Santander (Espanha)

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Santander é uma cidade localizada no norte da Espanha, capital do município homónimo, da comarca homónima e da comunidade autónoma da Cantábria.[3][4] O município tem 36,1 km² e em tinha 172 539 (densidade: 4 779,5 hab./km²).[2] É a cidade mais populosa da Cantábria e a sede da área metropolitana de Santander-Torrelavega [es], uma conurbação com mais de 300 000 habitantes que se estende ao longo da costa da baía de Santander.

Espanha Santander 
  Município  
Palácio da Madalena
Catedral Centro Botín
Praia do El Sardinero
Sede do Banco Santander Parque de Las Llamas
De cima para baixo, da esquerda para a direita: 1) Palácio da Madalena [es]; 2) Catedral [es]; 3) Centro Botín [es]; 4) Praia do El Sardinero [es]; 5) Sede do Banco Santander [es]; 6) Parque de Las Llamas [es]
Símbolos
Bandeira de Santander
Bandeira
Brasão de armas de Santander
Brasão de armas
Gentílico santanderiense; santanderino, -na[1]
Localização
Localização do município de Santander na Cantábria
Localização do município de Santander na Cantábria
Santander está localizado em: Espanha
Santander
Localização de Santander na Espanha
Coordenadas 43° 28' N 3° 48' O
País Espanha
Comunidade autónoma Cantábria
Província Cantábria
Comarca Santander
História
Fundação 26 a.C.
Características geográficas
Área total 36,1 km²
População total (2019) [2] 172 539 hab.
Densidade 4 779,5 hab./km²
Altitude 8 m
Código postal 39001-39012
Código do INE 39075
Outras informações
Orago Santo Emetério e São Celedónio
Website www.santander.es

O município é limitado a norte pelo mar Cantábrico, a leste com a baía de Santander, que também o rodeia a sul juntamente com o município de Camargo, e a oeste pelo município de Santa Cruz de Bezana. O ponto mais alto do município, o monte Peñacastillo, tem 139 metros de altitude. As áreas mais baixas estão ao nível do mar.

EtimologiaEditar

Os filólogos consideram que o nome atual de Santander tem origem no nome latino Portus Sanctorum Emeterii et Celedonii que evoluiu para Sancti Emetherii > Sancti Emderii > Sanct Endere > San Andero > Santendere > Santanderio > Santander. Embora esta seja um sequência com muita aceitação, tem sido muito questionada, pois os saltos fonéticos propostos não são muito claros. Em muitos mapas e documentos a partir do século XIII a vila é mencionada com os nomes de San Andrés, San André, Sant Ander e Sant Andero. O rei Afonso X de Castela referiu-se à vila com o nome de Sant Ander, quando outorgou o direito de nomear alcaides e jurados ao seu irmão Sancho. Em 1522, o marinheiro Juan Debo del Río, natural de Cueto (uma localidade de Santander), que embarcou na nau "Victoria" sob as ordens de Juan Sebastián Elcano, era conhecido como Juan de San Andrés. Isso está na base duma segunda teoria, pela qual o topónimo deriva de Santo André, mas a ausência deste no desenvolvimento posterior da cidade lança dúvidas sobre tal teoria, se bem que nem todas as cidades com nome dum santo prestaram culto a esse santo nas suas principais igrejas.

SímbolosEditar

Brasão

O atual brasão ou escudo de Santander; à semelhança do de muitos outros município do litoral da Cantábria, representa a reconquista de Sevilha em 1248, durante o reinado de Fernando III de Castela, na qual os marinheiros cantábricos comandados pelo almirante Ramón de Bonifaz tiveram um papel determinante. Nele aparece a a Torre do Ouro de Sevilha e o navio em que Bonifaz e os seus homens romperam a cadeia que unia Triana a Sevilha no dia 3 de maio de 1248.

O brasão inclui também os rostos dos padroeiros da cidade: os mártires Santo Emetério e São Celedónio, decapitados em Calahorra na segunda metade do século III, durante as perseguições aos cristãos durante o reinado do imperador romano Diocleciano ou Valeriano, após terem sido presos e confrontados com a escolha entre renunciar à sua fé ou abandonar a carreira militar. Segundo a lenda, as cabeças dos santos foram transportadas num barco de pedra pelo rio Ebro até ao Mediterrâneo para proteger as relíquias do avanço muçulmano, tendo depois dado a volta à Península Ibérica até embater na ilha da Horadada, na baía de Santander, que foi atravessada, antes de chegarem à cidade, onde atualmente estão na cripta da catedral [es].

Em 11 de Janeiro de 1982, do Estatuto de Autonomia da Cantábria, entrou em vigor os símbolos de Santander, que foram adotados como parte do novo brasão da Cantábria, conforme previsto no Título Preliminar do Estatuto.

Quando o Estatuto de Autonomia da Cantábria entrou em vigor, em 11 de janeiro de 1982, os símbolos do escudo de Santander foram adotados como parte do novo escudo da Cantábria, conforme previsto no Título Preliminar do Estatuto.

Bandeira

A bandeira de Santander apresenta o brasão sobre duas faixas, uma branca na metade superior e outra azul na metade inferior. Esta última representa o mar caraterístico da cidade.

Hino

Santander atualmente não tem um hino oficial, embora exista um proposta para tornar a canção "Santander la marinera", de Chema Puente, o hino da cidade.[carece de fontes?]

HistóriaEditar

Origens e Idade MédiaEditar

Os poucos dados escritos e arqueológicos que estão disponíveis tornam complicado estabelecer a origem dos primeiros assentamentos humanos na área da Santander atual. No entanto, devido às suas condições favoráveis, especula-se que os assentamentos mais antigos podem ter-se localizado no lado norte da baía, uma área que está abrigada da baía, dos temporais do Cantábrico e dos ventos, na encosta norte do promontório de Somorrostro [es] e nas margens na antiga ria de Becedo [es]. Além de ser um sítio abrigado, as águas da baía, onde desembocam amplas rias na parte sul, podiam fornecer alimento para às populações que ali vivessem e a boa visibilidade desde o cerro permitia avistar com antecedência possíveis atacantes. Era ali que se situava a cidade medieval, que evoloui ao longo da Idade Média.[5]

Os dados mais antigos que existem são da época romana, quando no local teria sido construído Portus Victoriae Iuliobrigensium [es] (ou simplesmente Portus Victoriae, "Porto da Vitória"), durante as Guerras Cantábricas (29–19 a.C.) ou pouco depois, que é mencionado na História Natural de Plínio, o Velho (23–79 d.C.). Na península da Madalena, na entrada noroeste da baía, foram encontrados restos duma edificação com pisos de mosaico, um Hermes de bronze e diverso material numismático e cerâmico. No promontório de San Martín, a sudoeste da Madalena, foi encontrada uma villa do século I d.C. com restos dum hipocausto dumas termas, diversas moedas de prata e uma ânfora. Porém, os vestígios arqueológicos mais importantes encontram-se na zona do cerro de Somorrostro (em latim: summum rostrum}; "promontório maior"}), onde foram realizadas escavações sistemáticas, nas quais foram descobertos restos de igrejas da Alta Idade Média e de estruturas do período romano: um hipocausto que pertenciam a instalações termais, muros de contenção e outros edifícios, além de material numismático importante, como um sestércio da época do imperador Trajano (r. 98–117), outras moedas de Constantino, etc. Estes achados indicam que os romanos levavam a cabo atividades mineiras e comerciais tendo o porto de Santander como base. Também se sabe que era frequente ocorrerem incursões de navegantes nórdicos e, pelo que depreende da crónica do bispo Idácio de Chaves (século V), entre 455 e 459 a povoação foi saqueada, provavelmente por hérulos.[6]

A Abadia dos Corpos Santos, que se erguia onde está hoje a catedral, é mencionada pela primeira vez num documento de 1068, redigido por ordem do rei Afonso II das Astúrias, que a mandou fundar sobre a ermida já existente no cerro de Somorrostro, onde se guardava os relicário com as cabeças dos santos Emetério e Celedónio, mártires decapitados en Calahorra por se recusarem a abjurar a sua fé cristã no século III. Segundo a lenda, as cabeças foram transportadas numa embarcação de pedra para as salvaguardar do avanço muçulmano e chegaram a Santander depois de terem dado a volta à Península Ibérica. Ao chegar às imediações da cidade, o barco chocou com uma rocha na entrada da baía (a atual ilha da Horadada, que atravessou. As cabeças foram depois colocadas numa caverna por baixo da primitiva igreja do cerro de São Pedro (Somorrostro). O mosteiro existente nesse lugar adotou-os como padroeiros e colocaram as suas efígies no escudo da igreja, que posteriormente se tornou o escudo da cidade.

Em 11 de julho de 1187 o rei Afonso VIII de Castela nomeou o abade de Santo Emetério dono e senhor da vila e deu a esta um foral, similar ao de Sahagún, que facilitava o tráfico marítimo, a pesca e o comércio, atividades que eram tributadas pela abadia. Outras atividades económicas locais também tributadas era a produção de conservas em escabeche e a produção vinícola.[7] Durante os séculos XII e XIII, a vila foi delimitando a sua estrutura dentro o recinto muralhado [es]. A vila tinha então dois núcleos urbanos diferenciados: a Puebla Vieja e a Puebla Nueva. O primeiro, mais antigo, situava-se no cerro de Somorrostro, em frente à baía, que dominava a vila. Era na Puebla Vieja que estava o castelo, a Abadia dos Corpos Santos, o cemitério, as Atarazanas (estaleiros navais) e o porto. Tinha três filas de casas, separadas pela Rúa de Carnicerias e a Rúa Mayor, onde se situavam as residências dos habitantes mais proeminentes, como o abade, os cónegos e as famílias mais poderosas. Na Puebla Nueva situavam-se os conventos de Santa Clara e de São Francisco (no lugar deste ergue-se atualmente a {ilc; romaniz.: Igreja de São Francisco (Santander). Este último encontrava-se extramuros, junto à porta com o mesmo nome. As principais ruas da Puebla Nueva eram a de São Fancisco, a Rúa de la Sal, a Rúa del Palacio, La Ribera, Don Gutierre, Puerta de la Sierra, Cadalso e Rúa del Arcillero. As duas pueblas estavam ligadas por uma ponte sobre a ria de Becedo, que as separava e ia até aos estaleiros navais mandados construir pelo rei para aproveitar as madeiras das florestas cantábricas para a construção de navios. A vila estava obrigada a fornecer uma nau por ano à coroa.

Em 1217 foi iniciada a construção da igreja principal da vila, no mesmo local das anteriores, a qual passaria por múltiplas reformas que continuaram praticamente até à atualidade. As obras do claustro começaram em 1318. Em 1248 Santander participou, juntamente com outras vilas da Cantábria, na batalha pela conquista de Sevilha, tendo recebido como recompensa um escudo no qual aparece a Torre do Ouro e o rio Guadalquivir. Em 4 de maio de 1296 as vilas costeiras cantábricas formaram a Irmandade das Vilas da Marina de Castela com Vitória [es], também conhecida como Hermandad de las Marismas, da qual faziam parte Santander, Castro-Urdiales, Laredo, Vitória, Getaria, San Sebastián, Bermeo e Fuenterrabía. O objetivo dessa federação era fortalecer a posição comercial em relação à competição do outro lado do golfo da Biscaia, sobretudo o comércio de e farinha com a Flandres e a Inglaterra.

Em 1296 e 1311 a vila foi arrasada por dois fogos que não afetaram a abadia. Devido a tamanha catástrofe, o rei Fernando IV de Castela suspende a cobrança à vila «dos dízimos de todas as carnes que vieram de fora de meus reinos». No século XIV o “Livro das Merindades de Castela” (conhecido como Becerro de las Behetrías [es]”) confirma a condição de behetría[nt 1] da cidade, ou seja, esta só dependia diretamente da autoridade da coroa, sem ter que submeter-se a qualquer outro senhor feudal à exceção das prerrogativas do abadengo. No entano, um século depois, em 25 de janeiro de 1466, o rei Henrique IV deu a cidade ao marquês de Santillana, o que provocou uma sublevação dos habitantes, que conseguiram que a ordem real fosse revogada em 8 de maio de 1467.

Em 1372, após a vitória em [es] La Rochelle da frota castelhana frente aos ingleses, uma comitiva integrada pelo rei Henrique II de Castela entrou no porto de Santander. Esta facto foi muito relevante pois marcou a conversão do porto da cidade na base naval no Atlântico de Castela e levou à criação de importantes estaleiros navais, as Atarazanas Reales, similares às de Sevilha [es] e às  [ca].

Em 1497 a armada da armada da Flandres fez escala em Santander para desembarcar Margarida da Áustria, que ia casar-se em Reinosa com o príncipe D. João, herdeiro dos Reis Católicos. Essa frota trouxe também a peste, que matou cerca de 6 000 pessoas numa população de 8 000. A cidade demorou três séculos a recuperar do declínio e despovoamento provocados pela epidemia.

A tensão entre os residentes na puebla velha e os residentes na puebla nova, encabeçados pelas famílias dos Giles e dos Negretes, levou a que a coroa no século XVI regulamentasse o governo municipal, o qual foi colocado nas mãos de dois alcaides, um para cada uma das pueblas, e vários regedores. No mesmo séculos voltaram a ocorrer duas epidemias de peste, a primeira em meados do século[carece de fontes?] e a segunda entre 1596 e 1597. Esta última provocou 800 mortes numa população de 2 500 habitantes.[10]

Desenvolvimento comercial e urbano nos séculos XVIII e XIXEditar

No início do século XVIII a vila de Santander começou a recuperar das crises anteriores, que tinham provocado um enorme decréscimo de população e degradado as infraestruturas e laços comerciais. No aspeto administrativo, em 1653 tinha conseguido, juntamente com outras vilas, que fosse retirado a Laredo o estatuto de exclusividade de cabeça de partido. Em 1748, a posição proeminente de Santander consolida-se, com a ordem real da construção do chamado "caminho das lãs", que ligaria Burgos e Santander, que se tornou o porto no centro do comércio no norte. Em 1754, houve um novo impulso para o aumento da importância da vila, por parte da Igreja Católica, que concedeu ao abade local a categoria de bispo e a conversão a catedral da Colegiada dos Corpos Santos, que antes tinha sido abadia. Isso contribui para que fosse dado o estatuto de cidade a Santander.

Em 1755 Fernando VI outorgou o título de cidade a Santander e em 1783 foi criado o chamado Consulado de Mar y Tierra de la muy noble y muy leal ciudad de Santander, uma entidade encarregada de regular o tráfico marítimo com outras cidades, seguindo um modelo liberalizado de comercio. No início do século XVIX Santander encabeçava as trocas comerciais ente a Península Ibérica e os principais portos americanos. Este desenvolvimento económico originou a formação de uma classe burguesa comerciante que foi conseguindo avanços na regulação administrativa do território, primeiro como "província marítima [es]", em 1816, e depois como Província de Santander, em 1833.

A evolução continuou ao longo de todo o século XIX. Foram criadas indústrias auxiliares da navegação, nomeadamente de cordame (jarcias), de farinha, açúcar, cerveja, etc. Forma também criados os estaleiros de San Martín e a cidade foi-se estruturando segundo um modelo racional com a ampliação dos terrenos conquistados ao mar. O complemento de toda esta atividade foi a inauguração em 1851 da linha ferroviária de Alar [es], que aumentou ainda mais o tráfico com Castela. Até 1900 o desenvolvimento de Santander esteve ligado ao comércio crescente com as colónias espanholas, pois era pelo porto da cidade que saíam grande parte dos produtos de Castela. Este auge económico fez florescer uma burguesia mercantil que entre meados do século XVIII e finais do século XIX impulsionou o urbanismo da cidade, nomeadamente com a construção do ensanche que expandiu a cidade para leste.

Desenvolvimento turísticoEditar

Durante a segunda metade do século XIX, aproveitando o a moda das estâncias balneares entre as classes abastadas europeias, que introduziram um novo conceito de ócio associado à saúde, foi empreendida uma série de iniciativas hoteleiras que promoveram Santander na Corte pelas suas praias propícias aos "banhos de onda". A primeira temporada desses banhos foi anunciada na imprensa em 1847, num jornal de Madrid. Estas iniciativas impulsionaram a criação da cidade-balneário de El Sardinero [es], que se consolidou como destino estival de eleição da alta sociedade espanhola no início do século XX. Durante o reinado de Afonso XIII (r. 1886–1931) Santander tornou-se no local de veraneio favorito da corte e em 1908 a cidade construiu e ofereceu ao rei o Palácio da Madalena [es]

Atualmente Santander continua a ser um destino turístico importante do norte da Espanha. O turismo local é proveniente sobretudo das regiões vizinhas, nomeadamente do norte de Castela e Leão, Astúrias e País Basco. O turismo estrangeiro é fundamentalmente europeu, muito relacionado com as ligações marítimas por ferry com os voos internacionais diretos para o aeroporto local. As praias de El Sardinero e da península da Madalena

DesastresEditar

A 3 de novembro de 1893, o navio biscaínho Cabo Machichaco [es] atracou em Santander carregado com 51 toneladas de dinamite no porão e depósitos de ácido sulfúrico no convés. Os regulamentos sobre transporte de mercadorias perigosas eram sistematicamente ignorados pelas autoridades e fretadores e ao meio dia deflagrou um incêndio no navio, ao qual acorreram as tripulações de outros navios, equipas de bombeiros, autoridades (incluindo o governador civil) e curiosos. A carga explodiu pouco depois, provocando 590 mortos, 525 feridos e destruiu as filas de casas em redor do molhe. Conta-se que a âncora do navio caiu perto de Cueto, a vários quilómetros de distância.

Em 1941 ocorreu um grande incêndio [es] que, tendo começado na madrugada de 15 de fevereiro,[11] só foi controlado no dia 17 e os últimos focos só foram completamente extintos quinze dias depois. O fogo começou na Rua de Cádis, perto dos molhes e foi avivado por fortes ventos de sul. Arrasou a parte histórica da cidade, cujas ruas estreitas e casas com estrutura de madeira e fachadas com varandas facilitaram a difusão das chamas. Incrivelmente, só se registou uma vítima, um bombeiro madrileno, mas milhares de famílias ficaram sem csas e a cidade ficou num estado caótico. O fogo destruiu a maior parte da puebla medieval — 37 ruas que ocupavam 14 hectares na zona de maior densidade populacional — e a sua reconstrução foi precedida por um processo de renovação urbana que mudou uma parte importante da configuração da cidade. A necessidade de alojar numerosas famílias que tinham ficado sem casa deu lugar a uma expansão urbana e a uma configuração organicista de Santander. Além de terem sido construídos vários edifícios e terem sido ampliadas várias ruas, entre 1941 e 1950 foram criados os bairros dos Santos Mártires (162 casas), de José María de Pereda (111), de Pedro Velarde (348), o Poblado Canda-Landaburu (200) e o Poblado de pescadores Sotileza (294).

GeografiaEditar

Santander situa-se cerca de 450 km a norte de Madrid, 160 km a norte de Burgos, 100 km a oeste-noroeste de Bilbau, a 220 km a oeste da fronteira francesa (IrunHendaia) e 175 km a leste de Gijón.

 
Limites do município de Santander
Mar Cantábrico
Santa Cruz
de Bezana
  Baía de Santander
Camargo Camargo Baía de Santander
  
 
Clima de Santander

ClimaEditar

O clima da cidade é ameno durante todo o ano, longe dos extremos climáticos de outras partes da Espanha. De acordo com a classificação climática de Köppen-Geiger, o clima é oceânico do tipo Csb. A variação das temperaturas média mensais é baixa, atingindo no máximo cerca de 10 °C. A cidade está situada numa das áreas mais chuvosas de toda a Península Ibérica; a precipitação distribui-se ao longo de todo o ano, embora seja mais abundante na primavera e no outono.[12]

A humidade relativa é muito alta durante todo o ano, ultrapassando 90% em algumas ocasiões. As temperaturas são amenas e nunca se verificam episódios de frio ou calor extremo. Esta é a principal caraterística do clima oceânico do norte da Espanha: os verões são geralmente temperado, com temperaturas agradáveis ​​e normalmente não há períodos de calor intenso como os que são frequentes em grande parte da Espanha. Os invernos não são muito frios devido ao efeito termorregulador do mar, com temperaturas que raramente caem abaixo de 0 °C e em média só neva um dia por ano. Em geral, as temperaturas médias variam de 24,2 °C de máxima em agosto e 5,7 °C de mínima em fevereiro.[12]

Principalmente durante o outono e inverno há episódios de ventos fortes do sul, que provocam temperaturas altas e humidade muito baixa. Este fenómeno é devido à proximidade de barreiras montanhosas — a cordilheira Cantábrica — que produzem o chamado efeito Föhn.

Dados climatológicos para Santander
Mês Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Ano
Temperatura máxima recorde (°C) 25,1 29,0 31,3 30,6 36,8 37,8 37,2 37,3 37,6 33,5 30,0 25,4 37,8
Temperatura máxima média (°C) 13,6 13,8 15,7 16,6 19,1 21,6 23,6 24,2 22,8 20,3 16,3 14,2 18,5
Temperatura média (°C) 9,7 9,8 11,3 12,4 15,1 17,8 19,8 20,3 18,6 16,1 12,5 10,5 14,5
Temperatura mínima média (°C) 5,8 5,7 7,0 8,3 11,1 13,9 16,0 16,4 14,4 11,8 8,7 6,7 10,5
Temperatura mínima recorde (°C) −5,4 −5,2 −3,0 0,6 2,6 5,6 6,0 6,0 2,8 1,4 −3,5 −5,2 −5,4
Precipitação (mm) 106,2 92,2 87,9 102,2 78,0 58,2 52,4 73,4 83,1 119,8 157,1 118,4 1 129,0
Dias com precipitação (1 mm) 12,3 11,1 9,9 11,9 10,4 7,6 7,3 7,6 8,9 11,1 13,3 12,1 123,6
Dias com neve 0,4 0,3 0,1 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,1 0,9
Humidade relativa (%) 72 72 71 72 74 75 75 76 76 75 75 73 74
Horas de sol 85 104 135 149 172 178 187 180 160 129 93 75 1 649
Fonte: Agência Estatal de Meteorologia [13][14][15]

DemografiaEditar

A população do município em era 172 539 habitantes,[2] o que representa cerca de 30% da população total da Cantábria (580 295 habitantes em 2017). O número de habitantes tem vindo a diminuir ligeiramente desde 1991, devido à descida da taxa de natalidade e a um leve aumento da taxa de mortalidade, esta última ligada ao elevado número de idosos. No entanto, esse declínio tem sido compensado por um índice de imigração estrangeira bastante positivo. Por outro lado, a escassez de casas na capital e os seus preços altos tem provocado a deslocação de população em idade fértil para os municípios da periferia, em especial para os do chamdo "Arco da Baía de Santander", o qual tinha cerca 250 000 habitantes no final da década de 2020 e para o eixo conurbano de Santander-Torrelavega [es], o qual tinha cerca de 380 000 habitantes na mesma altura.[nt 2]

No final da década de 2020, mais de 70% da população ativa trabalhava no setor terciário, pelo que a dependência económica do comércio e serviços é muito alta na cidade, especialmente de setores com grande sazonalidade ligados ao turismo, como a hotelaria.

Santander é considerada uma das cidades mais seguras da Espanha, com uma taxa de delitos mais baixas do país (36,2 infrações penais por cada mil habitantes em 2007, em contraste com 50 da média nacional e 70 da União Europeia).[17]

Evolução demográfica de Santander
Fonte: Instituto Nacional de Estatística de Espanha


NotasEditar

  1. O termo behetría [es] está ligado ao direito de poder eleger o senhor (que em condições normais era imposto, sem que os submetidos tivessem opção de escolha).[8] Num sentido mais estrito designava uma terra cujo cultivador tem a liberdade de escolher o seu senhor.[9]
  2. Segundo um estudo da Universidade da Cantábria de 2007, a área metropolitana de Santander era formada por oito municípios além do de Santander: Camargo, Santa Cruz de Bezana, El Astillero, Piélagos, Marina de Cudeyo, Villaescusa, Medio Cudeyo e Ribamontán al Mar.[16] Segundo o Instituto Nacional de Estatística de Espanha, em 2013 o conjunto desses municípios tinha cerca de 380 000 habitantes.

Referências

  1. «Dicionário de Gentílicos e Topónimos». portaldalinguaportuguesa.org. Consultado em 10 de julho de 2021 
  2. a b c «Cifras oficiales de población de los municipios españoles: Revisión del Padrón Municipal» (ZIP). www.ine.es (em espanhol). Instituto Nacional de Estatística de Espanha. Consultado em 26 de agosto de 2020 
  3. «Estatuto de Autonomía para Cantabria» (em espanhol). Parlamento da Cantábria. parlamento-cantabria.es. Consultado em 3 de dezembro de 2021 
  4. Carbajal Iranzo, Ignacio; Sieira, Sara (2011). «Sinopsis del Estatuto de Cantabria» (em espanhol). Congresso dos Deputados. app.congreso.es. Consultado em 3 de dezembro de 2021 
  5. Fernández González 2002[falta página]
  6. Márquez Castro 2015.
  7. Fernández Llera 1920.
  8. «behetría». Diccionario de la lengua española (em espanhol). Real Academia Espanhola. lema.rae.es 
  9. Alvar Ezquerra 2001, p. 92.
  10. «La peste de 1596» (em espanhol). DesdeSDR.tumblr.com 
  11. Gran enciclopedia de Cantabria, p. 278
  12. a b «Datos climatológicos» (em espanhol). Agência Estatal de Meteorologia. www.aemet.es. Consultado em 3 de dezembro de 2021 
  13. «Guía resumida del clima en España» (em espanhol). Agência Estatal de Meteorologia. www.aemet.es 
  14. «Valores climatológicos normales en la estación meteorológica del Aeropuerto de Santander» (em espanhol). Agência Estatal de Meteorologia. www.aemet.es 
  15. «Valores extremos en la estación meteorológica del Aeropuerto de Santander» (em espanhol). Agência Estatal de Meteorologia. www.aemet.es 
  16. Arozamena, Isabel (29 de janeiro de 2007). «El área de la bahía estará integrada por nueve ayuntamientos» (em espanhol). El Diario Montañés. www.eldiariomontanes.es. Consultado em 6 de dezembro de 2021 
  17. «La capital cántabra es una de las ciudades más seguras de Europa». El Diario Montañés. www.eldiariomontanes.es. 10 de julho de 2007. Consultado em 6 de dezembro de 2021 

BibliografiaEditar

  • Fernández González, Lorena (2002), Santander una ciudad Medieval, ISBN 9788495742056 (em espanhol), Estvdio 
  • Gran enciclopedia de Cantabria, ISBN 8486420040 (em espanhol), Tomo IV, Editorial Cantabria, 1985 
 
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