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Cantábria

(Redirecionado de Cantabria)
Espanha Cantábria

Cantabria

 
Bandeira de Cantábria
Bandeira
Brasão de armas de Cantábria
Brasão de armas
Localización de Cantabria.svg
Hino: Himno a la Montaña
Administração
Santander
- Presidente Miguel Ángel Revilla Roiz (PRC)
Área
- Total 5,321 § km²
População (2005)
 - Total 562,309
    • Densidade 100,6 hab./km²
Gentílico cântabro, -a
Províncias A comunidade é monoprovincial
Idioma oficial castelhano
Estatuto de autonomia 11 de Janeiro de 1982
ISO 3166-2 ES-S
Congresso
Senado
5 assentos
5 assentos
Website Governo de Cantábria
§ 1,05% da área total de Espanha
1,3% da população total de Espanha

Cantábria é uma comunidade autónoma monoprovincial, localizada no norte de Espanha. É limitada a leste pelo País Basco, a sul por Castela e Leão, a oeste pelo Principado das Astúrias e a norte pelo Golfo da Biscaia (também chamado de Mar Cantábrico). A cidade de Santander é a capital e cidade mais povoada. Definida no seu Estatuto de Autonomia como uma «comunidade histórica», tem os seus antecedentes no Ducado da Cantábria, nas Astúrias de Santilhana, Irmandade das Quatro Vilas e na Província dos Nove Vales. A primeira referência a este território dá-se em 195 a.C., quando Catão, o Velho, designa o «país dos cântabros» como local de nascimento do rio Ebro.

[...] o rio Ebro: nasce em terra de cântabros, grande e formoso, abundante em peixes.
Original {{}}: [...] fluvium Hiberum: is oritur ex Cantabris, magnus atque pulcher, pisculentus.
Catão, o Velho Origens (VII), 195 a.C.

Situa-se na Cornija Cantábrica, o nome dado à faixa de terra entre o Mar Cantábrico e a Cordilheira Cantábrica no norte da Península Ibérica. Possui um clima oceânico húmido, com temperaturas moderadas, altamente influenciado pelos ventos do Oceano Atlântico que encontram as montanhas. A precipitação média é de 1200 mm, o que permite o crescimento de frondosa vegetação. O seu ponto mais elevado é o Pico de Torre Branca, com 2619 m.[1]

Cantábria é uma região rica em lugares de interesse arqueológico do Paleolítico Superior. Os primeiros sinais de ocupação humana datam do Paleolítico Inferior, ainda que este período não esteja tão bem representado na região. Destacam-se neste aspecto as pinturas da caverna de Altamira, datada entre 16 000 e 9000 a.C., e declarada Patrimônio da Humanidade pela UNESCO.[2]

A província moderna da Cantábria constituiu-se em 28 de julho de 1778 em Ponte São Miguel. A comunidade compõe-se de 102 municípios, sendo um deles o Vale de Vilaverde, um exclave na Biscaia. A Lei Orgânica do Estatuto de Autonomia da Cantábria foi aprovada em 30 de dezembro de 1981, dotando deste modo à Comunidade Autônoma de organismos e instituções de autogoverno.[3] Possui uma assembleia legislativa, o Parlamento da Cantábria.

EtimologiaEditar

Diversos autores que estudam a origem etimológica do nome da Cantábria ainda não chegaram a um consenso seguro de sua procedência. A opinião mais aceita pelos estudiosos é que ela deriva da raiz cant-, de origem celta ou lígure antiga, que significa ‘rocha’ ou ‘pedra’, e do sufixo -abr, frequente nas regiões celtas. De tudo isto, se deduz que "cántabro" viria a significar "povo que habita nas montanhas", em clara referência ao território abrupto e montanhoso da Cantábria.

GeografiaEditar

RelevoEditar

A Cantábria encontra-se no setor central da costa cantábrica. Limita a norte com o Mar Cantábrico, a oeste com as Astúrias, a leste com o País Basco e a sul com Castela e Leão. Existe um exclave cântabro na província basca da Biscaia, Vale de Vilaverde, e três enclaves palentinos na Cantábria – Cezura, Lastrilha e Berçosilha, a sul.

 
Mapa físico da Cantábria

Possui uma superfície de 5321 km² e uma costa com uma longitude total de 165,7 km.

 
Penha Remonha, nos Picos da Europa

A comunidade possui três âmbitos geográficos bem diferenciados: a Marinha, a Montanha e Campó e vales do sul, pertencentes às bacias dos rios Ebro e Douro. A presença predominante da montanha explica o uso popularizado de sinédoque, sendo esse o termo usado para fazer referência a toda a região cântabra. Cerca de 50% do seu território situa-se acima da cota dos 600 m e 75% a mais de 200 m. Um terço da região apresenta pendentes de mais de 30%.[4]

A região assenta no setor central da Cordilheira Cantábrica. A leste encontra-se o importante maciço ocidental dos Picos da Europa, que se eleva a mais de 2000 m, cerrada a norte pela serra de Penha Sagra. Os Picos da Europa são uma unidade com personalidade própria, já que se trata de um maciço de calcários massivos, fraturado e elevado. É o ponto de encontro entre o mundo mediterrânico e o atlântico; entre as altas montanhas do leste e as baixas do oeste. Os seus pontos mais altos são Torre Branca (2615 m), Penha Velha (2613 m), Penha Preta (2536 m), Penha Remonha (2240 m), Tres Mares (2222 m) e a Penha Labra (2018 m).

A região possui dois elementos organizadores do relevo: a montanha e a costa. A costa é formada por uma estreita faixa costeira de vales baixos, amplos e de formas suaves de cerca de 10 km de largura, cuja altitude não costuma superar os 500 m e que limita com o mar por meio de uma linha de litoral raso, até chegar às primeiras ladeiras das montanhas. A sua génese é a de uma antiga costa marinha, fustigada pelas ondas que atualmente emerge a vários metros do nível do mar, chegando a superar os 100 m, nalguns pontos.

Nas montanhas, para além dos Picos da Europa, encontram-se várias serras, continuação das serras pré-litorais asturianas. São elas a Serra do Escudo de Cabuérniga, os Montes de Ucieda, Alto do Gueto, Serra da Matança e a Serra de Brenhas. São cadeias montanhosas de 600 a 1000 m de altitude, que separam o litoral das terras do interior. Estas organizam-se numa sucessão de vales orientados de sul a norte que estruturam a rede hidrográfica cântabra. São os vales de Lamasón, Cabuérniga, Buelna, Toranço, Carriedo, Caião, Ruesga e Guriezo.

A continuação dos Picos da Europa resolve-se numa série de serras que formam uma divisória de águas entre o Cantábrico, o Douro e o Ebro: serras de Hijar, Bárcena Maior, Escudo, Madalena e Hornijo. Entre estas, encontram-se uma série de vales: Baró, Cereceda, Valdeprado (os três formam a comarca da Liébana), Luena, Pas e Soba

Por último, a sul localiza-se o vale do Ebro, cerrado pelas montanhas palentinas.

ClimaEditar

Devido à corrente do Golfo Cantábrico, a região tem temperaturas mais suaves do que as que lhe corresponderia por sua latitude, similar à da Nova Escócia na América do Norte. A região está afetada por um clima oceânico húmido, com verões calorosos e invernos não muito frios. As precipitações se situam em torno de 1200 mm anuais na costa, aumentando os valores nas zonas montanhosas até 1600 mm, o que a situa na denominada Espanha húmida (ou Espanha verde).

A temperatura média se situa ao redor dos 14 °C. A neve é freqüente nas partes altas da Cantábria entre os meses de outubro e março. Os meses mais secos são julho e agosto.

HidrografíaEditar

 
Nascimento do rio Asón

Os rios cântabros são rios curtos, rápidos e pouco caudalosos, salvando umas consideráveis pendentes do mar próximo a seu nascimento na Cordilheira Cantábrica. Os seus recorridos costumam ser perpendiculares à costa, se exceptuarmos o rio Ebro, e possuem uma caudal mais ou menos persistente ao longo de todo o ano, motivado pelas precipitações. Ainda assim, este é escasso (20 m³/s anualmente) em comparação com outros rios da Península Ibérica.

A rapidez de suas águas, motivado pelas consideráveis pendientes dos recorridos, faz que tenham um grande poder erosivo, formando vales em forma de V, característicos da Cornisa Cantábrica.

No geral, possuem um estado de conservação aceitável, ainda que a atividade humana, cada vez mais abundante neles pelo aumento constante da população nos vales, exerce uma forte pressão.

A Cantábria é a única comunidade autônoma cujos rios desembocam em cada um dos três mares que rodeam a Península Ibérica.

Os principais rios que dividem a região são:

  • Confederação Hidrográfica do Norte (Cuenca Norte) - [1] (desembocam no Mar Cantábrico)
    • Rio Agüera
    • Río Asón
    • Rio Besaya
    • Rio Deva
    • Rio Miera
    • Rio Nansa
    • Rio Pas
    • Rio Saja
  • Confederação Hidrográfica do Ebro (Cuenca do Ebro) - [2] desembocam no Mar Mediterrâneo
  • Confederação Hidrográfica do Duero (Cuenca do Duero) - [3] (desembocam no Oceano Atlântico)
    • Rio Camesa

VegetaçãoEditar

 
Prado em Valdáliga

As diversas altitudes da comunidade, que vão em pouca distância do nível do mar aos 2600 m da montanha, faz que a diversidade vegetal seja grande e exista um amplo número de biótopos.

A Cantábria possui uma vegetação eurosiberiana, dentro da província Atlântica. Caracteriza-se por ter bosques de espécies frondosas e caducifóleas. A ação humana desde tempos remotos tem favorecido a criação de pastos. Os prados de pastos se intercalam com plantações de eucaliptos (Eucalyptus globulus) e pequenas massas de bosques.

A parte meridional de Cantábria caracteriza-se por ter uma paisagem de transição desde uma vegetação seca, convivendo variedades biclimáticas clima atlântico e mediterrâneo. A sua diversidade vegetal está propiciada por localizar-se no límite do domínio biogeográfico mediterrâneo, o que faz que existam espécies próprias deste bioclima, como são as a azinheira ou o arbutus, localizados em solos calcários pouco desenvolvidos e de escassa humidade.

 
Paisagem da Marina

Na Cantábria, podem-se diferenciar vários níveis florísticos:

  • A franja litoral
  • A Marina
  • Os níveis médios da Montanha
  • Piso subalpino

DemografiaEditar

A comunidade possui uma população de 572 503 habitantes segundo o censo de 2007 (representa 1,27% da população da Espanha). Os municípios mais importantes desta Comunidade Autônoma (dados de 2006 do Instituto Nacional de Estatística) são os seguintes:

  1. Urrutia, Javi. «Mendikat :: Torre Blanca (2.619 m)». www.mendikat.net (em espanhol). Consultado em 29 de agosto de 2017 
  2. «Las pinturas paleolíticas cántabras son ?las más antiguas de la historia de la humanidad?». www.eldiariomontanes.es (em espanhol). El Diario Montañés. Consultado em 26 de maio de 2017 
  3. «Sinopsis del estatuto de Autonomía de Cantabria». www.congreso.es (em espanhol). Consultado em 29 de agosto de 2017 
  4. Comisión Europea (1999). «Cantabria en la Comunidad Económica Europea.» (em espanhol). Consultado em 12 de abril de 2007 

Ver tambémEditar