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Estação Ferroviária de Carregado

estação ferroviária em Portugal
(Redirecionado de Estação de Carregado)


Carregado IPcomboio2.jpg
Estação do Carregado, em 2007.
Inauguração 28 de Outubro de 1856
Linha(s) Linha do Norte (PK 36,456)
Coordenadas 39° 00′ 19,9″ N, 8° 57′ 13,31″ O
Concelho Vila Franca de Xira
Serviços Ferroviários Logo CP 2.svgBSicon LSTR yellow.svgU
Horários em tempo real
Serviços Ligação a autocarros Serviço de táxis Bilheteiras e/ou máquinas de venda de bilhetes
Elevadores Telefones públicos
Parque de estacionamento Acesso para pessoas de mobilidade reduzida
NYCS-bull-trans-N.svgNavegante


Logos IP.png
BSicon CONTfa grey.svg
BSicon HST grey.svgVila Nova da Rainha (Sentido Porto)
BSicon BHF grey.svgCarregado
BSicon BHF grey.svgC. do Ribatejo (Sentido Lisboa)
BSicon CONTf grey.svg

A Estação Ferroviária de Carregado é uma interface da Linha do Norte, que serve o norte da freguesia de Castanheira do Ribatejo e Cachoeiras, Vila Franca de Xira; e a zona da Vala do Carregado, na freguesia de Carregado, concelho de Alenquer, em Portugal. A primeira linha férrea em Portugal, inaugurada em 28 de Outubro de 1856, ligou a cidade de Lisboa ao Carregado.[1]

DescriçãoEditar

Edifício da estaçãoEditar

O edifício da estação do Carregado foi projectado por Cottinelli Telmo em 1930, utilizando o estilo Art déco.[2] Na sua concepção, Telmo utilizou a experiência que tinha adquirido durante o planeamento da Sul e Sueste, em Lisboa, ao introduzir várias inovações no modelo convencional para um edifício de passageiros.[2] O vestíbulo de passageiros foi considerado como um espaço fundamental, tendo sido concebido como um grande espaço aberto, com uma altura igual aos dois pisos do edifício, e iluminado por dois grandes janelões semicirculares, semelhantes aos utilizados na gare do Sul e Sueste, que lhe davam uma escala urbana.[2] A estação foi decorada com lambris de azulejo e painéis de mosaicos coloridos com padrões geométricos abstractos, que também reflectiam o estilo Art Déco.[2] Para o alpendre da estação, em vez da tradicional estrutura metálica, Telmo optou por uma grande cobertura de betão armado anexa ao edifício, sustentada por estreitos pilares.[2]

 ServiçosEditar

Transporte ferroviárioEditar

Serviço Municípios Servidos
CP Urbano
Linha da Azambuja
Lisboa, Loures, Vila Franca de Xira e Azambuja

Urbanos de LisboaEditar

    CP Urbanos de Lisboa
 
Alcântara - Terra ↔ Azambuja
(apenas primeiro e último comboio do dia, excepto fins-de-semana e feriados)
 
Santa Apolónia ↔ Azambuja

 Padrão de serviços de comboioEditar

Estação anterior   Comboios de Portugal Estação seguinte
Castanheira do Ribatejo
Direção Santa Apolónia / Alcântara-Terra1
  CP Lisboa
Linha da Azambuja
  Vila Nova da Rainha
Direção Azambuja

1Apenas primeiro e último comboio do dia, excepto fins-de-semana e feriados

HistóriaEditar

 Ver artigo principal: História da Linha do Norte
 
Pavilhão erguido na estação do Carregado para a cerimónia de inauguração, em 28 de Outubro de 1856.

Século XIXEditar

Em meados do Século XIX, o governo de Fontes Pereira de Melo iniciou um ambicioso programa de obras públicas, que incluía a construção de vários caminhos de ferro.[3] Em 13 de Maio de 1853, o governo contratou a Companhia Central e Peninsular dos Caminhos de Ferro em Portugal para construir um caminho de ferro de Lisboa até à fronteira com Espanha, passando por Santarém.[4][5] O Carregado era considerado um ponto importante, por ser o local de onde a Mala-posta saía em direcção ao Norte, sendo o percurso entre Lisboa e o Carregado feito por via fluvial.[6] No entanto, os navios a vapor eram lentos e pouco fiáveis, chegando frequentemente tarde demais para apanhar a diligência, que saía por volta do Meio-dia.[6] Assim, considerou-se importante instalar a via férrea, para substituir o problemático eixo fluvial.[6]

Quando o engenheiro Thomaz Rumball foi encarregado de estudar o traçado da Linha do Leste até Elvas e Badajoz, uma das directrizes propostas atravessava o Rio Tejo logo após o Carregado, indo na direcção de Mora (Portugal).[7] Posteriormente, o engenheiro Wattier foi encarregado do mesmo serviço, tendo entregado o seu relatório em Maio de 1856.[7] Neste documento criticou as soluções apresentadas por Rumball, tendo em vez disso sugerido a continuação da linha já em construção, com uma ponte sobre o Tejo junto a Constância.[7] Sugeriu igualmente a construção de uma linha que se iniciasse junto ao Carregado e terminasse em Vendas Novas, ideia que mais tarde se encorparia na Linha de Vendas Novas.[7]

Em 28 de Outubro de 1856, foi inaugurada a estação do Carregado, como ponto terminal provisório do Caminho de Ferro do Leste, que começava em Lisboa; este foi o primeiro troço ferroviário a ser aberto em Portugal.[8][9] Para a cerimónia de inauguração, foi instalado um pavilhão, junto ao edifício da Estação.[10] Foi organizado um comboio especial, que transportou a família real, e que foi rebocado por duas locomotivas, denominadas de Portugal e Coimbra.[11] No entanto, a viagem enfrentou vários problemas, incluindo o rebentamento dos canos de uma das locomotivas, o que atrasou a marcha do comboio.[6] A abertura à exploração só se fez 2 dias depois, em 30 de Outubro.[12]

O troço seguinte, até Virtudes, entrou ao serviço em 31 de Julho de 1857.[9]

Originalmente, a linha utilizava uma bitola de 1,44 m, tendo sido alterada para uma bitola de 1,67 m em 1861.[4]

Em 1869, o Duque de Saldanha foi autorizado a construir várias linhas férreas no sistema Larmanjat, incluindo uma do Carregado a Alenquer.[13]

Em 15 de Abril de 1890, entrou ao serviço a segunda via no troço entre Olivais e o Carregado[14], e em 16 de Março de 1891 no troço do Carregado à Azambuja.[15]

 
Horário da Linha do Norte em 1933.

Século XXEditar

Em 1904, uma comissão de empresários e proprietários de Alenquer enviou uma representação ao Ministro das Obras Públicas, pedindo a construção de um ramal até Alenquer, partindo da estação do Carregado ou de outro ponto da Linha do Leste.[16]

Em 1912, havia um projecto para ligar esta estação à localidade de Merceana.[17]

Em 1913, da estação do Carregado partiam serviços de diligências até Abrigada, Alenquer, Labrugeira, Aldeia Galega da Merceana e Olhalvo.[18]

Em 1926, a Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses estabeleceu, em parceria com a Emprêsa de Transportes entre Carregado e Alemquer, um serviço de transporte de passageiros, bagagens e mercadorias, por via rodoviária, entre esta estação e a localidade de Alenquer.[19]

Em 1930, o arquitecto Cottinelli Telmo projectou o novo edifício para a estação do Carregado, que foi inaugurado no ano seguinte.[2]

A Junta Autónoma das Estradas aprovou, para o exercício de 1933 a 1934, a reparação do ramal da Estrada Nacional 1 para a Estação do Carregado, com o uso de paralelepípedos.[20]

Em 6 de Abril de 1955, foi assinado o contrato para a electrificação da Linha de Sintra e do troço entre Lisboa e o Carregado da Linha do Norte.[21] Em 28 de Abril de 1957, deu-se a inauguração oficial da tracção eléctrica, inserida nas comemorações do centenário dos caminhos de ferro em Portugal.[22] O comboio inaugural saiu de Santa Apolónia às 10 da manhã, e chegou ao Carregado 35 minutos depois.[22] Também foi organizado um desfile de material circulante entre estas duas estações.[22]

 
Vista da estação ferroviária do Carregado a partir de uma passagem superior entre Carregado e Castanheira do Ribatejo. Do lado esquerdo é possível ver parte da Central Termoelétrica do Ribatejo da EDP.

Ver tambémEditar

CP-USGL + Soflusa + Fertagus

(Serviços ferroviários suburbanos de passageiros na Grande Lisboa)
Serviços:   Sado (CP+Soflusa)  Sintra (CP)
  Fertagus  Azambuja (CP)  Cascais (CP)


(n) Azambuja 
   
 
   
 Praias do Sado-A (u)
(n) Espadanal da Azambuja 
   
 
   
 Praça do Quebedo (u)
(n) Vila Nova da Rainha 
   
 
   
 Setúbal (u)
(n) Carregado 
   
 
   
 Palmela (u)
(n) Castanheira do Ribatejo 
       
 Venda do Alcaide (u)
(n) Vila Franca de Xira 
       
 Pinhal Novo (u)(a)
(n) Alhandra 
       
 Penteado (a)
(n) Alverca 
         
 Moita (a)
(n) Póvoa 
         
 Alhos Vedros (a)
(n) Santa Iria 
         
 Baixa da Banheira (a)
(n) Bobadela 
         
 Lavradio (a)
(n) Sacavém 
         
 Barreiro-A (a)
(n) Moscavide 
         
 Barreiro (a)
(n) Oriente 
       
 (Soflusa)
(n)(z) Braço de Prata 
       
 Terreiro do Paço (a)
(n) Santa Apolónia 
       
 Penalva (u)
(z) Marvila 
       
 Coina (u)
 
       
 Fogueteiro (u)
(z) Roma - Areeiro 
       
 Foros de Amora (u)
(z) Entrecampos 
       
 Corroios (u)
(z)(7) Sete Rios 
       
 Pragal (u)
 
 
 
 
 
 Campolide (z)(s)(u)*
(s) Benfica 
         
 Rossio (s)
(s) Santa Cruz-Damaia 
         
 Cais do Sodré (c)
(s) Reboleira 
         
 Santos (c)
(z) Alcântara-Terra 
 
 
   
 Alcântara-Mar (c)
(s) Amadora 
           
 Belém (c)
(s) Queluz - Belas 
           
 Algés (c)
(s) Monte Abraão 
           
 Cruz Quebrada (c)
(s) Massamá-Barcarena 
           
 Caxias (c)
(s)(o) Agualva-Cacém 
           
 Paço de Arcos (c)
(o) Mira Sintra-Meleças 
 
     
 Santo Amaro (c)
(s) Rio de Mouro 
       
 Oeiras (c)
(s) Mercês 
       
 Carcavelos (c)
(s) Algueirão - Mem Martins 
       
 Parede (c)
(s) Portela de Sintra 
       
 São Pedro Estoril (c)
(s) Sintra 
       
 São João Estoril (c)
 
       
 Estoril (c)
(c) Cascais 
       
 Monte Estoril (c)

Linhas: a L.ª Alentejoc L.ª Cascaisz L.ª Cintura
n L.ª Norteo L.ª Oestes L.ª Sintrau L.ª Sul7 C.ª 7 R.
(*) vd. Campolide-A

Fonte: Página oficial, 2018.11
(nomes das estações de acordo com a fonte)

Referências

  1. MARTINS et al, 1996:214
  2. a b c d e f MARTINS et al, 1996:131
  3. MARTINS et al, 1996:51
  4. a b REIS et al, 2006:12
  5. MARTINS et al, 1996:240
  6. a b c d LEAL, Carlos de Brito (1 de Fevereiro de 1953). «Os comboios há 88 anos» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 65 (1563). p. 467-470. Consultado em 5 de Outubro de 2016 
  7. a b c d «No Centenário dos Caminhos de Ferro em Portugal: Algumas notas para a sua história» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 69 (1640). 16 de Abril de 1956. p. 190-193. Consultado em 19 de Junho de 2017 
  8. CAPELO et al, 1994:221
  9. a b TORRES, Carlos Manitto (1 de Janeiro de 1958). «A evolução das linhas portuguesas e o seu significado ferroviário» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 70 (1681). p. 9-12. Consultado em 13 de Fevereiro de 2014 
  10. REIS et al, 2006:16
  11. MARTINS et al, 1996:86
  12. NONO, Carlos (1 de Outubro de 1948). «Efemérides ferroviárias» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 60 (1459). p. 524-525. Consultado em 5 de Outubro de 2016 
  13. SERRÃO, 1986:238
  14. MARTINS et al, 1996:251
  15. NONO, Carlos (1 de Março de 1950). «Efemérides ferroviárias» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 62 (1493). p. 858-859. Consultado em 5 de Outubro de 2016 
  16. «Há 50 anos» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 67 (1602). 16 de Setembro de 1954. p. 268. Consultado em 5 de Outubro de 2016 
  17. «Efemérides» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 51 (1230). 16 de Março de 1939. p. 177-179. Consultado em 13 de Fevereiro de 2014 
  18. «Serviço de Diligencias». Guia official dos caminhos de ferro de Portugal. 39 (168). Outubro de 1913. p. 152-155. Consultado em 13 de Dezembro de 2017 
  19. «Tarifa de camionagem: Transportes entre a Estação de Carregado e o Despacho Central de Alemquer» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 39 (925). 1 de Julho de 1926. p. (anexo). Consultado em 3 de Julho de 2011 
  20. «Junta Autónoma de Estradas» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 46 (1112). 16 de Abril de 1934. p. 212. Consultado em 3 de Julho de 2011 
  21. REIS et al, 2006:117
  22. a b c REIS et al, 2006:125

BibliografiaEditar

  • CAPELO, Rui; MONTEIRO, Augusto; NUNES, João; et al. (1994). História de Portugal em Datas. Lisboa: Círculo de Leitores, Lda. e Autores. 480 páginas. ISBN 972-42-1004-9 
  • MARTINS, João; BRION, Madalena; SOUSA, Miguel; et al. (1996). O Caminho de Ferro Revisitado: O Caminho de Ferro em Portugal de 1856 a 1996. Lisboa: Caminhos de Ferro Portugueses. 446 páginas 
  • REIS, Francisco; GOMES, Rosa; GOMES, Gilberto; et al. (2006). Os Caminhos de Ferro Portugueses 1856-2006. Lisboa: CP-Comboios de Portugal e Público-Comunicação Social S. A. 238 páginas. ISBN 989-619-078-X 
  • SERRÃO, Joaquim Veríssimo (1986). História de Portugal: O Terceiro Liberalismo (1851-1890). Lisboa: Verbo. 423 páginas 
 
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Ligações externasEditar