Estação Ferroviária de Alverca

estação ferroviária em Portugal

A Estação Ferroviária de Alverca é uma interface da Linha do Norte, que serve a localidade de Alverca do Ribatejo, no Concelho de Vila Franca de Xira, em Portugal.

Alverca
A Estação de Alverca em 2012, vista de nordeste

Identificação:[1] 31187 ACA (Alverca)
Denominação: Estação de Concentração de Alverca
Classificação: EC (estação de concentração)[2]
Linha(s): Linha do Norte (PK 21,810)
Coordenadas:
38° 53′ 24,01″ N, 9° 02′ 02,8″ O
Concelho: bandeiraVila Franca de Xira
Serviços:
Estação anterior Comboios de Portugal Comboios de Portugal Estação seguinte
Póvoa
Sintra
  CP Lisboa
Linha de Sintra
  Terminal
Póvoa
Alcântara-T.
  CP Lisboa
Linha da Azambuja
  Alhandra
Cast. Ribatejo
    Alhandra
Azambuja
Póvoa
S. Apolónia
   
Oriente
S. Apolónia
  CP Regional   V. F. Xira
Entroncamento
Tomar
Covilhã

Coroa: Ticket vending icon.svg NYCS-bull-trans-N.svgNavegante
Conexões: Ligação a autocarros 320 342 345 346 360  44   45   57   58 
Serviço de táxis
Equipamentos: Bilheteiras ou máquinas de venda de bilhetes Caixas Multibanco Escadas rolantes Elevadores Parque de estacionamento Lavabos Acesso para pessoas de mobilidade reduzida
Website:

DescriçãoEditar

LocalizaçãoEditar

Esta interface situa-se junto à Avenida D. Pedro, em Alverca do Ribatejo.[3]

Descrição físicaEditar

Em Janeiro de 2011, contava com quatro vias de circulação, com comprimentos entre os 268 e 518 m; as plataformas apresentavam todas 223 m de extensão, e 90 cm de altura.[4]

 
Aviso de 1875, onde se faz referência à estação de Alverca

HistóriaEditar

 Ver artigo principal: História da Linha do Norte

Antecedentes e planeamentoEditar

Antes da introdução do caminho de ferro, o concelho de Vila Franca de Xira tinha problemas de acessibilidade, devido a uma rede viária muito deficiente, sendo o principal meio de transporte a navegação ao longo do Rio Tejo.[5]

Nas bases para o concurso do Caminho de Ferro de Lisboa à Fronteira de Espanha, determinadas por um decreto de 6 de Maio de 1852, estava previsto que a primeira secção da linha, até Santarém, seguisse sempre pela margem direita do Rio Tejo, passando junto a várias povoações, incluindo Alverca.[6][7] Em 7 de Dezembro desse ano, o engenheiro Rumball concluiu o seu relatório sobre o percurso que a linha deveria ter, tendo sugerido igualmente a passagem por Alverca.[8]

Em 24 de Agosto de 1856, D. Pedro V visitou as obras da linha, que nessa altura estava quase terminada até ao Carregado, mas o comboio real parou em Alverca e não conseguiu prosseguir a viagem,[9] tendo ficado ali retido durante algum tempo até que uma locomotiva o fosse rebocar de volta para Lisboa.[10] Algum tempo depois, mas ainda durante as obras, foi organizado um outro comboio especial, desta vez para transportar a família real de Lisboa até Vila Franca de Xira, onde grassava uma epidemia de cólera, mas a locomotiva avariou pouco antes de chegar a Alverca.[10] O condutor do comboio foi até Alverca para ir buscar uma locomotiva que lá estava estacionada, enquanto que o maquinista tentou reparar a avaria, mas o rei, depois de várias horas de espera sem sucesso, voltou a pé para Lisboa.[10]

Inauguração e primeiros anosEditar

O troço de Lisboa ao Carregado foi inaugurado em 28 de Outubro desse ano.[11][12]

Com a construção dos caminhos de ferro e a modernização da rede de estradas, verificou-se uma grande expansão das actividades industriais nas freguesias ribeirinhas de Alverca, Póvoa e Alhandra, provocando profundas alterações no tecido social e económico das povoações, e uma forte redução na navegação fluvial.[13] Durante a construção das oficinas dos caminhos de ferro em Santa Apolónia, foi empregado um grande número de operários das povoações ao longo do Tejo, incluindo Alverca, e durante algum tempo tornou-se habitual a deslocação diária de dezenas de pessoas desde as suas habitações até às estações dos caminhos de ferro, onde apanhavam os primeiros comboios até Braço de Prata e depois o "comboio operário" até Santa Apolónia, fazendo depois o percurso inverso no final do dia.[13]

Em 15 de Abril de 1890, foi duplicado o lanço de Olivais ao Carregado.[14]

 
Horário da Linha do Norte em 1933

Século XXEditar

Em 1 de Dezembro de 1901, a Gazeta dos Caminhos de Ferro noticiou que o edifício da estação de Alverca tinha sido reconstruído.[15]

Em 16 de Novembro de 1940, a Gazeta relatou que tinha ocorrido recentemente um acidente numa passagem de nível perto da estação de Alverca, quando um comboio rápido colidiu com uma camioneta, provocando a morte aos dois ocupantes do veículo automóvel.[16]

Em meados do Século XX, Alverca possuía uma marquise sobre a gare dos passageiros, tendo sido uma das estações onde tinham sido introduzidos novos modelos de marquises em substituição dos mais antigos, que já não ofereciam uma protecção eficiente.[17] Em 28 de Abril de 1957, foi inauguração a tracção eléctrica no lanço entre Lisboa e o Carregado.[18]

ModernizaçãoEditar

Em finais da Década de 1980, a operadora Caminhos de Ferro Portugueses iniciou um programa de modernização dos sistemas de sinalização e controlo de tráfego em várias vias férreas, especialmente a Linha do Norte.[19] Em 1990, foi aberto o concurso para o projecto 3AS, relativo à instalação de novos equipamentos de sinalização em parte da Linha do Norte, que abrangeu a plena via e várias estações, incluindo a de Alverca.[20] Outro objectivo deste programa de modernização era a renovação e quadruplicação parcial da Linha do Norte, incluindo o lanço de Braço de Prata a Alverca, e a reconstrução desta última estação, de forma a funcionar como semitérminus.[21] O programa de modernização prosseguiu após a formação em 1997 da Rede Ferroviária Nacional, entidade que tinha sido criada para gerir as infraestruturas ferroviárias, e que construiu a nova estação de Alverca.[22] Em 2000, as automotoras 3500, de dois pisos, começaram a circular entre Alverca e o Cacém.[23]

CP-USGL + CP-Reg + Soflusa + Fertagus
 
             
 
(n) Azambuja 
               
 Praias do Sado-A (u)
(n) Espadanal da Azambuja 
               
 Praça do Quebedo (u)
(n) Vila Nova da Rainha 
             
 Setúbal (u)
**(n) Carregado 
     
 
 
     
 Palmela (u)
(n) Castanheira do Ribatejo 
             
 Venda do Alcaide (u)
(n) Vila Franca de Xira 
       
 
 
 Pinhal Novo (u)(a)
(n) Alhandra 
             
 Penteado (a)
(n) Alverca   Moita (a)
(n) Póvoa   Alhos Vedros (a)
(n) Santa Iria   Baixa da Banheira (a)
(n) Bobadela   Lavradio (a)
(n) Sacavém   Barreiro-A (a)
(n) Moscavide   Barreiro (a)
(n) Oriente   (Soflusa)
(n)(z) Braço de Prata 
         
 
 
 Terreiro do Paço (a)
 
 
 
 
 
 
 
 
 Penalva (u)
(n)(ẍ) Santa Apolónia 
 
 
 
 
 
       
 Coina (u)
(z) Marvila 
 
         
 Fogueteiro (u)
(z) Roma-Areeiro 
           
 Foros de Amora (u)
(z) Entrecampos 
           
 Corroios (u)
(z)(7) Sete Rios 
           
 Pragal (u)
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Campolide (z)(s)(u)*
(s) Benfica   Rossio (s)
(s) Santa Cruz-Damaia   Cais do Sodré (c)
(s) Reboleira   Santos (c)
(z) Alcântara-Terra 
 
 
 
 
   
 Alcântara-Mar (c)
(s) Amadora   Belém (c)
(s) Queluz-Belas   Algés (c)
(s) Monte Abraão   Cruz Quebrada (c)
(s) Massamá-Barcarena   Caxias (c)
(s)(o) Agualva-Cacém   Paço de Arcos (c)
 
 
 
         
 Santo Amaro (c)
(o) Mira Sintra-Meleças   Rio de Mouro (s)
(s) Mercês   Oeiras (c)
(s) Algueirão - Mem Martins   Carcavelos (c)
(s) Portela de Sintra   Parede (c)
(s) Sintra   São Pedro Estoril (c)
(o) Telhal 
           
 São João Estoril (c)
(o) Sabugo 
           
 Estoril (c)
(o) Pedra Furada 
           
 Monte Estoril (c)
(o) Mafra 
           
 Cascais (c)
(o) Malveira 
   
 
   
 Jerumelo (o)**

2015-2019 []

Linhas: a L.ª Alentejoc L.ª Cascaiss L.ª Sintra C.ª X.
n L.ª Norteo L.ª Oestez L.ª Cinturau L.ª Sul7 C.ª 7 R.
(*) vd. Campolide-A   (**)   continua além z. tarif. Lisboa

(***) Na Linha do Norte (n): há diariamente dois comboios regionais nocturnos que param excepcionalmente em todas as estações e apeadeiros.
Fonte: Página oficial, 2020.06

Ver tambémEditar

Referências

  1. (I.E.T. 50/56) 56.º Aditamento à Instrução de Exploração Técnica N.º 50 : Rede Ferroviária Nacional. IMTT, 2011.10.20
  2. Instrução de exploração técnica nº 2 : Índice dos textos regulamentares em vigor. IMTT, 2012.11.06
  3. «Alverca». Comboios de Portugal. Consultado em 26 de Março de 2015 
  4. «Linhas de Circulação e Plataformas de Embarque». Directório da Rede 2012. Rede Ferroviária Nacional. 6 de Janeiro de 2011. p. 71-85 
  5. LOURENÇO, 1995:46-47
  6. «Há Oitenta e Três Anos» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 47 (1149). 1 de Novembro de 1935. p. 446. Consultado em 8 de Fevereiro de 2014 
  7. ABRAGÃO, Frederico de Quadros (1 de Março de 1956). «No Centenário dos Caminhos de Ferro em Portugal: Algumas notas sobre a sua história» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 68 (1637). p. 115-120. Consultado em 15 de Outubro de 2017 
  8. ABRAGÃO, Frederico de Quadros (16 de Março de 1956). «No Centenário dos Caminhos de Ferro em Portugal: Algumas notas sobre a sua história» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 69 (1638). p. 131-138. Consultado em 15 de Outubro de 2017 
  9. AGUILAR, Busquets de (1 de Junho de 1949). «A Evolução História dos Transportes Terrestres em Portugal» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 62 (1475). p. 383-393. Consultado em 3 de Novembro de 2014 
  10. a b c ABRAGÃO, Frederico de Quadros (16 de Maio de 1956). «No Centenário dos Caminhos de Ferro em Portugal: Algumas notas sobre a sua história» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 69 (1642). p. 217-222. Consultado em 15 de Outubro de 2017 
  11. CAPELO et al, 1994:221
  12. TORRES, Carlos Manitto (1 de Janeiro de 1958). «A evolução das linhas portuguesas e o seu significado ferroviário» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 70 (1681). p. 9-12. Consultado em 26 de Março de 2015 
  13. a b LOURENÇO, 1995:49
  14. «Troços de linhas férreas portuguesas abertas à exploração desde 1856, e a sua extensão» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 69 (1652). 16 de Outubro de 1956. p. 528-530. Consultado em 15 de Outubro de 2017 
  15. «Efemérides» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 51 (1227). 1 de Fevereiro de 1939. p. 111-114. Consultado em 17 de Novembro de 2013 
  16. SABEL (16 de Novembro de 1940). «Ecos e Comentários» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 52 (1270). p. 772. Consultado em 9 de Março de 2018 
  17. NUNES, José de Sousa (16 de Junho de 1949). «A Via e Obras nos Caminhos de Ferro em Portugal» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 62 (1476). p. 418-422. Consultado em 15 de Outubro de 2017 
  18. REIS et al, 2006:125
  19. MARTINS et al, 1996:158
  20. MARTINS et al, 1996:159
  21. MARTINS et al, 1996:208
  22. REIS et al, 2006:233
  23. REIS et al, 2006:202

BibliografiaEditar

  • CAPELO, Rui Grilo; RODRIGUES, António Simões; et al. (1994). História de Portugal em Datas. Lisboa: Círculo de Leitores, Lda. 480 páginas. ISBN 972-42-1004-9 
  • LOURENÇO, António Dias (1995). Vila Franca de Xira: Um concelho do país. Vila Franca de Xira: Câmara Municipal de Vila Franca de Xira. 284 páginas 
  • MARTINS, João; BRION, Madalena; SOUSA, Miguel; et al. (1996). O Caminho de Ferro Revisitado. O Caminho de Ferro em Portugal de 1856 a 1996. Lisboa: Caminhos de Ferro Portugueses. 446 páginas 
  • REIS, Francisco; GOMES, Rosa; GOMES, Gilberto; et al. (2006). Os Caminhos de Ferro Portugueses 1856-2006. Lisboa: CP - Comboios de Portugal e Público - Comunicação Social S. A. 238 páginas. ISBN 989-619-078-X 
 
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Ligações externasEditar

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