordenando-lhe que monitorasse o seu movimento. Na noite de 24 a 25, Stalin mudou o limite entre as frentes de Júkov e Konev, e a região do Reichstag passou a ser uma extensão do setor Konev.[258]

No dia 25 as tropas de Júkov buscaram organizar a conquista de Brandemburgo, mas Konev antecipou-se, lá chegando na manhã desse dia.[259] Ainda em 25 de abril, Júkov ordenou que o 8º Exército da Guarda e o 1º Exército de Tanques da Guarda atacassem pelo noroeste, através do distrito de Tempelhof-Schöneberg, cortando a rota de Konev. Na manhã do dia 26, Chuikov tomou a estação de Papestraße e o trecho mais à oeste do anel rodoviário que circunda Berlim.[260] No mesmo dia, o 9º Corpo Mecanizado (subordinado ao 3º Exército de Tanques da Guarda) de Konev foi submetido a bombardeio de aeronaves soviéticas que não conseguiam identifica-lo.[261] A noroeste, o 2º Exército de Tanques da Guarda chegou ao distrito de Siemensstadt, que ela levaria quatro dias para conquistar. Na tarde do dia 25, Júkov anunciou a Stalin que suas unidades haviam alcançdo a Alexanderplatz, no centro da cidade.[261] No dia 26 os homens de Chuikov chegam à fronteira com o Landwehrkanal, continuando pelo noroeste para a região em que combatia o 9º Corpo Mecanizado, no distrito de Schöneberg. Ali, o 8º Exército da Guarda foi vítima de fogo fratricida: no dia 28, no início da manhã, metade da preparação da artilharia do 3º Exército de Tanques caiu sobre os homens de Chuikov.[262]

 
A fotografia "A bandeira vermelha sobre o Reichstag". Tomada em 2 de maio de 1945, no telhado do Reichstag, ela se tornou símbolo do fim da Batalha de Berlim e da queda do Terceiro Reich.

No dia 28 de abril, às 20h45min, Konev contatou Júkov por telex, pedindo-lhe que desviasse a marcha de Chuikov; Júkov não respondeu, mas enviou um relatório para Stalin às 22h, reclamando do "ataque de Konev sobre as costas do 8º Exército da Guarda e do 1º Exército de Tanques da Guarda", que teria levado a uma grande desordem e afetado a capacidade de ataque de ambos. Júkov pediu então a Stalin que estabelecesse "um limite entre as tropas das duas frentes".[263] Às 21h20min do dia 28, a Stavka anunciou que a nova fronteira entre os dois passaria pela estação Tempelhof, pela praça Victoria-Louise, depois pelas estações Savignyplatz, Charlottenburg e Westkreuz, excluindo Konev do distrito de Tiergarten.[264]

Em 29 de abril a competição pela conquista do Reichstag começou a se definir a favor de Júkov, com o 3º Exército de Choque, que chegava do norte, e o 8º Exército da Guarda, que chegava do sul. O primeiro foi parado na ponte Moltke, e o segundo na sede da Gestapo, mas em 30 de abril, às 22h40, uma bandeira vermelha foi plantada no frontão do Reichstag, por homens da 150ª Divisão de Fuzileiros (do 39º Corpo do 3º Exército de Choque).[265] Imagens desse evento foram amplamente difundidas em todos o mundo, embora a batalha nos arredores do Reichstag tenha continuado até o dia 2 de maio às 13h.[266]

As capitulações alemãs (1945)Editar

 Ver artigo principal: Instrumento da rendição alemã

Em 30 de abril de 1945, por rádio, a Chancelaria do Reich pediu um cessar-fogo para negociar.[267] No dia 1 de maio, às 3h50min, o General Hans Krebs (Chefe de Gabinete do OKH, fluente em russo porque havia sido adido militar em Moscou entre 1936-1939) reuniu-se com o Estado-Maior do 8º Exército da Guarda, que recebera de Júkov autorização para negociar. Krebs anunciou-lhes a morte de Adolf Hitler no dia anterior, e propõe negociarem a paz. Júkov telefonou imediatamente Stalin, informando-o da situação. "É uma pena que não o pegamos vivo. Onde está o corpo dele?" Júkov informou-lhe que, de acordo com o general Krebs, o cadáver havia sido queimado em uma fogueira. "Diga a Sokolovski que não haverá negociações, salvo nos termos de uma rendição incondicional, seja com Krebs ou com qualquer outro membro do bando de Hitler". Krebs foi então escoltado de volta, e o combate reiniciou às 10h40min.[268] Na manhã do 2 de maio, o general Helmuth Weidling apresentou a Chuikov e Sokolovski a capitulação do que restara da guarnição de Berlim; o cessar-fogo foi marcado para as 13h, algumas horas depois. Na parte da tarde, Júkov foi à Chancelaria, onde a SMERSH lhe proíbe o acesso ao Führerbunker e ao jardim (eles encontraram os restos do cadáver de Hitler no dia 5, e secretamente os evacuaram).[269] Júkov assistiu ao interrogatório de Hans Fritzsche, contando os últimos dias de Hitler e do comando alemão. Em Moscou, 24 salvas foram atiradas por 324 canhões, em honra das duas frentes que tomaram a capital adversária.[270]

 
A assinatura do instrumento de rendição alemão, na sede soviética em Berlim (8 de maio de 1945).

Em 3 de maio, Júkov visitou as ruínas do Reichstag, gravando seu nome em uma das colunas (no meio de outras centenas).[271] Em 7 de maio, Stalin anunciou-lhe por telefone a rendição das forças armadas alemãs em Reims, no Quartel General Supremo das Forças Expedicionárias Aliadas, argumentando que era inválido: "O peso da guerra recaiu sobre os ombros do povo soviético [...]. A capitulação deve, portanto, ser assinada diante do comando de todos os países da coalizão anti-Hitler". O ditador disse que o documento de Reims podia ser aceito como um protocolo preliminar, e ordenou que o ato de rendição, dessa vez do Estado alemão, fosse assinado em Berlim.[272]

Em 8 de maio de 1945, no prédio que abrigava os oficiais da escola de Karlshorst e no qual se instalara a administração militar soviética, Júkov recebeu as delegações britânica, americana e francesa. Por volta da meia-noite, foi a vez da delegação alemã.[273] Wilhelm Keitel cumprimentou a todos com seu bastão de marechal, e dirigiu-se a Júkov, que abriu a sessão e perguntou a Keitel, em russo: "Você tem plenos poderes para assinar o ato de rendição em nome da Alemanha?".[273] Depois de obter uma resposta afirmativa, Júkov leu em voz alta o texto do ato, e passou-se para a sua assinatura em nove cópias (três em russo, três em inglês e três em alemão). A partir das 0h21min assinam o Marechal Keitel, o Almirante Hans-Georg von Friedeburg e o General Hans-Jürgen Stumpff (para a Alemanha), e, abaixo, o Marechal Júkov (para a URSS) e o Marechal-do-Ar Arthur Tedder (para os Aliados Ocidentais). Um militar americano e um francês assinam como testemunhas.[273] Depois que os alemães partiram, Júkov e seus generais felicitaram-se alegremente; Júkov dirigiu-se aos seus compatriotas, evocando os mortos, e depois houve um grande banquete.[274]

Pós-guerraEditar

 
Os líderes militares Aliados na recém capturada Berlim, em frente ao Portão de Brandeburgo. À frente, da esquerda para a direita: Montgomery, Eisenhower, Júkov e De Lattre (5 de junho de 1945).

Júkov retornou a Moscou em 19 de maio de 1945, e foi convidado para jantar no Kremlin, com todos os outros marechais e líderes do partido. Stalin dedicou o primeiro brinde aos "grandes capitães da guerra", com Júkov na liderança.[275]

Em 31 de maio, Stalin nomeou Júkov representante da URSS para o Conselho de Controle Aliado, a instituição responsável pela administração das zonas ocupadas pelos Aliados na Alemanha.[98] Em 1º de junho, ele foi feito pela terceira vez Herói da União Soviética, pela captura da capital adversária. A primeira reunião do Conselho de Controle Aliado foi realizada em Berlim em 5 de junho, com Dwight Eisenhower, Bernard Montgomery e Jean de Lattre de Tassigny, os outros três comandantes em chefe dos exércitos da ocupação, episódio em que assinam uma declaração conjunta.[276]

 
Júkov e Montgomery, durante a entrega da faixa de Grã-Cruz da Ordem do Banho (12 de julho de 1945). Júkov recebeu numerosas honrarias estrangeiras por seu papel na guerra.

Em 7 de junho, Harry Hopkins, assessor diplomático dos presidentes americanos Roosevelt e Truman, esteve em Berlim e reuni-se com Júkov. Ele lhe anunciou a realização próxima de uma conferência aliada na capital ocupada, que de fato ocorreu em Potsdam por recomendação de Júkov, mas sem a sua presença.[276] Mais tarde no dia 7, Júkov deu uma entrevista coletiva internacional em sua residência, à beira do Wannsee. O correspondente do The Sunday Times perguntou-lhe o que achava da declaração alemã de que ele aprendera a arte militar da Wehrmacht, ao que Júkov respondeu: "Deixe os alemães dizerem o que querem. [...] sempre considerei, e ainda considero, que nossa arte operativa é superior à arte militar alemã. Esta guerra acaba de prová-lo incontestavelmente".[277] Em 10 de junho, Júkov foi recebido na sede americana em Frankfurt, iniciando uma amizade com Eisenhower que se estenderia por muitos anos[278][279][nota 23]. Este, celebrou-o durante o brinde: "A nenhum homem as Nações Unidas devem mais do que ao marechal Júkov".[282][nota 24]

ApoteoseEditar

 
Júkov foi o principal honrado no desfile da vitória de 24 de junho de 1945, em Moscou.

Júkov foi convocado por Stalin em 18 ou 19 de junho, e este lhe anunciou que o havia escolhido para inspecionar a grande parada militar que estava sendo preparada em Moscou,[283] e portanto como o principal homenageado do evento.

Em 24 de junho de 1945, precisamente às 10h, sob a garoa, Júkov saiu a cavalo do portão da Torre de Spasskaia, no Kremlin, seguido pelo major-general Piotr Zelenski, e então atravessou metade da Praça Vermelha a galope, enquanto 1.400 músicos tocavam Seja Glorificado de Mikhail Glinka.[284][285] Ao pé do Mausoléu de Lenin, o marechal Rokossovski e o tenente-coronel Klikov, em dois cavalos negros, o saudaram. O quarteto então revisou os destacamentos militares, que por sua vez também lhes saudaram. Júkov então desmontou, foi até a plataforma, e fez seu discurso, que terminou dizendo:

"Se nós vencemos, é porque fomos guiados pelo nosso grande vojd, pelo nosso incrível capitão, o marechal da União Soviética Stalin! Glória ao nosso povo soviético, ao povo libertador! Glória ao inspirador e organizador da nossa vitória, ao grande Partido de Lenin e Stalin! Glória ao nosso vojd, ao sábio capitão, marechal da União Soviética, o grande Stalin! Hurra!".[286]

Mais tarde autores descreveriam esse episódio como o principal momento de glória da carreira de Júkov.[285][287] Em 2 de agosto, o embaixador norte-americano apresentou a Júkov um convite de Truman para visitá-lo nos Estados Unidos. De 11 a 17 de agosto, Eisenhower visitou Moscou e Leningrado, encontrando-se com Stalin, e, devido à sua boa relação com Júkov, este foi encarregado de acompanhá-lo em todos os lugares. Dias depois de retornar ao seu país, Eisenhower escreveu a Júkov reiterando o convite para visitar os Estados Unidos,[288] mas em outubro recebeu uma amável recusa. Júkov alegou motivos de saúde e excesso de trabalho, mas suas razões eram de fato políticas, motivadas pelo gradual desgaste das relações entre a URSS e os EUA.[289]

MarginalizaçãoEditar

No final do outono de 1945, Josef Stalin levou a cabo uma espécie de "expurgo suave", mirando seus colaboradores que haviam conquistado muito poder e prestígio. A popularidade de Júkov, em particular, se aproximava da de Stalin.[290] O primeiro a pagar o preço foi Viatcheslav Molotov, que fez sua autocrítica no início de dezembro de 1945. Então foi a vez de Lavrenti Beria, que perdeu sua posição de Ministro do Interior em 29 de dezembro de 1945. Contra Gueorgui Malenkov e Gueorgi Júkov, Stalin confiou à MGB (que mais tarde daria lugar à KGB), a tarefa de estabelecer uma acusação. O Marechal-do-ar Sergei Khudiakov foi preso em 14 de dezembro de 1945 e, sob tortura, confessou ser um espião britânico e denunciou como seus supostos cúmplices Alexander Repine e o Alexei Shakhurin. Os dois últimos, presos em 8 de abril de 1946, denunciaram o Marechal-comandante Alexander Nóvikov, chefe da aviação soviética. Novikov foi preso em 23 de abril, e, torturado e ameaçado, denunciou 74 pessoas, dentre as quais Malenkov e Júkov. Malenkov perdeu o Secretariado do Comitê Central do Partido, em 4 de maio de 1946, enquanto Júkov foi chamado de volta a Moscou no início de março 1946, para assumir o cargo de Comandante-em-Chefe das Forças terrestres soviéticas.[291]

Em 1 de junho de 1946, no início de uma reunião do Conselho Superior Militar, Stalin ordenou que Sergei Chtemenko (então vice-chefe do Estado-Maior General) lesse diante dos membros do Politburo a confissão do marechal Novikov, denunciando o comportamento de Júkov e sua auto-glorificação (atribuindo-se quase todas as vitórias na guerra). Stalin então pede que ele se justificasse, e anunciou sua desgraça. A diretriz de 9 de junho de 1946, assinada por todos os presentes no Conselho Superior, menospreza o papel de Júkov em todas as batalhas da guerra. Em 2 de junho de 1946, Júkov passou de Comandante das Forças Terrestres Soviéticas para o posto inferior de comandante do Distrito Militar de Odessa.[292][293]

OdessaEditar

Júkov assumiu seu novo posto em 13 de junho, e passou a inspecionar, fortalecer a disciplina e organizar manobras militares com fogo real. Na sequência, ele viajou a lazer com sua esposa Alexandra Dievna e as filhas, enquanto continuava seu relacionamento com sua amante Lida Zakharova.[294]

Em 1946, a cidade de Odessa, em ruínas e a população faminta, enfrentava uma onda sem precedentes de crime organizado, controlada principalmente por uma organização chamada Gato Negro[nota 25], que assumira controle dos armazéns e trens militares da região. A fim de subjugar essa milícia, Júkov montou uma operação de codinome Maskarad,[nota 26] na qual pequenos grupos de militares, disfarçados de civis, foram espalhadas por toda a cidade para derrubar imediatamente os criminosos. Em poucos meses, o crime no distrito de Odessa cai 74%, segundo um relatório enviado para Stalin.[295]

Em paralelo, Júkov continuava na mira de Stalin. Em 23 de Agosto de 1946, Nikolai Bulganin, o Ministro-Adjunto da Defesa, informou Stalin que funcionários aduaneiros haviam apreendido sete carros carregados com 194 móveis pertencentes ao marechal, provenientes da Alemanha e rumo a Odessa.[294] Em 21 de julho de 1947, Júkov recebeu uma reprimenda pública por ter condecorado a cantora Lidia Ruslanova com a Ordem da Guerra Patriótica.[296]

Acusação de pilhagemEditar

No início de 1948, Stalin autorizou buscas na casa de Júkov e na sua datcha. Um relatório da MGB informou que foram apreendidos muitos artigos saqueados na Alemanha, e descreveu sua datcha como um museu: dezenas de relógios de ouro, pinturas, peças de pele, tapeçarias; centenas talheres de prata; lotes de tecidos de veludo e seda, armas e livros preciosos. Em 20 de janeiro de 1948, o Politburo emitiu uma resolução contra Júkov, acusando-o de ter cometido "erros que desonram o título de membro do Partido e comandante do Exército Soviético" e definindo-o como "um homem degradado do ponto de vista político e moral". O mesmo documento anunciou sua demissão do posto de comandante do Distrito Militar de Odessa, e que ele entregaria ao Estado todos os bens dos quais ele teria se apropriado ilegalmente.[297] Existe consenso, dentre os historiadores, de que as acusações contra Júkov foram motivadas por razões políticas.[91]

Em 4 de fevereiro de 1948 Júkov foi notificado de seu apontamento como chefe do pequeno Distrito Militar dos Urais, em Sverdlovsk. O Pravda não mencionou o seu nome durante o aniversário da Vitória, e seus amigos e colaboradores também foram afetados. Seu motorista foi aposentado em janeiro de 1948, depois preso em 27 de abril de 1950, acusado de ser um espião da CIA. Outros, foram torturados. A cantora Lidia Ruslanova e seu marido foram presos em 18 de setembro e sentenciados a trabalhos forçados. O Coronel-general Vassili Gordov e o chefe de seu Estado-Maior foram presos em 12 de janeiro de 1947, e fuzilados em agosto de 1950, por terem defendido Júkov e criticado Stalin.[298]

Exílio no UraisEditar

Em 14 de fevereiro de 1948, Júkov foi transferido para Sverdlovsk, no que de fato constituía um exílio.[98] Lá ele conheceu a médica militar Galina Alexandrovna Semionova, à época com 24 anos de idade, e que substituiu Lida Zakharova como sua amante. Em 19 de junho de 1957, Galina deu à luz uma filha, Maria Júkova.[299]

O filme A Queda de Berlim, uma grande produção soviética lançada em janeiro de 1950, retrata Stalin como o único responsável pela liderança das forças soviéticas na guerra. Um ator no papel de Júkok aparece brevemente em algumas cenas. Nesse mesmo ano, Júkov foi autorizado a concorrer à eleição para o Soviete Supremo, tornando-se o representante de Sverdlovsk.[300]

Re-emergênciaEditar

 
A morte de Stalin (direita), e a ascensão de Khrushchov (esquerda), permitiram a Júkov retornar à cena política.

Em 3 de Março de 1953, Bulganin, então vice-presidente do Conselho de Ministros da União Soviética, convocou Júkov a Moscou, em urgência e sem informar o motivo. Chegando no dia 5, ele participou de uma reunião do Comitê Central do Partido Comunista,[301] durante a qual anunciou-se que Stalin estava sofrendo uma hemorragia cerebral e iria morrer. Um novo governo foi imediatamente formado: Malenkov tornou-se Presidente do Conselho de Ministros; Beria, Ministro da Segurança, compreendendo o MVD e o MGB; Khrushchov, Secretário do Comitê Central do Partido; Molotov, Ministro das Relações Exteriores; Anastas Mikoian, Ministro do Comércio Exterior; Bulganin, Ministro da Defesa, com Júkov, Vassilevski e Kuznetsov como assistentes. A morte de Stalin ocorreu às 21h50min, e foi anunciada no rádio a partir das 6h do dia seguinte. Em 9 de março, Júkov fez parte da guarda de honra velando o corpo de Stalin.[302]

Os ministros do novo governo temiam Beria, que detinha muito poder. Em junho de 1953, enquanto este último estava em Berlim Oriental, formou-se uma conspiração liderada por Khrushchov. De acordo com as memórias de Júkov, Bulganin convocou os cinco outros oficiais no escritório de Malenkov, que teria lhe dito que Beria se tornara um homem muito perigoso para o Partido e para o Estado. Júkov foi então encarregado de prende-lo.[303] Em 26 de junho 1953, ele abordou Beria durante uma reunião no Kremlin, acompanhado de dois outros generais armados com pistolas. Em suas palavras, "eu me aproximei rapidamente de Beria e disse-lhe em voz alta: Levante-se, Beria! Você está preso! Peguei-o pelos braços, levantei-os, procurei nos bolsos dele. Ele não estava armado".[304] De acordo com Khrushchov e Malenkov, a prisão de Beria teria sido organizada por outros militares, que teriam convidado Júkov a participar.[305] Em todo caso, Beria foi removido do Kremlin e levado para um abrigo, e, no dia seguinte, transferido para a sede do Distrito Militar de Moscou, sempre guardado por uma equipe de oficiais.[304] Por ordem de Bulganin, tropas foram transferidas para Moscou, a fim de reforçar a segurança e desincentivar tentativas de libertar o prisioneiro,[305] que acabou executado alguns meses mais tarde.[306]

Vice-Ministro da Defesa (1953-1955)Editar

Júkov continuou sendo adjunto de Bulganin, e tornou-se membro efetivo do Comitê Central do Partido. Um busto seu foi instalado em Ugodski Zavod, a cidade próxima à sua aldeia natal, em 3 dezembro de 1953, na presença de suas filhas Era e Ella. Ele transferiu sua amante Galina Alexandrovna Semionova para Moscou, conseguindo-lhe um posto no hospital militar Burdenko (ela era coronel do Corpo Médico soviético.[307]

O problema militar nesse momento girava em torno das armas nucleares, especialmente o seu uso tático, em um momento em que os Estados Unidos detinham um significativo avanço tecnológico. No outono de 1953, Júkov presenciou um exercício liderado por Ivan Konev, simulando um ataque nuclear. Os resultados foram inconclusivos quanto à adaptabilidade do pessoal e do equipamento a uma explosão atômica, e quanto à possibilidade de luta e comunicação em uma zona de radiação. Júkov organizou então a Operação Bola de Neve,[nota 27] que simulou o uso de uma arma nuclear para defender-se de um ataque. Um total de 44.000 homens foram mobilizados em Totskoie, no Oblast de Oremburgo. Em 14 dezembro de 1954, um Tupolev Tu-4 lançou uma bomba RDS-4, que explodiu às 9h34min, a 350 metros de altitude. Perto do meio dia, unidades mecanizadas devidamente equipadas foram movimentadas em campo, algumas até a 500 m do epicentro.[308] O exercício foi produtivo, e permitiu concluir que forças convencionais podem lutar em cenário de uso de armas nucleares: os veículos devem ser reforçados e realmente vedados, e as formações devem ser ainda mais diluídas. Pouco tempo depois, o comando das forças nucleares passou do Ministério do Interior (Beria coordenara o projeto atômico soviético) para o da Defesa.[308]

Ministro da Defesa (1955-1957)Editar

Em janeiro de 1955, Khrushchov recebeu a renúncia de Malenkov, nomeando em seu lugar Nikolai Bulganin como Presidente do Conselho de Ministros. Em 7 de fevereiro, Júkov foi promovido a Ministro da Defesa; ao mesmo tempo, foi criado o Conselho Geral de Defesa da URSS, e Khrushchov tornou-se o líder supremo das forças armadas soviéticas. Júkov apoiou Khrushchov na desestalinização, e durante o 20º Congresso do Partido, em fevereiro de 1956, acusou Molotov de liderar os últimos stalinistas.[98] Júkov apreciou o discurso secreto de Khrushchov sobre o culto da personalidade, e mais tarde foi acusado de ter escrito um relatório sobre o papel de Stalin na guerra.[309] Na luta pela liderança da URSS, seu apoio a Khrushchov é decisivo.[98]

Em maio de 1955 Júkov foi capa da Revista Time pela segunda vez.[310] Como ministro, em junho ele restaurou a dotação financeira para condecorações militares, que Stalin havia abolido em 1948. Ele propôs em 1955 a construção de estátuas monumentais nas cidades-herói de Leningrado, Stalingrado,[nota 28] Sebastopol e Odessa. Murmansk e Kiev depois foram adicionadas à lista, com construções progressivas até a década de 1980. No mesmo ano, Júkov restaurou os comandos individuais das forças terrestres, de aviação, marinhas e de defesa aérea, abolidos por Stalin em 1950. Ele também criou o cargo de Vice-Ministro da Defesa para Mísseis Estratégicos, confiado a Mitrofan Nedelin. Sob o seu ministério, Baikonur (1955) e Plesetsk (1957) foram selecionadas como para a instalação de cosmódromos.[311]

 
Uma delegação soviética, liderada pelo Ministro Júkov, é recebida pelo presidente da Alemanha Oriental, Wilhelm Pieck (6 de maio de 1955).

Júkov também chefiou a comissão, que, em abril de 1956, obteve do Comitê Central o fim das perseguições contra os 1,8 milhões de soldados soviéticos aprisionados pelos alemães, com o pagamento de seus soldos atrasados, e em janeiro 1957 conseguiu a reabilitação póstuma de Mikhail Tukhachevski e Dmitri Pavlov.[312]

Em 29 de outubro de 1955, o encouraçado Novorossisk naufragou, depois de romper o casco em uma mina alemã esquecida na baía de Sebastopol. Júkov foi duro com os responsáveis,[313] e usou o episódio para reduzir o papel da Marinha Soviética nas forças armadas. No exército, com grande número de violações da disciplina, acidentes e crimes, Júkov fez cumprir o despacho nº 90 de 12 de maio de 1956, que reforçou a autoridade do comandante militar em relação aos seus oficiais políticos.[314] Esse episódio culminou a longa oposição de Júkov à interferência política nas forças armadas[211], e lhe valeu hostilidade da Direção Política Principal do Exército. A fim de melhorar a qualidade das forças armadas, ele apoiou a redução do número de tropas (que passou de 4,8 milhões de pessoas em 1955 para 3 milhões em 1957) e o encurtamento do serviço militar.[315]

Sua posição como Ministro da Defesa lhe conferiu um pequeno papel na Guerra Fria. Em 14 maio de 1955, ele assinou pela URSS o Pacto de Varsóvia, documento que ele ajudara a redigir em reação à entrada da Alemanha Ocidental na Organização do Tratado do Atlântico Norte.[316] Essas tensões não impediram decisões mais pacíficas, incluindo a proclamação da neutralidade austríaca em 15 de maio de 1955 e a evacuação da base Porkkala na Finlândia, implementada em 1956. De 18 a 23 de julho de 1955, Júkov fez parte de uma delegação soviética em Genebra, onde se reencontrou com D. Eisenhower, agora presidente dos Estados Unidos, com quem trocou presentes e gentilezas.[317][318]

 
Júkov com pilotos de caça russos (1957)

Júkov também teve papel importante nas instabilidades que assolaram a URSS no final da década.[319] Em 28 de junho de 1956, o exército polonês reprimiu protestos trabalhistas em Poznań, e o Partido Operário Unificado Polaco, aproveitando-se da desestalinização, passou a exigir maior autonomia. Khrushchov previu uma ação militar, mas Mikoian e Júkov convencem-no a ceder às exigências polonesas.[320] Em 21 de outubro, foi a vez da polícia húngara atirar em manifestantes, provocando uma rebelião. Na noite do dia 23, Júkov fez agir o corpo de exército soviético estacionado localmente, e outras três divisões, da Romênia e do Distrito dos Cárpatos, que cruzaram as fronteiras em apoio. A demonstração de força acabou transformando-se em confronto, e Júkov ordenou um cessar-fogo, no dia 29, e a evacuação das tropas soviéticas, no dia seguinte. No dia 31, o primeiro-ministro húngaro Imre Nagy anunciou a saída da República Popular da Hungria do Pacto de Varsóvia, enquanto ao mesmo tempo começava a crise do Canal de Suez. O Comitê Central soviético decidiu por uma intervenção militar, solução apoiada por Júkov. Em 4 de novembro, foi lançada a Operação Turbilhão, buscando desarmar o exército húngaro e retomar todas as cidades. Vinte dias depois, o confronto contabilizava 3.200 mortos e 20.700 feridos, e Nagy e seu ministro Pál Maléter enforcados por conduta contra-revolucionária. A Hungria, agora com János Kádár à frente, continuou membro do bloco comunista, protegida por cinco divisões soviéticas. Em 1 de dezembro de 1956, por ocasião do seu 60º aniversário, Júkov recebeu uma quarta Ordem de Lenin, e foi feito Herói da União Soviética pela quarta vez.[321]

AposentadoriaEditar

Em junho 1957, Júkov, no Conselho de Ministros e no plenário do Comitê Central, junto com Ivan Serov, o chefe da KGB, ajudaram Khrushchov a remover do governo os stalinistas que restavam (Molotov, Lazar Kaganovitch, Malenkov, Bulganin e Vorochilov).[322]

Mas os militares, liderados por Júkov e muito populares, tinham cada vez mais autonomia e peso político, e despertavam o temor das lideranças civis, que citam a Revolta Dezembrista de 1825, a dissolução do Exército Imperial Russo em 1917, e, sobretudo, seu suposto bonapartismo.[323] O risco de um golpe de Estado tornava o exército uma ameaça para o partido, e os inimigos colecionados por Júkov se movimentaram.[324] Em 4 de outubro de 1957, Júkov partiu para a Iugoslávia, onde conheceu o Marechal Tito,[325] e no dia 17 dirigiu-se para a Albânia. No mesmo dia, o general Alexei Jeltov, chefe da Direção Política Principal do Exército, denunciou-o em um discurso no Politburo, acusando-o de culto da personalidade, de glorificação de seu papel na guerra, de redução do poder dos oficiais políticos, de deterioração do ensino do marxismo-leninismo, e de negar o papel do Partido. No dia 19, o Politburo devolveu aos oficiais políticos o direito de interferir nas decisões dos comandantes dos distritos militares, e reuniões foram organizadas para criticar Júkov.[326]

Júkov retornou a Moscou em 26 de outubro, e foi imediatamente convocado pelo Politburo, que o acusou de querer cortar os laços entre o Exército e o Partido. Khrushchov propôs retirá-lo do cargo de ministro, e o voto foi unânime. Malinovski o substituiu.[327] Entre 28 e 29 de outubro, Júkov apresentou-se ao plenária do Comitê Central, onde foi duramente criticado. Ao final, Khrushchov culpou-o pelas derrotas do verão 1941. Como resultado, Júkov foi demitido por unanimidade do Politburo e do Comitê Central.[328]

No dia 29 à noite, ele se retirou para sua datcha, onde foi sedado por duas semanas.[329] Em 3 de novembro, Konev assinou um longo artigo publicado no Pravda, intitulado "A força do Exército e da Marinha soviéticos é devida à liderança do Partido e à sua relação estreita com o povo", que é de fato um apanhado de acusações contra Júkov, por seu papel na guerra e como ministro.[330]

Últimos anosEditar

 
Júkov em seus últimos anos, c. 1970.

Júkov manteve o direito de usar seu uniforme, sua datcha em Sosnovka, seu apartamento em Moscou, seu motorista e os hospitais que servem à nomenklatura. Em 4 de março de 1958, ele foi aposentado sem o benefício de um posto de inspetor (como os outros marechais e generais), e se tornou por alguns anos uma persona non grata. Em sua vida privada, Alexandra Dievna descobriu sua amante Galina Semionova e sua filha Maria. Júkov passou então a dividir seu tempo entre os dois apartamentos, da Rua Granovski (Alexandra) e da Rua Gorki (Galina), mas a situação se deteriorou e ele divorciou-se de Alexandra em 18 de janeiro de 1965, para, no dia 22, casar-se com Galina.[331]

De 1960 a 1965, o Ministério da Defesa publicou os seis volumes de A História da Grande Guerra Patriótica, muito crítico das decisões de Stalin, ignorando a ajuda dos EUA, e salientando o papel dos quadros do Partido, incluindo Khrushchov na Ucrânia e Stalingrado, e Andrei Jdanov em Leningrado. Júkov quase não foi mencionado, exceto quanto às derrotas do verão de 1941. Indignado, Júkov passou a escrever suas memórias. Preocupado, o Politburo convocou-o em 7 de junho de 1963, ameaçando excluí-lo do partido e prendê-lo, caso continuasse.[332]

A substituição de Khrushchov por Brejnev como chefe de Estado, em 1964, mudou gradualmente a situação.[333] Na noite de 8 de maio de 1965, Júkov e Galina compareceram à festa do vigésimo aniversário da vitória, no Kremlin. Brejnev leu um discurso elogiando Stalin, e a multidão ovacionou Júkov.[287][334]

 
Selo postal de 1976 celebrando o "Marechal da União Soviética G. K. Júkov", morto em 1974.

Em agosto de 1965, Júkov assinou um contrato para a publicação de suas memórias. O trabalho foi dificultado por um infarto, em novembro, mas o manuscrito foi entregue no verão de 1966. Uma comissão do Comitê Central modificou-o consideravelmente, reforçando a presença do partido e de seus chefes. Foram também adicionadas referências a Brejnev, dizendo que Júkov teria buscado se aconselhar com ele em 1943 (época em que ele era um obscuro coronel).[335] O texto foi aprovado pessoalmente por Brejnev,[287] e o livro foi lançado em abril de 1969. Apesar da falta de publicidade, suas 300.000 cópias esgotaram-se em poucos meses,[336][335] e Júkov recebeu mais de 10.000 cartas de leitores.[337] Suas memórias tornaram-se "o mais influente relato pessoal da Grande Guerra Patriótica"[338]

 
Túmulo de Júkov na Necrópole da Muralha do Kremlin.

Alexandra Dievna morreu em 24 de dezembro de 1967, e alguns dias depois um câncer de mama foi diagnosticado em Galina, que foi removido mas com pouco sucesso. Logo depois, Júkov sofreu um aneurisma cerebral, deixando-o paralisado e falando com dificuldade. Galina morreu em 13 de novembro de 1973, e, debilitado, Júkov compareceu ao funeral ajudado por Hovhannes Bagramian.[339] Gueorgui Konstantínovich Júkov entrou em coma em 30 de maio de 1974, e morreu no hospital em 18 de junho, sem ter recuperado a consciência. Seu corpo foi velado na Casa do Exército Vermelho e cremado em 21 de junho, e suas cinzas foram colocadas na Necrópole da Muralha do Kremlin,[287] com honras militares dirigidas por Brejnev.[339] No dia seguinte, seus arquivos e documentos pessoais foram apreendidos na datcha de Sosnovka,[340] junto com uma ampla biblioteca que ele havia colecionado ao longo da vida.[17]

LegadoEditar

 
Moeda de rublo de 1990, contendo a efígie de Júkov.

Joseph Brodsky, mais tarde ganhador do Prêmio Nobel de Literatura, escreveu um poema por ocasião da morte de Júkov,[nota 29] e que é uma estilização da elegia escrita por Gavrila Romanovich Derzhavin sobre a morte de Alexander Suvorov, em 1800. A crítica considera esse poema um dos melhores sobre a guerra, escritos por autores da geração do pós-guerra.[341]

Ainda durante a URSS, Júkov foi homenageado em nomes de ruas, selos postais, moedas, placas e estátuas e letras de música,[nota 30]. Em 1974, uma das estradas que ligam os subúrbios ao centro de Moscou foi rebatizada Avenida do Marechal Júkov,[nota 31], e avenidas com o seu nome existem em diversas outras grandes cidades. Ruas em homenagem a Júkov[nota 32] também são comuns em numerosas localidades. Ainda em 1974, a vila de Ugodski Zavod foi renomeada Júkovo[nota 33] em homenagem ao Marechal, nascido na aldeia de Strelkovka, que dela faz parte. Em 1997, Jukovo tornou-se Júkov[nota 34] e foi alçada ao status de cidade. Hoje ela é a capital do Raion Júkovski, e abriga o Museu de Estado de Marechal da União Soviética G. K. Júkov. Ainda durante a URSS, o principal centro de treinamento da atual Força de Defesa Aeroespacial Russa recebeu seu nome, e um planetóide descoberto em 1975 foi batizado 2132 Zhukov em honra do Marechal.[342]

 
Estátua equestre de Júkov, inaugurada em 1995, ao lado da Praça Vermelha, em Moscou.

Desde o fim da URSS, essas referências se multiplicaram na Rússia, primeiro em 1995, para marcar 50 anos de vitória sobre a Alemanha e o centenário do nascimento de Júkov, e depois no século XXI, como símbolo do nacionalismo russo. Também em 1995, a Rússia estabeleceu a Ordem de Júkov e a Medalha de Júkov.[nota 35] Uma estátua equestre de Júkov foi instalada na Praça do Manege, perto da Praça Vermelha, em 8 de maio de 1995.[287] O documentário Grande Comandante Gueorgui Júkov,[nota 36] do diretor Iuri Ozerov, entrou em cartaz no mesmo ano. Fora da Rússia, muitos monumentos foram removidos após a queda da URSS, mas há exceções notáveis em Minsk (um busto desde 2007 no Parque Júkov, ladeado pela Avenida Júkov) e em Ulã Bator. Uma versão sem censura das memórias de Júkov foi publicada em 1990, e sua décima quarta edição foi lançada em 2010. Um total de sete milhões de cópias foram vendidas em 18 idiomas.[343]

 
Insígnia da Ordem de Júkov, honraria instituída pela Federação Russa em referência a Júkov.

A biografia de Júkov tem recebido duradoura atenção, e ele tem sido designado de maneira contraditória, ora como o "General de Stalin"[203] e a "Sombra de Stalin",[344], ora como o "Marechal da Vitória".[345] Críticos tendem a retrata-lo como um líder brutal, que comandava pelo medo e por ameaças e com pouca preocupação com o custo humano de suas vitórias, e que teria contribuído para estender a vida do regime de Stalin.[91] Para outros, Júkov foi o principal responsável pela vitória dos Aliados sobre a Alemanha nazista,[346][347] e portanto "o homem que derrotou Hitler".[348][349] Sobre o papel de Júkov no desfecho da Segunda Guerra Mundial, em particular, David Stahel define Júkov como "o mais vitorioso comandante de Stalin na guerra"[350], Otto Preston Chaney como "o mais condecorado e respeitado militar da Rússia"[351], ao passo que, para Tony Le Tissier, Júkov foi "indiscutivelmente a mais notável figura militar a emergir no lado soviético" durante a guerra.[352] Outros historiadores vão mais adiante, e o britânico Geoffrey Roberts afirma que Júkov é "amplamente considerado o arquiteto-chefe da vitória soviética sobre Hitler" e o homem que "demonstrou ao mundo todo que a máquina de guerra de Hitler não era invencível"[353]. Para ele, a maior parte da crítica especializada concorda com o historiador americano Harrison E. Salisbury, que descreveu Júkov como "o mestre da arte da guerra em massa no século XX".[338]. Esse ponto de vista é também partilhado pelo historiador John Erickson, que escreveu que “até agora, o maior soldado produzido pelo século XX é o marechal Gueorgui Júkov, da União Soviética. No cálculo mais simples, ele é o general que nunca perdeu uma batalha".[338] Contudo, o próprio Roberts acautela que "Júkov não era nem o herói perfeito da lenda, nem o vilão puro e simples retratado por seus desafetos. [...] ele foi um grande general, um homem de imenso talento militar, e alguém abençoado com a força de caráter necessária para lutar e vencer guerras bárbaras. Mas ele também cometeu muitos erros, erros pagos com as vidas de milhões de pessoas [...]. O que o distinguiu foi sua excepcional determinação em vencer".[354]

CondecoraçõesEditar

Júkov recebeu numerosas condecorações em vida. Notavelmente, ele foi galardoado Herói da União Soviética quatro vezes, a mais alta honraria do país. Ele foi o único a ter recebido essa honraria quatro vezes (Leonid Brejnev também as teve, mas por auto-atribuição). Júkov também foi o primeiro a receber, e um dos três únicos destinatários a receber duas vezes, a Ordem da Vitória, a mais alta condecoração militar concedida pela URSS a combatentes da Segunda Guerra Mundial, e uma das honrarias mais raras do mundo.[355] Adicionalmente, ele recebeu 15 medalhas soviéticas[356] e foi condecorado por muitos outros países,[91] incluindo 17 medalhas e a participação em ordens militares.[356]

Honrarias do Império RussoEditar

  Cruz de São Jorge (3a e 4a classes).[357]

Honrarias da URSSEditar

     Herói da União Soviética (29 de agosto de 1939, 29 de julho de 1944, 1 de junho de 1945, 1 de dezembro de 1956).[357]
  Ordem da Vitória (nº de série 1, 10 de abril de 1944; e nº série 5, 30 de março de 1945).[357]
  Ordem de Lenin (16 de agosto de 1936, 29 de agosto de 1939, 21 de fevereiro de 1945, 1 de dezembro de 1956, 1 de dezembro de 1966, 1 de dezembro de 1971).[357]
  Ordem da Revolução de Outubro (22 de fevereiro de 1968).[357]
  Ordem do Estandarte Vermelho (31 de agosto de 1922, 3 de novembro de 1944, 20 de junho de 1949).[357]
  Ordem de Suvorov, 1a classe (Número de série 1, 28 de janeiro de 1943, e Número de série 39, 28 de janeiro de 1943).[357]
  Medalha "Pela defesa de Stalingrado".
  Medalha "Pela defesa de Leningrado".
  Medalha "Pela defesa do Cáucaso".
  Medalha "Pela defesa de Moscou" (1944).
  Medalha "Pela liberação de Varsóvia".
  Medalha "Pela captura de Berlim".
  Medalha "Pela vitoria sobre o Japão".
  Medalha "Pela vitoria sobre a Alemanha na Grande Guerra Patriótica 1941–1945".
  Medalha do "Jubileu de vinte anos da vitória na Grande Guerra Patriótica 1941–1945".
  Medalha dos "XX anos do Exército Vermelho dos Operários e Camponeses".
  Medalha dos "30 anos do Exército e Marinha soviéticos".
  Medalha dos "40 anos das Forças Armanadas da URSS".
  Medalha do jubileu de "50 anos das Forças Armanadas da URSS".
  Medalha "Em comemoração do 100º aniversário do nascimento de Vladimir Ilitch Lenin".
  Medalha "Em comemoração do 250º aniversário de Leningrado".
  Medalha "Em comemoração do 800º aniversário de Moscou".
  Estrela grande de Marechal da União Soviética.
  Arma honoraria – espada com o Emblema da URSS.[356]

Honrarias estrangeirasEditar

  Ordem do Banho, Cavaleiro Grã-Cruz (Reino Unido, 12 de julho de 1945).[357]
  Legião do Mérito, Chefe-comandante (Estados Unidos, 1945).[357]
  Legião de Honra, Grã-Cruz (França, 2 de setembro de 1945).[358]
  Ordem Virtuti Militari, Grã-Cruz (Polônia, 1945).
  Ordem do Mérito, 1a classe (Grã-Cruz) (Egito, 1956).
  Ordem do Leão Branco, 1a classe (Tchecoslováquia, 1945).
  Ordem Militar do Leão Branco, 1a classe (Tchecoslováquia, 1945).
  Ordem da Polonia Restituta, Cruz de Comandante com estrela (1968) e Grã-Cruz (1973) (Polônia).
  Ordem da Liberdade (Iugoslávia, 1956).
  Ordem de Sukhbaatar (Mongólia, 1968, 1969, 1971).
  Ordem do Estandarte Vermelho (Mongólia, 1939, 1942).
  Ordem da República (República Popular de Tuvá, 1939).
  Herói da República Popular da Mongólia (Mongólia, 1969).[359]
  Croix de guerre (França).
  Cruz Checoslovaca de Guerra 1939–1945 (Tchecoslováquia, 1945).
  Cruz de Grunwald, 1a classe (Polônia, 1945).
  Medalha "Aniversário de 30 anos da Batalha de Khalkhin Gol" (Mongólia, 1969).
  Medalha "50 anos da República Popular da Mongólia" (Mongólia, 1971).
  Medalha "50 anos do Exército do Povo Mongol" (Mongólia, 1971).
  Medalha "Pela vitória sobre o Japão" (Mongólia).
  Medalha "Por Varsóvia 1939–1945" (Polônia, 1946).
  Medalha "Por Oder, Neisse e o Báltico" (Polônia, 1946).
  Medalha "Amizade Sino-Soviética", (China, 1953 e 1956).
  Medalha "90º aniversário do nascimento de Georgi Dimitrov" (Bulgária).
  Medalha "25 anos do Exército do Povo Búlgaro" (Bulgária).
  Estrela Partisan de Garibaldi (Itália, 1956).


NotasEditar

  1. Sobre a data de nascimento de Júkov, alguns autores afirmam que teria sido o dia 2 de dezembro do mesmo ano.
  2. Em russo: красноармеец.
  3. Em russo: Комот.
  4. Em russo: Комвзвода.
  5. Em russo: Комэск.
  6. Em russo: Комполка, posto equivalente ao de coronel.
  7. Chamado "Estrela Vermelha". Em russo: Кра́сная звезда́ (krásnaia zvezda).
  8. No Exército Vermelho, um "Corpo Especial de Fuzileiros" era um corpo de exército autônomo. O 57º Corpo Especial foi formado em 1939, composto da 36ª Divisão de Fuzileiros (infantaria com artilharia), das 7ª, 8ª e 9ª Brigadas Motorizada (cavalaria), da 11ª Brigada Blindada (blindados leves) e da 100ª Brigada Mista de Aviação (um regimento de caças e um de bombardeiros).
  9. Em russo Халхин-Голе; em mongol голын дайн.
  10. Hamar-Daba está localizado a 47°37'13,22" de latitude norte e 118°34'30,98" de longitude leste (47° 37′ 13,22″ N, 118° 34′ 30,98″ L), ou seja, a 4 km do rio Halhin-Golie.
  11. Em russo: Комкор. Equivalente a General ou Comandante de Corpo de Exército,[64] posto então novo no Exército Vermelho.[99] Mais tarde esse posto seria substituído pelo de Coronel-general.
  12. Em russo: Генерал армии
  13. Em russo: Великая Отечественная война
  14. A Diretriz nº 2 foi emitida às 7h15min da manhã do dia 22 de junho de 1941, sendo a nº 1 (retroativamente) aquela que autorizara o estado de alerta.
  15. As Divisões Narodnogo Opolcheniya, em russo: дивизии народного ополчения.
  16. A rasputitsa (em russo: распутица, literalmente "estação das estradas ruins") designa o período em que, por causa da neve derretida ou das chuvas, uma grande parte das terras planas são transformadas em um mar de lama. O fenômeno afeta particularmente as estradas quando elas não são pavimentadas.
  17. Desde que Borís Chápochnikov, doente, é evacuado em 15 de outubro de 1941, na prática Alexander Vassilievski dirige o que resta do Estado-Maior em Moscou.
  18. Vassilevski fora nomeado Chefe do Estado Maior Geral, substituindo Chapochnikov, em 26 de junho de 1942.[164]
  19. A autoria da Operação Urano também é reivindicada pelo Escritório de Operações do Estado-Maior Geral desde a época de Stalin, por Sergei Chtemenko[171], em 1971, e por Andrei Ieremenko[172] em suas memórias publicadas em 1963 (ambos em um contexto de difamação do papel de Jukov).
  20. Em russo: Гла́вное разве́дывательное управле́ние, abrevido ГРУ (GRU).
  21. Também chamada Operação Ofensiva Estratégica Belgorod-Carcóvia (em russo: Белгородско-Харьковская стратегическая наступательная операция) e, pelos alemães, Quarta Batalha de Carcóvia.
  22. Essas pontes se encontravam em Kiev, Kanev, Cherkasi, Kremenchug, Dnepropetrovsk e Zaporíjia.
  23. Essa amizade levou a um episódio curioso da biografia de ambos, relacionados à criação de uma versão incolor da Coca-Cola. Apresentado à bebida por Eisenhower, Júkov, temeroso de ser visto bebendo esse símbolo americano, pediu ao General Mark W. Clark que buscasse obter a bebida disfarçada. Este, repassou o pedido ao presidente Harry S. Truman, que mandou contatar o setor de exportação da The Coca-Cola Company no sudeste da Europa. A empresa adicionou à bebida um produto químico capaz de remover a sua cor, e essa versão incolor da Coca-Cola foi engarrafada usando garrafas de vidro lisas, com uma tampa branca estampada com uma estrela vermelha. O primeiro carregamento dessa "Coca-Cola branca" consistiu em 50 caixas.[280][281].
  24. "To no one man do the United Nations owe a greater debt than to Marshal Zhukov".
  25. Em russo: черный кот.
  26. Em russo: Маскарад.
  27. Em russo: Снежок.
  28. Lá foi construída a Mãe Pátria.
  29. Sobre a Morte de Júkov. Em russo: На Смерть Жукова (Na Smerti Júkova).
  30. Notadamente, uma canção dos Coros do Exército Vermelho, intitulada Marechal Júkov e a Vitória.
  31. Em russo: Проспект Маршала Жукова (Prospekt Marchala Júkova).
  32. Normalmente "Rua do Marechal Júkov" (em russo: Улица Маршала Жукова) e Rua de Júkov (em russo: Улица Жукова).
  33. Em russo: Жуково.
  34. Em russo: Жуков.
  35. Decreto 243 de 6 de março de 1995.
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