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Estação Ferroviária de Alverca

estação ferroviária em Portugal

DescriçãoEditar

LocalizaçãoEditar

Esta interface situa-se junto à Avenida D. Pedro, em Alverca do Ribatejo.[1]

Descrição físicaEditar

Em Janeiro de 2011, contava com 4 vias de circulação, com comprimentos entre os 268 e 518 m; as plataformas apresentavam todas 223 m de extensão, e 90 cm de altura.[2]

 ServiçosEditar

Transporte ferroviárioEditar

Serviço Municípios Servidos
CP Urbano
Linha da Azambuja
Lisboa, Loures, Vila Franca de Xira e Azambuja

Urbanos de LisboaEditar

    CP Urbanos de Lisboa
 
Sintra ↔ Alverca
(excepto fins-de-semana e feriados)
 
Alcântara - Terra ↔ Castanheira do Ribatejo
(excepto fins-de-semana e feriados)
 
Alcântara - Terra ↔ Azambuja
(apenas primeiro e último comboio do dia, excepto fins-de-semana e feriados)
 
Santa Apolónia ↔ Azambuja

RegionalEditar

    CP Regional
 
Lisboa - Santa Apolónia ↔ Tomar
 
Lisboa - Santa Apolónia ↔ Entroncamento

Padrão de serviços de comboioEditar

Estação anterior   Comboios de Portugal Estação seguinte
Póvoa
Direção Sintra1
  CP Lisboa
Linha de Sintra
  Terminal1
Póvoa
Direção Santa Apolónia / Alcântara-Terra1
  CP Lisboa
Linha da Azambuja
  Alhandra
Direção Azambuja / Castanheira do Ribatejo1
Póvoa
Direção Santa Apolónia
  CP Regional
Linha do Norte
  Vila Franca de Xira
Direção Entroncamento / Tomar / Covilhã

1Excepto fins-de-semana e feriados

 
Aviso de 1875, onde se faz referência à estação de Alverca.

HistóriaEditar

 Ver artigo principal: História da Linha do Norte

Antecedentes e planeamentoEditar

Antes da introdução do caminho de ferro, o concelho de Vila Franca de Xira tinha problemas de acessibilidade, devido a uma rede viária muito deficiente, sendo o principal meio de transporte a navegação ao longo do Rio Tejo.[3]

Nas bases para o concurso do Caminho de Ferro de Lisboa à Fronteira de Espanha, determinadas por um decreto de 6 de Maio de 1852, estava previsto que a primeira secção da linha, até Santarém, seguisse sempre pela margem direita do Rio Tejo, passando junto a várias povoações, incluindo Alverca.[4][5] Em 7 de Dezembro desse ano, o engenheiro Rumball concluiu o seu relatório sobre o percurso que a linha deveria ter, tendo sugerido igualmente a passagem por Alverca.[6]

Em 24 de Agosto de 1856, D. Pedro V visitou as obras da linha, que nessa altura estava quase terminada até ao Carregado, mas o comboio real parou em Alverca e não conseguiu prosseguir a viagem[7], tendo ficado ali retido durante algum tempo até que uma locomotiva o fosse rebocar de volta para Lisboa.[8] Algum tempo depois, mas ainda durante as obras, foi organizado um outro comboio especial, desta vez para transportar a família real de Lisboa até Vila Franca de Xira, onde grassava uma epidemia de cólera, mas a locomotiva avariou pouco antes de chegar a Alverca.[8] O condutor do comboio foi até Alverca para ir buscar uma locomotiva que lá estava estacionada, enquanto que o maquinista tentou reparar a avaria, mas o rei, depois de várias horas de espera sem sucesso, voltou a pé para Lisboa.[8]

Inauguração e primeiros anosEditar

O troço de Lisboa ao Carregado foi inaugurado em 28 de Outubro desse ano.[9][10]

Com a construção dos caminhos de ferro e a modernização da rede de estradas, verificou-se uma grande expansão das actividades industriais nas freguesias ribeirinhas de Alverca, Póvoa e Alhandra, provocando profundas alterações no tecido social e económico das povoações, e uma forte redução na navegação fluvial.[11] Durante a construção das oficinas dos caminhos de ferro em Santa Apolónia, foi empregado um grande número de operários das povoações ao longo do Tejo, incluindo Alverca, e durante algum tempo tornou-se habitual a deslocação diária de dezenas de pessoas desde as suas habitações até às estações dos caminhos de ferro, onde apanhavam os primeiros comboios até Braço de Prata e depois o "comboio operário" até Santa Apolónia, fazendo depois o percurso inverso no final do dia.[11]

Em 15 de Abril de 1890, foi duplicado o lanço de Olivais ao Carregado.[12]

 
Horário da Linha do Norte em 1933.

Século XXEditar

Em 1 de Dezembro de 1901, a Gazeta dos Caminhos de Ferro noticiou que o edifício da estação de Alverca tinha sido reconstruído.[13]

Em 16 de Novembro de 1940, a Gazeta relatou que tinha ocorrido recentemente um acidente numa passagem de nível perto da estação de Alverca, quando um comboio rápido colidiu com uma camioneta, provocando a morte aos dois ocupantes do veículo automóvel.[14]

Em meados do Século XX, Alverca possuía uma marquise sobre a gare dos passageiros, tendo sido uma das estações onde tinham sido introduzidos novos modelos de marquises em substituição dos mais antigos, que já não ofereciam uma protecção eficiente.[15] Em 28 de Abril de 1957, foi inauguração a tracção eléctrica no lanço entre Lisboa e o Carregado.[16]

ModernizaçãoEditar

Em finais da Década de 1980, a operadora Caminhos de Ferro Portugueses iniciou um programa de modernização dos sistemas de sinalização e controlo de tráfego em várias vias férreas, especialmente a Linha do Norte.[17] Em 1990, foi aberto o concurso para o projecto 3AS, relativo à instalação de novos equipamentos de sinalização em parte da Linha do Norte, que abrangeu a plena via e várias estações, incluindo a de Alverca.[18] Outro objectivo deste programa de modernização era a renovação e quadruplicação parcial da Linha do Norte, incluindo o lanço de Braço de Prata a Alverca, e a reconstrução desta última estação, de forma a funcionar como semitérminus.[19] O programa de modernização prosseguiu após a formação em 1997 da Rede Ferroviária Nacional, entidade que tinha sido criada para gerir as infraestruturas ferroviárias, e que construiu a nova estação de Alverca.[20] Em 2000, as automotoras 3500, de dois pisos, começaram a circular entre Alverca e o Cacém.[21]

CP-USGL + Soflusa + Fertagus

(Serviços ferroviários suburbanos de passageiros na Grande Lisboa)
Serviços:   Sado (CP+Soflusa)  Sintra (CP)
  Fertagus  Azambuja (CP)  Cascais (CP)


(n) Azambuja 
   
 
   
 Praias do Sado-A (u)
(n) Espadanal da Azambuja 
   
 
   
 Praça do Quebedo (u)
(n) Vila Nova da Rainha 
   
 
   
 Setúbal (u)
(n) Carregado 
   
 
   
 Palmela (u)
(n) Castanheira do Ribatejo 
       
 Venda do Alcaide (u)
(n) Vila Franca de Xira 
       
 Pinhal Novo (u)(a)
(n) Alhandra 
       
 Penteado (a)
(n) Alverca 
         
 Moita (a)
(n) Póvoa 
         
 Alhos Vedros (a)
(n) Santa Iria 
         
 Baixa da Banheira (a)
(n) Bobadela 
         
 Lavradio (a)
(n) Sacavém 
         
 Barreiro-A (a)
(n) Moscavide 
         
 Barreiro (a)
(n) Oriente 
       
 (Soflusa)
(n)(z) Braço de Prata 
       
 Terreiro do Paço (a)
(n) Santa Apolónia 
       
 Penalva (u)
(z) Marvila 
       
 Coina (u)
 
       
 Fogueteiro (u)
(z) Roma - Areeiro 
       
 Foros de Amora (u)
(z) Entrecampos 
       
 Corroios (u)
(z)(7) Sete Rios 
       
 Pragal (u)
 
 
 
 
 
 Campolide (z)(s)(u)*
(s) Benfica 
         
 Rossio (s)
(s) Santa Cruz-Damaia 
         
 Cais do Sodré (c)
(s) Reboleira 
         
 Santos (c)
(z) Alcântara-Terra 
 
 
   
 Alcântara-Mar (c)
(s) Amadora 
           
 Belém (c)
(s) Queluz - Belas 
           
 Algés (c)
(s) Monte Abraão 
           
 Cruz Quebrada (c)
(s) Massamá-Barcarena 
           
 Caxias (c)
(s)(o) Agualva-Cacém 
           
 Paço de Arcos (c)
(o) Mira Sintra-Meleças 
 
     
 Santo Amaro (c)
(s) Rio de Mouro 
       
 Oeiras (c)
(s) Mercês 
       
 Carcavelos (c)
(s) Algueirão - Mem Martins 
       
 Parede (c)
(s) Portela de Sintra 
       
 São Pedro Estoril (c)
(s) Sintra 
       
 São João Estoril (c)
 
       
 Estoril (c)
(c) Cascais 
       
 Monte Estoril (c)

Linhas: a L.ª Alentejoc L.ª Cascaisz L.ª Cintura
n L.ª Norteo L.ª Oestes L.ª Sintrau L.ª Sul7 C.ª 7 R.
(*) vd. Campolide-A

Fonte: Página oficial, 2018.11
(nomes das estações de acordo com a fonte)

Ver tambémEditar

Referências

  1. «Alverca». Comboios de Portugal. Consultado em 26 de Março de 2015 
  2. «Linhas de Circulação e Plataformas de Embarque». Directório da Rede 2012. Rede Ferroviária Nacional. 6 de Janeiro de 2011. p. 71-85 
  3. LOURENÇO, 1995:46-47
  4. «Há Oitenta e Três Anos» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 47 (1149). 1 de Novembro de 1935. p. 446. Consultado em 8 de Fevereiro de 2014 
  5. ABRAGÃO, Frederico de Quadros (1 de Março de 1956). «No Centenário dos Caminhos de Ferro em Portugal: Algumas notas sobre a sua história» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 68 (1637). p. 115-120. Consultado em 15 de Outubro de 2017 
  6. ABRAGÃO, Frederico de Quadros (16 de Março de 1956). «No Centenário dos Caminhos de Ferro em Portugal: Algumas notas sobre a sua história» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 69 (1638). p. 131-138. Consultado em 15 de Outubro de 2017 
  7. AGUILAR, Busquets de (1 de Junho de 1949). «A Evolução História dos Transportes Terrestres em Portugal» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 62 (1475). p. 383-393. Consultado em 3 de Novembro de 2014 
  8. a b c ABRAGÃO, Frederico de Quadros (16 de Maio de 1956). «No Centenário dos Caminhos de Ferro em Portugal: Algumas notas sobre a sua história» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 69 (1642). p. 217-222. Consultado em 15 de Outubro de 2017 
  9. CAPELO et al, 1994:221
  10. TORRES, Carlos Manitto (1 de Janeiro de 1958). «A evolução das linhas portuguesas e o seu significado ferroviário» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 70 (1681). p. 9-12. Consultado em 26 de Março de 2015 
  11. a b LOURENÇO, 1995:49
  12. «Troços de linhas férreas portuguesas abertas à exploração desde 1856, e a sua extensão» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 69 (1652). 16 de Outubro de 1956. p. 528-530. Consultado em 15 de Outubro de 2017 
  13. «Efemérides» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 51 (1227). 1 de Fevereiro de 1939. p. 111-114. Consultado em 17 de Novembro de 2013 
  14. SABEL (16 de Novembro de 1940). «Ecos e Comentários» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 52 (1270). p. 772. Consultado em 9 de Março de 2018 
  15. NUNES, José de Sousa (16 de Junho de 1949). «A Via e Obras nos Caminhos de Ferro em Portugal» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 62 (1476). p. 418-422. Consultado em 15 de Outubro de 2017 
  16. REIS et al, 2006:125
  17. MARTINS et al, 1996:158
  18. MARTINS et al, 1996:159
  19. MARTINS et al, 1996:208
  20. REIS et al, 2006:233
  21. REIS et al, 2006:202

BibliografiaEditar

  • CAPELO, Rui Grilo; RODRIGUES, António Simões; et al. (1994). História de Portugal em Datas. Lisboa: Círculo de Leitores, Lda. 480 páginas. ISBN 972-42-1004-9 
  • LOURENÇO, António Dias (1995). Vila Franca de Xira: Um concelho do país. Vila Franca de Xira: Câmara Municipal de Vila Franca de Xira. 284 páginas 
  • MARTINS, João; BRION, Madalena; SOUSA, Miguel; et al. (1996). O Caminho de Ferro Revisitado. O Caminho de Ferro em Portugal de 1856 a 1996. Lisboa: Caminhos de Ferro Portugueses. 446 páginas 
  • REIS, Francisco; GOMES, Rosa; GOMES, Gilberto; et al. (2006). Os Caminhos de Ferro Portugueses 1856-2006. Lisboa: CP - Comboios de Portugal e Público - Comunicação Social S. A. 238 páginas. ISBN 989-619-078-X 
 
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Ligações externasEditar