Estação Ferroviária de Carregado

estação ferroviária em Portugal
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A Estação Ferroviária de Carregado, também chamada Estação de Carregado-Alenquer, é uma interface da Linha do Norte, que serve o norte da freguesia de Castanheira do Ribatejo e Cachoeiras, concelho de Vila Franca de Xira; e a zona da Vala do Carregado, na freguesia de Carregado, concelho de Alenquer, em Portugal. A primeira linha férrea em Portugal, inaugurada em 28 de Outubro de 1856, ligou a cidade de Lisboa ao Carregado.[1]

Carregado
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Estação do Carregado, em 2019.
Coordenadas:
39° 00′ 19,9″ N, 8° 57′ 13,31″ O
Concelho:
Linha(s): Linha do Norte (PK 36,456)
Serviços:
Estação anterior Comboios de Portugal Comboios de Portugal Estação seguinte
V. F. Xira
Alcântara-T.
  CP Lisboa
Linha da Azambuja
  V. N. Rainha
Azambuja
V. F. Xira
S. Apolónia
   

Equipamentos: Ligação a autocarros Serviço de táxis Bilheteiras e/ou máquinas de venda de bilhetes
Elevadores Telefones públicos
Parque de estacionamento Acesso para pessoas de mobilidade reduzida
Ticket vending icon.svg
NYCS-bull-trans-N.svgNavegante
Inauguração: 28 de Outubro de 1856 (há 163 anos)
Website:
Vista da estação ferroviária do Carregado a partir de uma passagem superior entre Carregado e Castanheira do Ribatejo.

DescriçãoEditar

Edifício da estaçãoEditar

 
Aspeto do edifício da estação.

O edifício da estação do Carregado foi projectado por Cottinelli Telmo em 1930, utilizando o estilo Art déco.[2] Na sua concepção, Telmo utilizou a experiência que tinha adquirido durante o planeamento da Sul e Sueste, em Lisboa, ao introduzir várias inovações no modelo convencional para um edifício de passageiros.[2] O vestíbulo de passageiros foi considerado como um espaço fundamental, tendo sido concebido como um grande espaço aberto, com uma altura igual aos dois pisos do edifício, e iluminado por dois grandes janelões semicirculares, semelhantes aos utilizados na gare do Sul e Sueste, que lhe davam uma escala urbana.[2] A estação foi decorada com lambris de azulejo e painéis de mosaicos coloridos com padrões geométricos abstractos, que também reflectiam o estilo Art Déco.[2] Para o alpendre da estação, em vez da tradicional estrutura metálica, Telmo optou por uma grande cobertura de betão armado anexa ao edifício, sustentada por estreitos pilares.[2]

HistóriaEditar

 Ver artigo principal: História da Linha do Norte

Século XIXEditar

Em meados do Século XIX, o governo de Fontes Pereira de Melo iniciou um ambicioso programa de obras públicas, que incluía a construção de vários caminhos de ferro.[3] Em 13 de Maio de 1853, o governo contratou a Companhia Central e Peninsular dos Caminhos de Ferro em Portugal para construir um caminho de ferro de Lisboa até à fronteira com Espanha, passando por Santarém.[4][5] O Carregado era considerado um ponto importante, por ser o local de onde a Mala-posta saía em direcção ao Norte, sendo o percurso entre Lisboa e o Carregado feito por via fluvial.[6] No entanto, os navios a vapor eram lentos e pouco fiáveis, chegando frequentemente tarde demais para apanhar a diligência, que saía por volta do Meio-dia.[6] Assim, considerou-se importante instalar a via férrea, para substituir o problemático eixo fluvial.[6]

Quando o engenheiro Thomaz Rumball foi encarregado de estudar o traçado da Linha do Leste até Elvas e Badajoz, uma das directrizes propostas atravessava o Rio Tejo logo após o Carregado, indo na direcção de Mora.[7] Posteriormente, o engenheiro Wattier foi encarregado do mesmo serviço, tendo entregado o seu relatório em Maio de 1856.[7] Neste documento criticou as soluções apresentadas por Rumball, tendo em vez disso sugerido a continuação da linha já em construção, com uma ponte sobre o Tejo junto a Constância.[7] Sugeriu igualmente a construção de uma linha que se iniciasse junto ao Carregado e terminasse em Vendas Novas, ideia que mais tarde se encorparia na Linha de Vendas Novas.[7]

 
Pavilhão erguido na estação do Carregado para a cerimónia de inauguração, em 28 de Outubro de 1856.

Em 28 de Outubro de 1856, foi inaugurada a estação do Carregado, como ponto terminal provisório do Caminho de Ferro do Leste, que começava em Lisboa; este foi o primeiro troço ferroviário a ser aberto em Portugal.[8][9] Para a cerimónia de inauguração, foi instalado um pavilhão, junto ao edifício da Estação.[10] Foi organizado um comboio especial, que transportou a família real, e que foi rebocado por duas locomotivas, denominadas de Portugal e Coimbra.[11] No entanto, a viagem enfrentou vários problemas, incluindo o rebentamento dos canos de uma das locomotivas, o que atrasou a marcha do comboio.[6] A abertura à exploração só se fez 2 dias depois, em 30 de Outubro.[12]

O troço seguinte, até Virtudes, entrou ao serviço em 31 de Julho de 1857.[9] Originalmente, a linha utilizava uma bitola de 1,44 m, tendo sido alterada para uma bitola de 1,67m em 1861.[4] Em 15 de Abril de 1890, entrou ao serviço a segunda via no troço entre Olivais e o Carregado[13], e em 16 de Março de 1891 no troço do Carregado à Azambuja.[14]

Entretanto, em 1869, o Duque de Saldanha fora autorizado a construir várias linhas férreas no sistema Larmanjat, incluindo uma do Carregado a Alenquer,[15] que, como outras concessões Larmanjat em Portugal, não chegou a ser constuída, face ao insucesso do sistema nas linhas que chegaram a operar (Lisboa - Sintra - Torres Vedras).

Século XXEditar

 
Horário da Linha do Norte em 1933.

Em 1904, uma comissão de empresários e proprietários de Alenquer enviou uma representação ao Ministro das Obras Públicas, pedindo a construção de um ramal até Alenquer, partindo da estação do Carregado ou de outro ponto da Linha do Leste.[16]

Em 1912, havia um projecto para ligar esta estação à localidade de Merceana.[17]

Em 1913, da estação do Carregado partiam serviços de diligências até Abrigada, Alenquer, Labrugeira, Aldeia Galega da Merceana e Olhalvo.[18]

Em 1926, a Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses estabeleceu, em parceria com a Emprêsa de Transportes entre Carregado e Alemquer, um serviço de transporte de passageiros, bagagens e mercadorias, por via rodoviária, entre esta estação e a localidade de Alenquer.[19]

Em 1930, o arquitecto Cottinelli Telmo projectou o novo edifício para a estação do Carregado, que foi inaugurado no ano seguinte.[2]

A Junta Autónoma das Estradas aprovou, para o exercício de 1933 a 1934, a reparação do ramal da Estrada Nacional 1 para a Estação do Carregado, com o uso de paralelepípedos.[20]

Em 6 de Abril de 1955, foi assinado o contrato para a electrificação da Linha de Sintra e do troço entre Lisboa e o Carregado da Linha do Norte.[21] Em 28 de Abril de 1957, deu-se a inauguração oficial da tracção eléctrica, inserida nas comemorações do centenário dos caminhos de ferro em Portugal.[22] O comboio inaugural saiu de Santa Apolónia às 10 da manhã, e chegou ao Carregado 35 minutos depois.[22] Também foi organizado um desfile de material circulante entre estas duas estações.[22]

CP-USGL + CP-Reg + Soflusa + Fertagus
(Serviços ferroviários suburbanos de passageiros na Grande Lisboa)
Serviços:   Cascais (CP)  Sintra (CP)  Azambuja (CP)
  Sado (CP+Soflusa)  CP Regional (R+IR)  Fertagus
 
             
 
(n) Azambuja 
               
 Praias do Sado-A (u)
(n) Espadanal da Azambuja 
               
 Praça do Quebedo (u)
(n) Vila Nova da Rainha 
             
 Setúbal (u)
**(n) Carregado 
     
 
 
     
 Palmela (u)
(n) Castanheira do Ribatejo 
             
 Venda do Alcaide (u)
(n) Vila Franca de Xira 
       
 
 
 Pinhal Novo (u)(a)
(n) Alhandra 
             
 Penteado (a)
(n) Alverca 
               
 Moita (a)
(n) Póvoa 
               
 Alhos Vedros (a)
(n) Santa Iria 
               
 Baixa da Banheira (a)
(n) Bobadela 
               
 Lavradio (a)
(n) Sacavém 
               
 Barreiro-A (a)
(n) Moscavide 
               
 Barreiro (a)
(n) Oriente 
           
 (Soflusa)
(n)(z) Braço de Prata 
         
 
 
 Terreiro do Paço (a)
 
 
 
 
 
 
 
 
 Penalva (u)
(n)(ẍ) Santa Apolónia 
 
 
 
 
 
       
 Coina (u)
(z) Marvila 
 
         
 Fogueteiro (u)
(z) Roma-Areeiro 
           
 Foros de Amora (u)
(z) Entrecampos 
           
 Corroios (u)
(z)(7) Sete Rios 
           
 Pragal (u)
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Campolide (z)(s)(u)*
(s) Benfica 
             
 Rossio (s)
(s) Santa Cruz-Damaia 
             
 Cais do Sodré (c)
(s) Reboleira 
             
 Santos (c)
(z) Alcântara-Terra 
 
 
 
 
   
 Alcântara-Mar (c)
(s) Amadora 
               
 Belém (c)
(s) Queluz-Belas 
               
 Algés (c)
(s) Monte Abraão 
               
 Cruz Quebrada (c)
(s) Massamá-Barcarena 
               
 Caxias (c)
(s)(o) Agualva-Cacém 
               
 Paço de Arcos (c)
 
 
 
         
 Santo Amaro (c)
(o) Mira Sintra-Meleças 
               
 Rio de Mouro (s)
(s) Mercês 
             
 Oeiras (c)
(s) Algueirão - Mem Martins 
             
 Carcavelos (c)
(s) Portela de Sintra 
             
 Parede (c)
(s) Sintra 
             
 São Pedro Estoril (c)
(o) Telhal 
           
 São João Estoril (c)
(o) Sabugo 
           
 Estoril (c)
(o) Pedra Furada 
           
 Monte Estoril (c)
(o) Mafra 
           
 Cascais (c)
(o) Malveira 
   
 
   
 Jerumelo (o)**

2015-2019 []

Linhas: a L.ª Alentejoc L.ª Cascaiss L.ª Sintra C.ª X.
n L.ª Norteo L.ª Oestez L.ª Cinturau L.ª Sul7 C.ª 7 R.
(*) vd. Campolide-A   (**)   continua além z. tarif. Lisboa

Fonte: Página oficial, 2020.06

Ver tambémEditar

Referências

  1. MARTINS et al, 1996:214
  2. a b c d e f MARTINS et al, 1996:131
  3. MARTINS et al, 1996:51
  4. a b REIS et al, 2006:12
  5. MARTINS et al, 1996:240
  6. a b c d LEAL, Carlos de Brito (1 de Fevereiro de 1953). «Os comboios há 88 anos» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 65 (1563). p. 467-470. Consultado em 5 de Outubro de 2016 
  7. a b c d «No Centenário dos Caminhos de Ferro em Portugal: Algumas notas para a sua história» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 69 (1640). 16 de Abril de 1956. p. 190-193. Consultado em 19 de Junho de 2017 
  8. CAPELO et al, 1994:221
  9. a b TORRES, Carlos Manitto (1 de Janeiro de 1958). «A evolução das linhas portuguesas e o seu significado ferroviário» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 70 (1681). p. 9-12. Consultado em 13 de Fevereiro de 2014 
  10. REIS et al, 2006:16
  11. MARTINS et al, 1996:86
  12. NONO, Carlos (1 de Outubro de 1948). «Efemérides ferroviárias» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 60 (1459). p. 524-525. Consultado em 5 de Outubro de 2016 
  13. MARTINS et al, 1996:251
  14. NONO, Carlos (1 de Março de 1950). «Efemérides ferroviárias» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 62 (1493). p. 858-859. Consultado em 5 de Outubro de 2016 
  15. SERRÃO, 1986:238
  16. «Há 50 anos» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 67 (1602). 16 de Setembro de 1954. p. 268. Consultado em 5 de Outubro de 2016 
  17. «Efemérides» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 51 (1230). 16 de Março de 1939. p. 177-179. Consultado em 13 de Fevereiro de 2014 
  18. «Serviço de Diligencias». Guia official dos caminhos de ferro de Portugal. 39 (168). Outubro de 1913. p. 152-155. Consultado em 13 de Dezembro de 2017 
  19. «Tarifa de camionagem: Transportes entre a Estação de Carregado e o Despacho Central de Alemquer» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 39 (925). 1 de Julho de 1926. p. (anexo). Consultado em 3 de Julho de 2011 
  20. «Junta Autónoma de Estradas» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 46 (1112). 16 de Abril de 1934. p. 212. Consultado em 3 de Julho de 2011 
  21. REIS et al, 2006:117
  22. a b c REIS et al, 2006:125

BibliografiaEditar

  • CAPELO, Rui; MONTEIRO, Augusto; NUNES, João; et al. (1994). História de Portugal em Datas. Lisboa: Círculo de Leitores, Lda. e Autores. 480 páginas. ISBN 972-42-1004-9 
  • MARTINS, João; BRION, Madalena; SOUSA, Miguel; et al. (1996). O Caminho de Ferro Revisitado: O Caminho de Ferro em Portugal de 1856 a 1996. Lisboa: Caminhos de Ferro Portugueses. 446 páginas 
  • REIS, Francisco; GOMES, Rosa; GOMES, Gilberto; et al. (2006). Os Caminhos de Ferro Portugueses 1856-2006. Lisboa: CP-Comboios de Portugal e Público-Comunicação Social S. A. 238 páginas. ISBN 989-619-078-X 
  • SERRÃO, Joaquim Veríssimo (1986). História de Portugal: O Terceiro Liberalismo (1851-1890). Lisboa: Verbo. 423 páginas 
 
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Ligações externasEditar

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