Partido Socialista Brasileiro (1985)

partido político no Brasil
(Redirecionado de PSB)
Disambig grey.svg Nota: Para o antigo partido, veja Partido Socialista Brasileiro (1947).
Partido Socialista Brasileiro
PSB logo.png
Número eleitoral 40
Presidente Carlos Siqueira
Fundação 2 de julho de 1985 (35 anos)
Registro 1 de julho de 1988 (32 anos)[1]
Sede Brasília, DF
Ideologia Socialismo democrático
Social-democracia
Socialismo cristão[2][3]
Espectro político Centro-esquerda
Think tank Fundação João Mangabeira
Ala jovem Juventude Socialista Brasileira (JSB)
Membros  (2020) 641 339 filiados[4]
Afiliação internacional
Governadores (2020)[6]
2 / 27
Prefeitos (2016)[7]
415 / 5 568
Senadores (2020)[8]
2 / 81
Deputados federais (2020)[9]
31 / 513
Deputados estaduais (2018)[10]
63 / 1 024
Vereadores (2016)[11]
3 637 / 56 810
Cores      Vermelho
     Branco
     Amarelo
Página oficial
www.psb40.org.br
Política do Brasil

Partidos políticos

Eleições

O Partido Socialista Brasileiro (PSB) é um partido político brasileiro fundado em 1985 que segue a ideologia socialista democrática. Foi criado em 1985 por um grupo político que reivindicou a legenda e sigla do Antigo PSB.

Obteve registro definitivo junto ao Tribunal Superior Eleitoral em 1º de julho de 1988 com o código eleitoral 40.[12] Externamente, é membro da Aliança Progressista. No dia 13 de agosto de 2014 morreu vítima de acidente aéreo, o então presidente do PSB e candidato a presidência da República, Eduardo Campos. Com 641.339 filiados em setembro de 2020, é o nono maior do país.[13]

HistóriaEditar

No início de 1985, com a redemocratização, foi fundado um novo Partido Socialista Brasileiro, resgatando o mesmo programa e manifesto apresentados em 1947, por João Mangabeira.

Entre os signatários do partido, estavam os juristas Evandro Lins e Silva, Evaristo de Morais Filho e o escritor Rubem Braga. Para presidir a primeira comissão provisória foi escolhido o linguista Antônio Houaiss, que no ano seguinte deixou a presidência do partido para o senador Jamil Haddad. A secretaria-geral ficou com Roberto Amaral (ex-PCBR).

O novo PSB nasceu buscando conquistar espaços em um eleitorado de esquerda já integrado a outros partidos (como o PT e o PDT). Em 1986, apesar da intensa mobilização, o PSB elegeu apenas uma deputada para a Constituinte. Mas, dois anos depois, rompido com Brizola, o prefeito do Rio de Janeiro, Saturnino Braga, deixou o PDT para retornar ao PSB, sua antiga agremiação. Em 1988, Arthur Virgílio Neto é eleito prefeito de Manaus pela legenda. Mais tarde, trocaria o PSB pelo PSDB.

Em 1989, o PSB coligou-se ao PT e ao PCdoB para formar a "Frente Brasil Popular", que lançou a primeira candidatura de Luís Inácio Lula da Silva à presidência. O PSB indicou, então, a vaga para vice, com o senador gaúcho José Paulo Bisol (ex-PMDB e PSDB).

Era ArraesEditar

No início de 1990, após desligar-se do PMDB, o governador de Pernambuco, Miguel Arraes, anunciou sua adesão ao PSB. Candidato a deputado federal no mesmo ano, Arraes foi o mais votado do país e levou consigo mais 4 parlamentares.

Em 1992, elegeu prefeitos nas seguintes capitais: São Luís (com Conceição Andrade), Natal (Aldo Tinôco) e Maceió (com Ronaldo Lessa). Além de ganhar em outras cidades.

Situando-se entre Brizola e Lula, Arraes buscou no PSB a afirmação de sua liderança em nível nacional, consolidada em 1993, quando foi eleito presidente do partido, e no ano seguinte, quando assegurou o apoio do partido à candidatura de Lula (rompendo com o governo Itamar Franco e retirando seu ministro da Saúde, Jamil Haddad). No auge de sua popularidade, Arraes obteve 54% dos votos para o governo de Pernambuco (coligação PSB-PT-PPS-PDT) e foi eleito já no primeiro turno.

Além de Arraes, o PSB também conquistou em 1994 o governo do Amapá, com João Capiberibe, e uma vaga para o Senado no Pará, com Ademir Andrade.

O crescimento eleitoral do PSB intensificou as adesões nos anos seguintes. Em 1995, filiou-se o senador Antônio Carlos Valadares, de Sergipe, e em 1997 a ex-prefeita de São Paulo, Luiza Erundina (rompida com o PT). No entanto, o partido vetou a entrada de Ciro Gomes (ex-PSDB), o que facilitou uma nova aliança nacional com o PT, apoiando novamente Lula para a presidência em 1998.

No entanto, além da derrota de Lula, Miguel Arraes não teve sucesso em sua campanha pela reeleição em Pernambuco, sendo derrotado pelo PMDB de Jarbas Vasconcelos. A perda foi compensada, em parte, pela eleição de Ronaldo Lessa como governador de Alagoas e pela volta de Saturnino Braga ao Senado, representando o estado do Rio de Janeiro.

Triênio de GarotinhoEditar

Em 2000, o PSB aceitou a filiação do governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, recém-saído do PDT após entrar em choque com Leonel Brizola. Alguns setores do partido, porém, temiam que que acontecesse o mesmo que aconteceu nos anos 1950, durante a aproximação com o janismo.

A adesão do governador fluminense acarretou a desfiliação do senador Saturnino Braga e do prefeito de Belo Horizonte, Célio de Castro. Ambos seguiram em direção ao PT.

Em 2002, Garotinho foi lançado candidato a presidente pelo PSB, com apoio dos pequenos PGT e PTC. Com uma plataforma populista e assistencialista, Garotinho obteve 15 milhões de votos (17,9%) em sua candidatura presidencial, ficando em terceiro lugar na disputa. Também mostrou sua força no próprio estado, ao eleger sua esposa, Rosinha Matheus como governadora.

O partido também foi favorecido nacionalmente, elevando sua bancada para 22 parlamentares, e conquistando, além do Rio de Janeiro, os governos estaduais de Alagoas (Ronaldo Lessa, reeleito), Espírito Santo (Paulo Hartung) e Rio Grande do Norte (Wilma de Faria). No segundo turno da eleição presidencial, o PSB apoiou Lula, o que permitiu ao partido participar do governo, com a pasta da Ciência e Tecnologia (com Roberto Amaral).

O inevitável choque entre Garotinho (com sua pretensão de candidatar-se novamente em 2006) e o presidente Lula ampliou o crescente atrito entre o ex-governador e o partido, que só foi resolvido em agosto de 2003, quando a Direção Nacional do PSB realizou um recadastramento e a ficha de Garotinho não foi aceita pelo partido e significou a saída da governadora Rosinha Garotinho, sua esposa e doze deputados federais.

Retorno do grupo de ArraesEditar

A saída de Garotinho permitiu ao grupo político fiel a Miguel Arraes reassumir o prestígio perdido em 1998. No governo, Roberto Amaral foi substituído pelo deputado Eduardo Campos, neto e herdeiro político de Arraes (que morreria em agosto de 2014).

Fiel aliado ao governo Lula, o PSB ampliou suas filiações (chegando a 29 deputados federais) e também compensou a perda de dois governadores (Paulo Hartung, para o PMDB; e Ronaldo Lessa, para o PDT), ambos em choque com Arraes, com a filiação do ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes (ex-PPS) e da senadora Patrícia Saboya.

Em 2006, o PSB anunciou apoio informal (sem coligação) à reeleição de Lula à presidência.

Em 2010, numa grande estratégia política que se provou vantajosa ao partido, a candidatura de Ciro Gomes foi deixada de lado em apoio a então ministra Dilma Rousseff. Em troca, o PT abriu mão da cabeça de chapa em diversos estados do Norte, do Nordeste e do Espírito Santo para apoiar os socialistas. O resultado foi que se tornou o segundo partido em número de governos estaduais, atrás apenas do PSDB. Em 2012, buscou um certo distanciamento de seus aliados tradicionais nas capitais, principalmente do PT, o que o ajudou a atingir o maior número de capitais e um aumento expressivo no número de prefeituras (de 310 em 2008 para 434 no primeiro turno de 2012). A candidatura do ex-presidente da sigla, Eduardo Campos, à Presidência da República nas eleições de 2014 foi anunciada pelo PSB em 14 de abril de 2014.[14]

Em 13 de agosto de 2014, o candidato a presidência Eduardo Campos morreu em um acidente aéreo com um avião particular de campanha, na cidade de Santos, litoral de São Paulo.[15]

Em 2014 também, o PSB negocia processo de fusão (ou incorporação) com o Partido Popular Socialista (PPS), com possibilidades de participação do Partido Humanista da Solidariedade (PHS) e do Partido Ecológico Nacional (PEN), dentre outros.[16][17]

Participação e desempenho eleitoraisEditar

Bancada na 56.ª Legislatura do Congresso NacionalEditar

Atualmente, o PSB tem 2 senadores:

Atualmente, o PSB tem 31 deputados federais:

Deputados AC AL AM AP BA CE DF ES GO MA MG MS MT PA PB PE PI PR RJ RN RO RR RS SC SE SP TO
29 1 1 0 1 1 1 0 1 0 0 2 1 2 0 1 5 2 2 1 1 0 1 2 0 1 3 0

Fonte: Portal da Câmara dos Deputados - Conheça os Deputados - Selecione "Partido..." e "UF...", e clique no segundo botão "Pesquisar".

Parlamentares federais eleitos por legislaturaEditar

Legislatura Eleitos % AC AL AM AP BA CE DF ES GO MA MG MS MT PA PB PE PI PR RJ RN RO RR RS SC SE SP TO Diferença
54ª (2011-2015)
34 6,63 0 1 0 0 0 4 0 2 0 1 1 0 1 0 0 5 1 1 3 1 1 0 3 0 1 7 1 +7
53ª (2007-2011)
27 5,26 0 1 1 1 1 2 1 0 0 2 1 0 1 0 2 3 0 0 1 2 1 1 1 0 1 4 0 +5
52ª (2003-2007)
22 4,29 0 2 0 1 0 0 0 1 0 1 1 0 0 0 0 4 0 0 6 0 0 0 1 0 0 5 0 +4
51ª (1999-2003)
18 3,51 0 1 0 1 0 1 0 0 0 1 0 0 0 0 0 8 0 0 2 0 0 0 1 0 1 2 0

Fonte: Portal da Câmara dos Deputados - Bancada na Eleição.

Participação em eleições presidenciaisEditar

Ano Imagem Candidato(a) a Presidente Candidato a Vice-Presidente Coligação Votos % Colocação
1989 Luiz Inácio Lula da Silva (PT) José Paulo Bisol (PSB) PT, PSB, PCdoB 31.076.364 44,23


1994 Luiz Inácio Lula da Silva (PT) Aloizio Mercadante (PT) PT, PSB, PCdoB, PPS, PV, PSTU, PCB 17.122.127 27,04
1998 Luiz Inácio Lula da Silva (PT) Leonel Brizola (PDT) PT, PDT, PSB, PCdoB, PCB 21.475.218 31,71
2002 Anthony Garotinho (PSB) José Antonio Figueiredo (PSB) PSB, PGT, PTC, PSC 15.180.097 17,86
2010 Dilma Rousseff (PT) Michel Temer (PMDB) PT, PMDB, PR, PSB, PDT, PCdoB, PSC, PRB, PTC, PTN 55.752.529 56,05
2014 Marina Silva (PSB)[nota 1] Beto Albuquerque (PSB) PSB, PHS, PRP, PPS, PPL, PSL 22.176.619 21,32

Ver tambémEditar

Notas e referências

Notas

  1. Substituta de Eduardo Campos, morto em um acidente aéreo.

Referências

  1. Tribunal Superior Eleitoral (TSE). «TSE - Partidos políticos registrados no TSE». Consultado em 7 de novembro de 2015 
  2. Hecker, Alexandre (1998). Socialismo Sociável: História da esquerda democrática em São Paulo (1945-1965). [S.l.]: Editora Unesp. ISBN 8571392137 
  3. Anjos, Hebert (2017). Socialismo e Liberdade: Uma história do PSB (1945-1965). [S.l.]: Paco Editoral. ISBN 9788546207800 
  4. Tribunal Superior Eleitoral (TSE). «TSE - Filiados». Consultado em 13 de outubro de 2020 
  5. «Participants» 
  6. «Governadores 2014». UOL 
  7. «Resultados da eleição municipal de 2012». Google Política e Eleições. Consultado em 25 de junho de 2013. Arquivado do original em 31 de julho de 2013 
  8. «Senadores 2014». UOL 
  9. «Bancada da Eleição de 2018 para Deputado Federal (Titulares)». Câmara dos Deputados. Consultado em 3 de fevereiro de 2015 
  10. «Deputados Estaduais Eleitos no País em 2018». G1 
  11. «Vereadores Eleitos no País em 2012». G1 
  12. Tribunal Superior Eleitoral: Partidos políticos registrados no TSE Arquivado em 17 de julho de 2007, no Wayback Machine., acessado em 25 de julho de 2007
  13. «Estatísticas do eleitorado – Eleitores filiados». www.tse.jus.br. Consultado em 13 de outubro de 2020 
  14. [1]
  15. G1 (13 de Agosto de 2014). «Eduardo Campos morre». Globo. Consultado em 13 de Agosto de 2014 
  16. Rodrigo Martins (19 de outubro de 2014). «"A ideia é puxar o PSDB para a esquerda", diz presidente do PSB». Carta Capital. Consultado em 20 de Outubro de 2014 
  17. João Domingos, Agência Estado (14 de outubro de 2014). «Com derrota de Marina, PSB e PPS retomam projeto de fusão». Política Livre. Consultado em 20 de Outubro de 2014 

BibliografiaEditar

Ligações externasEditar